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Aplicativo de apostas de jogos de futebol

Enrico NazaréAutor da publicação: Enrico Nazaré

A nova lei do jogo online entra em vigor a 28 de junho

FRANCK FIFE/AFP/Getty Images

Este artigo foi publicado originalmente a 4/5/2015 e republicado a 25/5/2016 quando foi atribuída a primeira licença para apostas desportivas na internet.

Tinha 18 anos quando começou a ir com 12 ou 13 amigos para o Casino do Estoril. Era pela brincadeira, mas o dinheiro que ganhava agarrou-o, a ele e a mais três. No início só lá ia às sextas-feiras, depois começou a ir às sextas e sábados, até que chegou a ir grande parte da semana. Fez o que nunca sonharia fazer: estar à porta do casino às 15h, à espera que abrisse. Perto dos 40 anos, largou essa vida para entrar no mundo virtual, no jogo online. Pediu vários empréstimos de quatro mil euros, apostava aos milhares, chegou a ganhar 46 mil euros em cinco dias e mal dormia. Vendeu uma empresa por 14 mil euros e enfiou o dinheiro no jogo. Pediu um empréstimo de 20 mil euros através da conta do pai e metade do dinheiro seguiu o mesmo destino. O jogo e a vida já se baralhavam, embora nunca tenha faltado nada em casa, garante.

A mulher sabia que ele jogava, mas nunca soube a dimensão e o volume das apostas. Ainda hoje não sabe. Ela aconselhou-o a entrar nos Jogadores Anónimos, mas ele não quis saber. João nem se lembra sequer de ter tido essa conversa. Em 2014, decidiu que precisava de ajuda e inscreveu-se finalmente no grupo. Mais: entregou os cartões de crédito à mulher. “Fui mesmo burro”, diz, sem pudor. Esta é a história de João, um homem casado, com uma filha, que temeu perder tudo. Hoje diz saber o valor do dinheiro e sente-se senhor do seu destino.

A nova lei, que dá as boas-vindas ao jogo online em Portugal, foi publicada dia 29 de abril em Diário da República. Veja aqui o Explicador que o Observador preparou sobre o tema.

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“Há três anos que jogava no jogo online, mas metia pouco — eram 70, 80, 100 euros por mês. Quando recebia [o ordenado], metia lá dinheiro. Ia jogando. Quando perdia, só voltava a meter dinheiro no mês seguinte”, conta João ao Observador, num canto do terminal fluvial do Cais do Sodré. Existem vários sites online e cada um tem as suas regras, mas funcionam todos mais ou menos da mesma forma: cria-se uma conta, transfere-se dinheiro (o mínimo em alguns é 15 euros) e está-se apto a apostar. As casas de apostas ficam com uma percentagem dos lucros, algo que também acontece na hora de retirar o dinheiro da conta para o transferir para o mundo real.

“Em março de 2014 tive sorte: ganhei 46 mil euros em cinco dias. Fiquei a pensar que era fácil. A minha mulher sabia que eu jogava, mas inventei que tinha saído uma parte na raspadinha.” A seguir decidiu transferir o dinheiro da casa de apostas para a sua conta. Eram quase 45 mil euros e o site bet365, diz, bloqueou-lhe a conta. “Não posso apostar lá mais. Não me deixavam apostar mais de 12, 13 euros. Ou seja, enquanto andava a apostar 2.000 euros estava tudo bem, quando souberam que tirei o dinheiro…”, desabafa, indignado, como quem ainda não ultrapassou aquela mágoa.

As apostas de João eram maioritariamente no futebol. A estratégia era aventureira, difícil: apostar, durante um jogo, na equipa que estava a perder, acreditando que ia dar a volta ao jogo. “Há pessoas que estão a ver o jogo e analisam. Eu apostava pela estatística que o site me dava. Pelos remates, ataques, só com isso, sem conhecer sequer as equipas. Podiam ser do Japão, China…”

Durante os tais cinco dias gloriosos em que ganhou 46 mil euros, João mal dormiu. “Estava quase sempre com o telemóvel na mão. O telefone tinha de ser carregado cinco vezes por dia, ou às vezes tinha de estar sempre ligado à corrente.” Mas o facto de ver a sua conta ser bloqueada não lhe devolveu o sono, pois a seguir abriu uma outra na Betfair, outra casa de apostas online. Em dois dias chegou aos 20 mil euros – “fui perdendo até aos quatro mil e retirei”.

Mas o susto, esse maldito mensageiro que não tem por hábito bater à porta, chegaria. “Assustei-me passados sete dias [de ter ganho os 46 mil euros], porque as nossas apostas estão no histórico. Assustei-me com o valor, com o volume de apostas que fiz. Apostei 155 mil euros, e nesses cinco dias ganhei qualquer coisa como 200 mil euros, resultando daí os tais 46 mil euros.”

“Ainda hoje a minha mulher não sabe o valor das minhas apostas”

“Ainda hoje a minha mulher não sabe o valor das minhas apostas”

O dinheiro não tinha valor para ele. Tinha sede de jogar, estava cego, queria correr atrás do risco, da adrenalina, do prazer pelo incerto ou, quem sabe, de fazer de um qualquer Deus e prever o futuro. “Esta vida nunca me trouxe problemas. Ganhava x [de salário], pagava as despesas e colocava uma parte para o jogo. Às vezes não chegava e ia buscar mais um bocado. A minha mulher ainda hoje não sabe o volume das minhas apostas.”

E uma folha de excel, um recanto na memória ou uma gaveta por fechar com o número redondo que já perdeu, existe? Não. “Sinceramente não quero saber disso. O ano passado falei com a minha mulher e decidi que tinha de pedir ajuda. A questão é que ela pensava que eu ia ao casino gastar 50 ou 100 euros, que já era muito para ela. Mas eu gastava 1.000, 2.000…”

O jogo, diz, “é uma ilusão”. Para ganhar argumentos e uma teoria mais robusta sobre como chegou a este ponto, João agarra-se ao passado para explicar o presente. “Nunca pensei ir para a porta do casino às 15h, como se via tanta gente fazer. E, depois, dizia que lá ia uma ou duas horas e acabava por ficar 12. Quando abriu o casino de Lisboa, por exemplo, eu chegava a sair do Estoril às 20 para as três para vir a acelerar porque este fechava às quatro… aquilo não tem vantagem nenhuma.”

A certeza que agora se cola às palavras na recriminação ao passado serve também para refletir sobre a nova lei do jogo online. “Não muda nada para as pessoas. Eu acho que é só para impostos. E, depois, ou os prémios ficam mais baixos ou quando pagam retiram uma parte automaticamente para os impostos. Mas também já vi que haverá sites que vão suportar esse valor…”

Quando se toca na ferida, devagarinho, usando a palavra “viciado”, João não se encolhe, mas faz uma finta à Maradona e segue por outro lado. “Vai fazer um ano que estou nos Jogadores Anónimos. Até entrar achava que estava tudo bem. O meu medo foi não conseguir apostar só dez euros. Pensei que tinha de desligar disto. Agora teria de apostar algo como 500, 600, 1.000 euros.” Este agora ex-jogador de jogo online fala com desprendimento e sem reservas sobre essas reuniões que frequenta em Carcavelos, onde 20, 30 pessoas se encontram para falar de tudo, não só de jogo. Com algum peso na voz, João recorda um rapaz que por lá passou, mas pouco tempo. “Tem 23 anos e já jogava há dois. Falei um bocado com ele e ele contou-me que deixou de sair com a namorada e que não largava o computador. Às vezes nem jantava. Deixou de aparecer”, conta.

“Só fiz mal a mim”, assegura. “Nunca falhou nada em casa, mas podia ter outras coisas. Vejo ali pessoas, nos Jogadores Anónimos (JA), que me fazem pensar. Uns já estão bem, outros ainda não, mas há histórias de quem lá chegou com quatro euros no bolso para o mês inteiro e sem nada para comer — houve um que passou um mês a comer esparguete com atum. O meu caso não foi esse — eu tenho duas casas, dois carros e uma mota –, por isso às vezes devem pensar que sou maluco quando me ponho lá a falar.”

Esse grupo de ajuda já havia sido mencionado pela sua mulher, há três anos. Três anos. Mas ele não ouviu, não quis ouvir, não estava capaz de ouvir. A única melodia que entrava nos ouvidos de João era o som mágico do cifrão a bater no fundo da conta, ou a falhar o alvo. Agora, foi por ele. “Houve lá um dos JA a perguntar se já fiz o quarto passo — quanto gastei? –, mas não vou fazer isso. Uma coisa é certa: uma das duas casas que tenho estava paga de certeza. Fiz empréstimos às Cofidis, Cetelems, etc. Aquilo acabava-se de pagar e pedia outro. À Cofidis pedi quatro vezes 4.000 euros. Não foi para comer, foi para o jogo. Ainda devo 25.000 em empréstimos…”

João chegou até a pedir 20 mil euros através da conta do pai, porque ele usufruía de um juro mais baixo. “Metade foi para o jogo. Vendi uma empresa por 14 mil euros, foi tudo para o jogo. Acabava tudo por ir para lá. Só a minha mulher é que mexe na conta agora: entreguei-lhe os cartões e tenho um recarregável. Quando é necessário, ligo-lhe e ela mete 50 euros.”

“Os jogadores acabam por destruir muita coisa. Não só o dinheiro, mas também a família.”

“Os jogadores acabam por destruir muita coisa. Não só o dinheiro, mas também a família.”

Resignado, vencido, diz que o jogo é “mesmo sorte”, e que é preciso saber parar. Uma amiga que trabalha no casino contou-lhe uma história que empresta solidez a esta teoria, que coloca os ventos da sorte no centro do mundo. “Dois chineses, lado a lado, estavam a jogar ao Ponto e Banca. Um apostava 10.000 no ponto e saiu 31 vezes seguidas. O outro apostava três, quatro, cinco mil euros na banca, na esperança de virar. Ele perdeu uns 140 mil e o outro ganhou 300 mil. É sorte. Mas é como ela diz: ‘ele vai lá meter tudo outra vez’.”

O maior aliado, garante, foi a sua mulher. “Ela detesta jogo, é muito poupada. Por minha causa, então, tem pavores de jogo. Os jogadores acabam por destruir muita coisa, não só o dinheiro, mas também a família. Hoje percebo isso. Há dez meses não ligava a nada disso”, afiança. E, talvez por isso mesmo, por toda a luta que tem vivido, por toda a ajuda que tem recebido, levou a mal um pedido da mulher. “Pediu-me para ligar para aqueles números 808 para um concurso da televisão para ganhar 200 mil euros. Perguntei se estava a brincar comigo, porque aquilo era jogar! Antes teria perguntado quantas vezes queria que ligasse…”

Apesar de tudo, João tem ganho esta batalha e dá a voz para alertar as pessoas. Talvez sinta esta necessidade de abrir os olhos a outros que possam entrar no labirinto sem retorno que o jogo pode transformar-se. A seguir à conversa com o Observador, João tinha agendada uma outra com um aluno universitário, para o ajudar num trabalho. Agora tem mais sossego e a harmonia familiar toca noutro tom. “Agora ficamos a ver televisão à noite, já não tenho de ir para o computador. Agora papo as novelas todas”, diz, com um sorriso de quem quer ter o seu fado na palma da mão.

Futebol. A rede de apostas da Malásia, os intermediários, as mensagens por WhatsApp e as notas de 500 euros

Futebol. A rede de apostas da Malásia, os intermediários, as mensagens por WhatsApp e as notas de 500 euros

A manipulação de resultados de jogos da II Liga a troco de alegados subornos de apostadores malaios é a base da acusação da Operação Jogo Duplo. Mas é nos detalhes que o MP diz que se esconde o crime.

Imagine um jogo da II Liga portuguesa com apenas 619 espectadores no estádio e sem transmissão televisiva. Um encontro que terá no dia seguinte quando muito um quadradinho de notícia nos jornais desportivos. Acredita que um jogo desses pode prender a atenção de alguém que está na Ásia? Provavelmente, não.

Mas é o que acontece todos os fins de semana com os jogos da competição profissional secundária do futebol português (e provavelmente com outros de outras divisões). E porquê? Por causa das apostas desportivas em plataformas online lideradas por redes de investidores asiáticos, nomeadamente da Malásia (há suspeitas também ligadas à China). Eles tentam alegadamente subornar jogadores envolvidos nos jogos alvos de apostas — uma atividade criminosa que movimenta muitos milhões de euros em todo o mundo.

Um número para contextualizar melhor a questão: só numa jornada da II Liga portuguesa são movimentados oficialmente cerca de cinco milhões de euros em apostas online. Se multiplicarmos este valor pelas 42 jornadas que, neste momento, que constituem a prova que dá aceso à Liga principal, estaremos a falar de um movimento anual de cerca de 210 milhões de euros. Já cada jornada da I Liga leva a um investimento de 32 milhões de euros nos sites das casas de apostas e um movimento total anual de cerca de mil milhões de euros. Conquistamos a sua atenção sobre a relevância deste caso? E, é preciso frisá-lo, estamos apenas a falar nas apostas em casas a operar legalmente m Portugal, onde o jogo só foi legalizado há pouco mais de um ano. Depois é possível fazê-lo noutros países e noutras casas de apostas. Ou seja, milhões e milhões de euros a circular.

Um caso concreto decorrente da primeira acusação por apostas ilegais em Portugal, a operação Jogo Duplo, conhecida sexta-feira passada: só num dos jogos da II Liga, os jogadores podiam receber até 40 mil euros para manipularem o resultado do jogo de acordo com a aposta dos investidores malaios, a rede investigada neste caso.

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Se não é perito no assunto, é melhor pensar nos pormenores: neste tipo de apostas não se joga apenas no resultado de um jogo, ou seja se vai ser uma vitória, um empate ou uma derrota. Há também apostas no resultado em concreto, no número de golos, no virar de um resultado, nos marcadores, no número de penálties e até em cantos. Ou seja, imagine que num jogo em que uma equipa é claramente favorita e até está a ganhar ao intervalo, aposta que os mais fracos não só vão ganhar, como vão marcar três golos… recebe milhares; ou que há um penálti a favor dos mais fracos, cometido por um defesa dos favoritos: mais milhares no bolso; ou até que um jogador é expulso, ou que o resultado vai ser um pouco provável 7-1, tudo isto vale muito, mas muito dinheiro.

Voltando a este caso em concreto. Ele envolve intermediários portugueses, alguns deles ligados à claque dos Super Dragões, uma dessas redes de apostadores e futebolistas que alegadamente manipulavam os resultados dos jogos combinando os supostos subornos pelos chats do WhatsApp e do Facebook — alguns dele com nomes sugestivos como “Uber de Caneças” e ilustrados com imagens de notas de 500 euros, a nota preferida da alegada rede criminosa. Problema: ficou tudo escrito e guardado nos telemóveis dos suspeitos.

Estes são os ingredientes da Operação Jogo Duplo que deu lugar à acusação formal da 9.ª seçcão do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa por crimes de corrupção desportiva e apostas ilícitas contra 28 jogadores, treinadores e dirigentes. Cinco deles foram mesmo acusados do crime de associação criminosa — uma imputação especialmente grave por pressupor a criação de um alegado grupo estruturado com uma intenção criminosa.

Os acusados terão agora a oportunidade de contestar os termos da acusação do DIAP de Lisboa, requerendo a abertura de instrução. Nelson Sousa, advogado de dois dos três arguidos detidos, apresentou inclusive um pedido de habeas corpus no Supremo Tribunal de Justiça para a libertação imediata dos seus clientes. Sousa alega que os seus clientes estão presos ilegalmente, pois a acusação terá sido produzida fora do prazo legal a que o Ministério Público estava obrigado.

Mas mais que uma simples acusação, o diabo está nos detalhes que revelam a anatomia de um crime cada vez mais frequente.

Um ex-campeão do mundo, um ex-futebolista do Sporting e um treinador

Um ex-campeão do mundo, um ex-futebolista do Sporting e um treinador

Em causa estão 10 jogos da II Liga, entre clubes da segunda metade da tabela que lutam para não descer de divisão, sendo que os jogos do Oriental e da Oliveirense foram os alvos preferidos dos intermediários da rede da Malásia. Em média, um jogador da II Liga podia receber da rede de apostadores profissionais uma média de 5.000 euros por jogo — um valor significativo quando os salários mensais dos clubes pequenos da II Liga são claramente inferiores a esse valor.

Há, contudo, um jogo que acaba por ser paradigmático de toda acusação: o Oriental-Leixões, realizado a 24 de abril de 2015. Um jogo decisivo para o Oriental que lutava para não descer de divisão e onde chegaram a estar envolvidos, em alegados subornos, quantias superiores a 80 mil euros.

As quantias viriam não só do grupo de investidores da Malásia, como alegadamente do próprio Leixões — clube que também estava a lutar para não descer de divisão.

Tudo começou quando um ex-jogador do Académico de Viseu, Tiago Costa, ofereceu cerca de 40 mil euros a um grupo de jogadores do Oriental para manipularem o resultado do jogo com o Leixões. A primeira proposta terá nascido precisamente da vontade de pessoas ligadas ao clube de Matosinhos e foi discutida num grupo do WhatsApp chamado “Uber Caneças” e do qual faziam parte os futebolistas João Pedro Carvalho, Hugo Grilo e Tiago Mota. Adeptos da aplicação que permite a troca de mensagens e chamadas telefónicas encriptadas, estes três jogadores do Oriental partilhavam boleias entre si — daí o nome que deram ao seu grupo de conversação. De acordo com a acusação do procurador Hugo Neto consultada pelo Observador, Hugo Grilo e Tiago Mota foram informados da proposta através de Carvalho, tendo chegado a debater os três a divisão do dinheiro: 15 mil euros para Grilo e Mota (que deveriam jogar) e 10 mil para João Pedro que, apesar de não jogar por castigo, teria liderado os contactos com os alegados corruptores.

Carvalho já não era novo nessas andanças. Desde o início da época que vinha sendo aliciado por outro Tiago, de apelido Rosa e ex-jogador do Oriental. A partir do momento em que a posição classificativa do clube de Lisboa se agravou, Rosa pressionou. Tratando Carvalho como ‘mano’, o ex-futebolista argumentou que os jogadores do Oriental tinham de começar a olhar para si, em vez de se preocuparem com um clube que estaria irremediavelmente despromovido em breve.

Voltando ao Oriental-Leixões. Havia, contudo, um problema: Hugo Grilo e Tiago Mota não queriam que os seus nomes fossem conhecidos. Isto é, não queriam ‘dar a cara’.

Ora essa é uma prática instalada no mundo das apostas ilegais — que os clubes alegadamente corruptores terão apreendido: os jogadores têm de ‘dar a cara’ pela aposta e comprometer-se com o resultado combinado. No caso da rede de apostadores da Malásia, estes só avançariam depois de os jogadores se comprometerem em vídeochamadas, através do Skype, com o resultado desejados pelos investidores.

Hugo Grilo e Tiago Mota, contudo, não queriam que a sua identidade fosse conhecida — muito menos por pessoas do Leixões Resultado: a operação foi abortada.

Grupo luso-malaio entra em ação

Grupo luso-malaio entra em ação

Perante a nega ao Leixões, entrou em campo o chamado grupo guso-Malaiom. Eis a sua constituição:

  • Carlos Silva, “Aranha” – membro dos Super Dragões, principal claque do FC Porto, e jogador do Canelas 2010, o clube da Associação de Futebol do Porto liderado pelo líder da claque, Fernando Madureira, e conhecido por actos de violência em campo. Foi um dos arguidos que ficou preso preventivamente aquando da investigação Operação Jogo Duplo em 2016. Ainda se encontra em prisão domiciliária;
  • Rui Dolores – ex-jogador de futebol profissional do Beira-Mar, Boavista, Académico de Viseu, Boavista, Paços de Ferreira. Jogou também no Chipre;
  • Gustavo Oliveira – ex-jogador de equipas amadoras do distrito de Aveiro, como o Bustelo, Sanjoanense e Mansores;
  • E os cidadãos malaios Yap Thong Leong, Lim Gin Seng (apelido ‘Tony’) e Chun Keng Hong (conhecido como ‘Michael’ ou ‘Mike’ e ex-jogadores de futebol).

Para manipular o jogo Oriental-Leixões, o grupo luso-malaio terá recorrido alegadamente a duas vias:

  • utilizar como intermediário Abel Silva o ex-jogador do Benfica e do Marítimo que ficou conhecido por marcar o primeiro golo da vitória de Portugal na final do Mundial de Sub-20 de 1989, Riade, em que Portugal se sagrou campeão do mundo;
  • e alegadamente aliciar diretamente os jogadores do Oriental.

Abel Silva, de acordo com a acusação, terá recebido cerca de 30 mil euros das mãos de Gustavo Oliveira na casa-de-banho do Hotel Tryp, na zona da Expo, em Lisboa. Antes dessa entrega, o campeão do mundo em 1989 terá acordado com Carlos Silva “Aranha” aliciar jogadores Oriental para que este clube perdesse por 3-0 com o Leixões.

Façamos mais uma vez um pequeno tutorial sobre o mundo das apostas desportivas online. Eis alguns conceitos básicos:

  • Inspiradas nas casas de apostas britânicas (como a Ladbrokes ou a William Hill), os sites aceitam apostas antes do jogo iniciar (pré-match betting) ou no decurso do jogo (live betting);
  • O jogador pode apostar em diversos itens, como o vencedor do jogo, o resultado exacto, o número total de golos marcados (acima ou abaixo de determinado valor), o marcador dos mesmos, entre outras hipóteses;
  • No momento da aposta, a casa de apostas atribuiu uma odd (probabilidade) que corresponde ao valor que o site paga por cada euro investido.
  • Um exemplo que é dado na acusação do MP: uma aposta num jogo entre a equipa A (cuja vitória cale 1.65) e a equipa B (em que a vitória vale 2.55), significa que, no caso da primeira equipa ganhar, o apostador vai ganhar 0,65 cêntimos por cada euro investido. Isto é, 65% de lucro bruto face ao valor investido. Uma remuneração muito acima dos juros bancários pagos pelas poupanças dos clientes.
  • Quando é que surgem problemas? Quando há apostas num montante significativo num resultado improvável. Exemplo: Uma vitória de determinada equipa por seis golos ou uma aposta durante o jogo numa reviravolta da equipa que está a perder. É nestes casos que existem suspeitas sobre match-fixing — um anglicismo que tem o mesmo significado do conceito português “jogo combinado”.
  • Diz o MP que, nos casos match-fixing, não estamos a falar de “apostadores isolados”, mas sim de “organizações criminosas com elevada capacidade económica e com elementos posicionados junto dos vários campeonatos, equipas e jogadores, os quais são aliciados para a viciação de determinados jogos”.

Mais duas informações úteis sobre o mundo das apostas desportivas:

  • Os jogos da II Liga (que em Portugal quer noutros países como Itália ou Espanha), por não terem transmissão televisiva ou cobertura mediática como a I Liga, tornam-se apeteceis pela sua ‘discrição’ e, às vezes, ausência de escrutínio;
  • Os guarda-redes e os defesas são, por regra, os jogadores mais aliciados pelos apostadores., pois são aqueles que podem facilitar mais a marcação de golos.

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