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Enrico NazaréAutor da publicação: Enrico Nazaré

O novo domínio www.solverde.pt, que deixou cair "casino" na sua designação, que figurava desde o lançamento da plataforma, em 2017, acaba de tornar o grupo da família violas no 11.º operador a obter licença do mercado português para a exploração de apostas desportivas à cota.

Lançadas numa campanha sob o mote "É muita emoção em jogo", as apostas desportivas disponibilizadas na plataforma online da Solverde vão desde o futebol à Moto GP, passando pela Fórmula 1, basquetebol, ténis ou hóquei em patins, entre muitas outras competições, além dos 900 jogos que já oferecia.

A marca digital da Solverde foi desenvolvida por uma equipa de 70 pessoas, sendo que, "apenas para o lançamento das apostas desportivas foram criados cerca de 35 novos postos de trabalho durante o ano de 2020", revelou, ao Negócios, Américo loureiro, diretor da empresa.

"E é expectável criarmos mais 40 novos postos de trabalho nos próximos cinco anos, nas áreas de apoio ao cliente, tecnologia, marketing digital e ‘data science’", adiantou o mesmo gestor.

Com o lançamento das apostas desportivas, o investimento da Solverde na plataforma de casino já vai "em cerca de 8 milhões de euros", garantiu Américo Loureiro.

O grupo Solverde tem a ambição de triplicar, nos próximos três anos, o número de utilizadores no "site", que conta atualmente com cerca de 200 mil registos.

De resto, concluiu, "esta diversificação confirma uma aposta clara do grupo Solverde, com uma estrutura 100% portuguesa e sede em Espinho, no mercado das apostas desportivas, reforçando a sua oferta digital".

No primeiro semestre de 2020, o volume das apostas desportivas à cota foi de 239,9 milhões de euros, menos 3,6 milhões do que no mesmo período do ano passado. Uma performance que foi bastante impactada pelo surto pandémico, tendo a maioria das competições desportivas sobre as quais incidiam apostas online sido suspensa.

"Em maio de 2020, com o retorno à atividade de algumas das competições desportivas que geram maior volume de apostas, observou-se a retoma do valor das apostas desportivas à cota, sendo esta mais marcante em junho, onde se registaram mais 28,2 milhões de euros face ao mês anterior, atingindo níveis próximos dos apurados em fevereiro de 2020", explica o serviço de Regulação e Inspeção de Jogos.

Relativamente aos jogos de fortuna ou azar, o volume de apostas atingiu 2,3 mil milhões de euros no primeiro semestre de 2020, valor 1,7 vezes superior ao registado na primeira metade do ano passado.

Já os cinco casinos físicos do grupo Solverde (Espinho, Chaves, Vilamoura, Praia da Rocha e Monte Gordo) estão a sofrer bastante com a pandemia. Após dois meses e meio de portas fechadas, reabriram no início de junho, tendo nos primeiros oito meses deste ano acumulado receitas de 33,2 milhões de euros, o que representou um decréscimo de 45,8% face a igual período de 2019.

Atenção: o que os aplicativos de aposta sabem sobre você

Atenção: o que os aplicativos de aposta sabem sobre você

Quando finalmente parou de fazer apostas, no fim de 2018, Gregg estava em uma situação financeira terrível. Além da hipoteca de US$ 150 mil de sua pequena casa no Reino Unido, ele havia perdido quase US$ 15 mil ao longo de nove meses de apostas incessantes e fizera dois empréstimos que totalizavam mais de US$ 70 mil. Agora, ele está em uma caçada para saber se seu aplicativo de jogo favorito, o Sky Bet, sabia de seus problemas e ainda assim tentou viciá-lo.

Os registros mostram que o Sky Bet tinha um verdadeiro dossiê de informações sobre Gregg. A empresa, ou um dos provedores de dados contratados para coletar informações sobre os usuários, tinha acesso a registros bancários, detalhes de hipotecas, coordenadas de localização e um retrato íntimo de seus hábitos de apostas em caça-níqueis e partidas de futebol.

Depois que Gregg parou de jogar, o software que fazia o perfil de dados do Sky Bet o rotulou como um cliente a "reconquistar". Recebeu e-mails oferecendo a chance de ganhar mais de US$ 40 mil em máquinas caça-níqueis, depois que o software de marketing percebeu que ele provavelmente os abriria. Um modelo preditivo chegou a estimar quanto ele valeria se começasse a jogar novamente: cerca de US$ 1.500.

Gregg aprendeu sobre os bastidores do rastreamento de dados depois de contratar um advogado e utilizar as leis de proteção de dados do Reino Unido, que exigem que as empresas compartilhem os dados pessoais que mantêm sobre os usuários. Ele queria saber se o Sky Bet havia traçado seu perfil e o tinha como alvo, mesmo enquanto ele tentava parar de fazer apostas.

Gregg compartilhou os documentos com a condição de que seu nome completo não fosse divulgado, por temer que os detalhes prejudicassem sua carreira e atrapalhassem o relacionamento com a família e os amigos. O Sky Bet, que se recusou a fazer comentários para este artigo, não contestou que os registros eram autênticos.

Conforme os aplicativos de jogos de azar explodem em popularidade no mundo todo, os documentos mostram até que ponto um dos aplicativos mais populares do setor de jogos de azar adotou algumas das técnicas de rastreamento e criação de perfil mais invasivas da internet. Segundo críticos do setor, em vez de os dados identificarem jogadores problemáticos como Gregg e ajudá-los, eles são usados para manter os apostadores viciados.

Nos aplicativos de jogos de azar, como o Sky Bet, fazer uma aposta é mais fácil que chamar um Uber. Muitas pessoas os veem como uma diversão inocente, mas, para um grupo de especialistas em vício em jogos de azar, ativistas de privacidade de dados e críticos do setor no Reino Unido – o maior mercado de jogos de azar do mundo –, os documentos são um alerta a apostadores e aos órgãos reguladores de países como os Estados Unidos, onde serviços semelhantes estão crescendo rapidamente. Mais de uma dúzia de estados, incluindo Nova Jersey, Nevada e Virgínia, agora permitem jogos de azar baseados em aplicativos.

Os críticos, que dizem que as empresas por trás dos aplicativos requerem mais supervisão, estão pedindo leis mais duras para identificar apostadores problemáticos e evitar que os dados sejam usados de forma fraudulenta e predatória.

"Onde quer que as empresas de jogos de azar operem, deve haver um entendimento real sobre como os dados são parte integrante do negócio. Quando começamos a olhar para dentro, como nesse caso, vemos como as vulnerabilidades são exploradas pelas plataformas", afirmou Ravi Naik, o advogado londrino responsável por obter os dados de Gregg.

Gregg no Reino Unido (Jaime Molina/The New York Times)

Naik observou que os dados obtidos até agora são apenas uma peça do quebra-cabeça. Ele entrou com ações legais adicionais no Reino Unido para descobrir mais detalhes sobre o que as empresas de apostas fazem com os dados coletados, e se esses dados são usados para personalizar ofertas e criar outros incentivos para atrair clientes, particularmente os apostadores mais vulneráveis. Um relatório da Câmara dos Lordes, publicado no ano passado, revelou que 60 por cento dos lucros do setor viveram dos cinco por cento de clientes considerados "apostadores problemáticos" ou em risco de se tornar. "Estamos tentando ampliar a transparência. Os advogados não deviam ter tanto trabalho para descobrir o que está acontecendo", comentou Naik.

O Sky Bet foi o aplicativo de apostas mais popular do Reino Unido no ano passado, baixado cerca de 140 mil vezes por mês, de acordo com a empresa de pesquisa de mercado Apptopia. Anteriormente controlado pelo Sky, o conglomerado midiático de Rupert Murdoch no Reino Unido, o aplicativo pertence agora à Flutter Entertainment, que possui uma série de aplicativos de cassino e faturou cerca de US$ 7,4 bilhões no ano passado.

A Flutter, assim como o Sky Bet, não quis fazer comentários. Na política de privacidade da Sky Bet, que tem mais de dez mil palavras, a empresa diz que coleta informações pessoais, incluindo histórico de navegação, gastos, dados demográficos e informações comportamentais, como os esportes nos quais uma pessoa gosta de apostar. Os dados, que podem ser compartilhados com pelo menos 12 serviços de jogos de azar que pertencem à Flutter, são usados para marketing e personalização, enquanto as informações financeiras são coletadas para proteção contra lavagem de dinheiro e fraude, de acordo com o documento.

Em pelo menos oito trechos da política de privacidade, a empresa sugere que os usuários que não querem ter todos esses dados coletados "não utilizem nossos serviços e fechem sua conta".

Nigel Eccles, ex-CEO da FanDuel, que pertence atualmente à Flutter e é um dos maiores aplicativos de jogos de azar dos Estados Unidos, disse que as empresas de apostas on-line realizam um extenso trabalho de análise de dados para identificar os melhores clientes. As empresas veem quanto as pessoas estão apostando e tentam prever o que as fará gastar mais. Mas ele disse que as empresas de jogos de azar estão em uma posição delicada, porque seus melhores clientes também podem ter problemas com jogos de azar. "O problema não é o fato de terem acesso a esses dados, mas o que eles fazem com isso. Se você usar esses dados de uma forma prejudicial para os usuários, de maneira consciente ou não, isso se torna um problema sério", apontou Eccles, que agora administra um serviço de bate-papo para fãs de esportes.

Naik, um dos responsáveis por descobrir o uso indevido de dados pela empresa de consultoria política Cambridge Analytica, foi contatado no ano passado por Gregg, que buscava ajuda para obter cópias dos dados armazenados pelo Sky Bet e pelas empresas que fazem o perfil dos usuários.

Os dados a que ele e Naik tiveram acesso incluem 34 páginas que detalham o histórico financeiro de Gregg, obtido por uma empresa chamada CallCredit, que faz análise de fraudes e de identidades para o Sky Bet. O dossiê continha informações sobre suas contas bancárias, dívidas e hipotecas, com detalhes até sobre os pagamentos mensais. Em negrito, estava um empréstimo inadimplente, feito em março de 2019.

Outra empresa usada pelo Sky Bet, a Iovation, forneceu uma planilha com quase 19 mil campos de dados, incluindo números de identificação dos dispositivos usados por Gregg para fazer depósitos em sua conta no aplicativo de apostas e informações de rede sobre onde esses depósitos foram feitos.

A TransUnion, grande agência americana de pontuação de crédito, proprietária da CallCredit, da Signal e da Iovation, divulgou que respeita as leis de proteção de dados e que as plataformas de jogos de azar usam seus serviços de várias maneiras, inclusive para detectar fraude e lavagem de dinheiro.

O Reino Unido está na vanguarda das apostas on-line. Em 2020, o mercado de aplicativos de jogos de azar no Reino Unido chegou a US$ 7,3 bilhões, quase o dobro do segundo maior mercado, o Japão, de acordo com a Global Betting and Gaming Consultants, grupo de pesquisa do setor. Recentemente, quatro dos cinco principais aplicativos de esportes gratuitos da App Store da Apple no Reino Unido estavam relacionados a jogos de azar. As empresas possuem e patrocinam times de futebol e dominam a publicidade durante eventos esportivos televisionados.

O país está no centro do debate global sobre a regulamentação da nova geração de aplicativos de apostas. O governo iniciou uma revisão das leis que regulamentam os jogos de azar para debater novas regras para o uso de dados e para a realização de verificações de acessibilidade, de acordo com a agência responsável pela revisão.

Os legisladores deveriam aprovar novas regulamentações que permitam às empresas usar dados para detectar jogadores problemáticos, mas limitar como esses dados podem ser usados para marketing e outros objetivos comerciais, de acordo com James Noyes, pesquisador sênior da Social Market Foundation, think tank com sede em Londres. "Eles detectam seu padrão de aposta, aquilo de que você gosta e não gosta, suas tendências de gasto e a exposição ao risco. Coletam informações a seu respeito e depois usam isso contra você."

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    Colaboração para o UOL, em São Paulo

    Não é difícil que, ao ligar a TV, você veja uma propaganda de algum site de apostas esportivas. As inserções, principalmente em canais do ramo, já são comuns no país e falam diretamente a um público interessado em "tentar a sorte" e adivinhar os resultados.

    O mercado brasileiro se mostra promissor. Por ano, são movimentados cerca de R$ 4 bilhões no Brasil, em mais de 500 sites que oferecem apostas de jogos esportivos brasileiros, de acordo com um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) encomendado pela Caixa.

    O processo de apostas é simples. Geralmente, basta ao interessado fazer o registro e depositar qualquer valor por boleto bancário ou transferência por diversos meios de pagamento eletrônico. Logo sua conta será gerada com o valor do depósito inicial.

    Feito isso, o apostador poderá tentar adivinhar o resultado de qualquer jogo de futebol ou diversos outros esportes (como MMA, basquete e até tênis de mesa) com o mote de quanto maior o risco, maior o retorno. Ou seja, quanto mais improvável for o resultado, maior é a recompensa em caso de acerto.

    Contravenção penal

    Mas tentar ganhar dinheiro fácil com apostas pode criar um grande problema. A polêmica é que, caso o site provedor das apostas esteja hospedado no Brasil, colocar dinheiro para tentar adivinhar o resultado dos jogos pode ser considerado uma contravenção penal.

    A lei brasileira considera lícito apenas os jogos administrados pela Caixa, além de apostas em corridas de cavalo no jóquei. Qualquer outra aposta não regulamentada pelo banco estatal é considerada infração.

    "A discussão em relação aos jogos de apostas virtuais é de onde está a banca, ou seja, onde você aposta seu dinheiro. Isso porque existem diversos sites de apostas mundiais onde brasileiros ou gente de todo mundo joga", disse o advogado criminalista Jair Jaloreto.

    De acordo com ele, é dessa forma que sites como Sportingbet, BET360 ou 188BET, os maiores em atuação no Brasil, conseguem fugir da lei brasileira ao hospedar suas bancas em outros países cujas legislações legalizam esse tipo de jogo.

    "A manutenção de um site desses no Brasil, para mim, é contravenção penal", afirmou. "Mas, se a aposta é feita no exterior, mesmo que o evento esteja no Brasil, a operação é considerada como feita fora daqui. Portanto, se estiver em um país que libere, eu não entendo que isso seja ilícito", disse.

    Dessa forma, o entendimento atual é de que o apostador que realizar seus palpites em um site registrado fora do Brasil não estará cometendo crime ou qualquer tipo de contravenção penal.

    O jogador também deve tomar cuidado caso ganhe dinheiro de um site estrangeiro. Por isso deve sempre declarar à Receita Federal o valor recebido em apostas.

    "Pode ser considerado um crime de evasão de divisas receber valores lá fora e não declarar. Exemplo: se você ganhou R$ 300 mil lá fora, você tem de declarar e pagar imposto sobre isso. Dessa forma, o dinheiro fica lícito", afirmou o advogado.

    Riscos

    A facilidade, contudo, não quer dizer que as apostas online em bolsas esportivas não tragam riscos aos palpiteiros. Além do perigo normal e previsível (de errar o palpite e perder todo o capital), há também a ameaça do calote.

    Na 13ª rodada do Campeonato Brasileiro do ano passado, por exemplo, oito dos dez jogos acabaram tendo os visitantes como vencedores. Isso quase quebrou a banca de algumas casas de apostas que não conseguiram honrar seus pagamentos.

    "Essa rodada específica gerou premiações muito altas, e os apostadores ficaram sem receber", disse Pedro Tengrouse, professor da FGV e um dos autores do estudo sobre os jogos de azar esportivos.

    Segundo Tengrouse, o calote acontece porque, sem a liberação desse tipo de jogo, o apostador fica sem ter a quem recorrer. Além disso, sem fiscalização, fica mais difícil controlar fraudes esportivas, como a manipulação de resultados, por exemplo.

    "A falta de regulamentação coloca em risco a legalidade do esporte e a economia popular, pois os apostadores não têm nenhuma proteção", declarou.

    "O esporte fica à mercê da máfia das apostas porque, sem monitoramento, você não consegue combater a manipulação dos resultados", disse.

    A CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) do Senado rejeitou neste ano a aprovação do projeto de lei (PLS 186/2014) que visa à exploração de bingos, jogo do bicho, videojogo e outras modalidades de apostas de forma legal.

    Antes, a CEDN (Comissão Especial do Desenvolvimento Nacional) havia aprovado a regulamentação da mesma lei. Cabe agora ao plenário da Casa votar o projeto assim que ele for colocado em votação, mas não há previsão para que isso ocorra.

    Se não sabe responder a estas 5 questões, será muito difícil ficar rico



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