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Enrico NazaréAutor da publicação: Enrico Nazaré

A Epic Games está constantemente dando Quinze dias aos fãs a oportunidade de comprar uma variedade de itens cosméticos diferentes no jogo. Mas uma recente adição à loja pode permitir que os jogadores comprem quaisquer itens por tempo limitado que eles possam ter perdido ao longo dos anos.

A seção recém-introduzida, simplesmente intitulada “Reservado por um ano ou mais”, apresenta uma seleção de itens que, como o nome sugere, estão indisponíveis há mais de 12 meses.

Os itens cosméticos nesta seleção parecem funcionar de forma idêntica aos outros na loja, estando em um cronômetro de 24 horas. Não está claro se esses itens serão girados com outros itens do cofre assim que o cronômetro for atingido ou se a seção desaparecerá completamente.

Ao longo dos anos Quinze dias introduziu centenas de itens cosméticos diferentes cobrindo uma série de temas. Muitos desses lançamentos por tempo limitado não foram encontrados em rotação na loja desde sua introdução no jogo, então ter esta seção exclusiva significa uma maior possibilidade de serem disponibilizados novamente.

Apesar de ser algo que os fãs ansiavam, a Epic não compartilhou nenhum plano em relação a esta nova seção ou se ela retornará após a próxima atualização da loja ainda hoje.

Se algum dos itens atualmente disponíveis na seção estiver em sua lista de desejos, esta pode ser sua última oportunidade de obtê-los por um tempo.

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Neemias Queta: «Nem titular era do Barreirense e agora luto pela NBA»

Neemias Queta: «Nem titular era do Barreirense e agora luto pela NBA»

Entrevista ao menino do Vale da Amoreira, na Moita, que está a um passo de chegar à liga mais importante do planeta-basquetebol.

Entrevista ao menino do Vale da Amoreira, na Moita, que está a um passo de chegar à liga mais importante do planeta-basquetebol.

Entrevista ao menino do Vale da Amoreira, na Moita, que está a um passo de chegar à liga mais importante do planeta-basquetebol.

Tem 21 anos, mede 215 centímetros, pesa 112 quilos. É um gigante com bom coração e português. O primeiro português que está perto, muito perto, de conseguir entrar no restrito mundo da NBA.

Na semana em que anunciou a decisão de abandonar a liga universitária dos EUA e apostar tudo no draft - evento onde as equipas da NBA escolhem os rookies para a época seguinte -, Neemias Queta atende o Maisfutebol no seu quarto em Logan para uma conversa que vai de Utah até ao Vale da Amoreira, na Moita, e passa ainda pela má experiência no futebol.

Venha conhecer a história completa do basquetebolista português que em julho tentará fazer história.

Maisfutebol – Quais são os próximos passos a dar até chegar, como todos esperamos, a uma equipa da NBA?

Neemias Queta – O primeiro passo já foi dado. Acabei a época na minha equipa [Utah State Aggies] e anunciei que vou para o ‘draft’. Continuo a treinar, vou assinar com um agente e ele tratará de todos os passos burocráticos a dar. Onde vou treinar, com que equipas vou treinar, os meus treinadores pessoais, onde posso fazer os treinos individuais, tudo isso. E depois logo veremos o que vai dar.

MF – Já sabe quando será realizado o ‘draft’ para a próxima época?

NQ – Este ano é no final de julho, no dia 29, logo depois das ‘Finals’.

MF – Como está o coração do Neemias, a três meses das grandes decisões?

NQ – Tranquilo, e com a consciência tranquila. Sei aquilo que tenho de fazer para entrar na NBA e não estou muito preocupado. Tenho feito um trabalho positivo e só preciso de dar continuidade.

MF – Como foram os três anos aí na equipa de Utah State?

NQ – Adorei estes três anos aqui, foram anos de grande crescimento para mim. Trabalhei bastante todos os dias e consegui evoluir muito o meu jogo. Mas cheguei a uma altura em que senti que aqui não conseguiria evoluir mais e que a NBA é o passo natural. Dar o próximo passo foi a decisão certa.

MF – O desporto universitário nos EUA é levado muito a sério, muito profissional.

NQ – Não tem nada a ver com o que se passa em Portugal. O nível é muito superior a muitas ligas profissionais que existem no nosso país. Os scouts da NBA estão sempre muito atentos ao que se passa aqui.

MF – Está com 21 anos. Este é o momento certo para tentar a NBA?

NQ – Agora sim. Há dois anos tentei, mas achei que era demasiado novo. Aquilo é outro mundo, tenho de jogar contra homens a sério, tipos mais velhos, e na minha posição de ‘poste’ é tudo mais à base da força. Precisava mesmo de crescer, ficar mais forte e por isso esperei. Foi a decisão correta.

MF – Que características deve ter um ‘poste’ para triunfar na NBA?

NQ – Acima de tudo, ser capaz de ficar à frente dos bases no perímetro defensivo. Ter a capacidade de lançar de fora do ‘pintado’ [zona dos lançamentos livres] também ajuda e, depois, os óbvios: ser forte a ressaltar, desarmar lançamentos, defender o bloqueio direto, fazer um bocado de tudo.

MF – Qual é a sua altura e o seu peso?

NQ – Nem me lembro como é em centímetros e em quilogramas (risos). Meço 7,1 na escala americana [2,15 metros] e peso 248 libras [112 quilos].

MF – Os seus pais já eram pessoas altas?

NQ – O meu pai é alto, tem 1,93 metros. A minha mãe mede 1,75 metros. São altos, mas nada de especial. Eu tive sorte, saiu-me o jackpot.

MF – Há mais alguém na família a jogar basquetebol?

NQ – A minha irmã mais velha já jogou e agora joga a minha irmã mais nova.

MF – Em 2018 transferiu-se do Benfica para os EUA. Como é que conseguiu dar esse salto na carreira?

NQ – O processo foi longo. Sempre que eu ia com a seleção de Portugal a uma prova internacional havia observadores e responsáveis de equipas norte-americanas. Falavam comigo, explicavam-me como era o processo, até que em 2018 tudo foi tratado como deve de ser. Tive de fazer os exames específicos na ‘off season’ e fui admitido na Utah State, como aluno e como basquetebolista.

MF – Em que cidade vive no estado de Utah?

NQ – Vivo em Logan, a norte de Salt Lake City. É uma região bonita, no inverno neva bastante. Nunca tinha visto neve antes de vir para cá. É lindo, há montanhas maravilhosas e muito para fazer.

MF – Sempre gostou de basquetebol ou a paixão pela modalidade apareceu mais tarde na sua vida?

NQ – Sempre gostei de desportos, mas o basquetebol nunca foi a minha modalidade favorita. Só passou a sê-la quando comecei a jogar a sério. Gostava muito de ver e de jogar futebol, apesar de nunca ter sido bom. Ainda tentei jogar num clube, sem sucesso. Depois entrei no basquetebol do Barreirense aos 10/11 anos, era mais alto do que todos os outros miúdos e gostei, comecei a gostar. Foi a melhor opção para mim.

MF – Em que clube de futebol tentou a sua sorte?

NQ – No Grupo Desportivo e Recreativo Portugal, do Vale da Amoreira. No concelho da Moita. Nunca fui muito bom no futebol e por isso fiquei pouco tempo. Eu nasci em Lisboa e fui viver com os meus pais para o Vale da Amoreira ainda antes dos três anos. Depois só saí de lá quando fui jogar para o Benfica.

MF – E quando surge o basquetebol a sério na sua vida?

NQ – Foi através de um professor que tinha na escola do Vale da Amoreira. Ele era treinador de ginástica no Barreirense e também conhecia a minha irmã mais velha. Ela era mais alta do que os rapazes e do que todas as raparigas. Eu fui vê-la a treinar no Barreirense, depois puxaram-me para o treino e comecei assim.

MF – Que memórias mais fortes guarda desses tempos no Barreirense?

NQ – Há tantas histórias. Os outros miúdos eram melhores do que eu, passei anos a aprender e nem sequer era titular. E pensar que agora estou a lutar pela NBA. Aprendi lá muita coisa, treinava sempre mais porque sentia que não era tão bom como os outros.

MF – Foi sempre o mais alto das suas equipas?

NQ – Quase sempre. Houve ali um período que estagnei um pouco e fui apanhado (risos). Mas fui quase sempre o mais alto, sim. Queria agradecer muito ao trabalho do Paulo Silvestre, do Zé Francisco, do Bruno Regalo, todos no Barreirense. Depois o José Ricardo no Benfica. Foram pessoas importantíssimas na minha evolução.

MF – Só fez uma temporada no Benfica. É benfiquista?

NQ – Sim, sou benfiquista (risos).

MF – Teve pena de jogar lá só uma época ou foi o suficiente?

NQ – Joguei o tempo que tinha de jogar. Foi o suficiente e a melhor decisão para a minha carreira foi sair para os EUA.

MF – O que pode fazer a seleção de Portugal com o Neemias no futuro?

NQ – Temos potencial para fazer algo bonito. Temos peças com qualidade e temos a vontade e a ambição para fazer algo bonito a médio-prazo. Talvez num Europeu.

MF – Vimos numa entrevista antiga que sempre falou bem inglês.

NQ – Vi muitos filmes, muita televisão (risos). Aprendi na escola, mas também foi importante o que vi em casa. Senti sempre que era importante para mim, até porque comecei a jogar torneios no estrangeiro com a seleção muito cedo.

MF – Se não tivesse sido basquetebolista, que profissão teria seguido?

NQ – Quando estava em Portugal queria seguir Direito. Depois percebi que não era para mim. Aqui em Utah estou em Comunicações Internacionais.

MF – Quem era o seu grande ídolo na NBA?

NQ – Nunca tive grandes ídolos. Não idolatro ninguém, mas sempre gostei bastante do Tim Duncan, antigo poste dos San Antonio Spurs. Cresci a vê-lo jogar e era muito bom. Outro poste que adorava era o Kevin Garnett. São dois jogadores com quem posso aprender e tento retirar algo deles para o meu jogo.

MF – Sente que já tem nível para jogar na NBA?

NQ – Vejo jogos da NBA quase todos os dias e tento aprender e usar a meu favor. Mas sinto que tenho, sim. Vou embora de Utah e deixo grandes memórias no nosso pavilhão, adorei todos os anos que passei cá. Vir para cá foi a melhor decisão da minha vida. Sou um miúdo normal, jogo videojogos, estou com os meus amigos, gosto de me divertir e sou uma pessoa simpática e acessível. Sou um bom rapaz e tenho muito a agradecer aos Utah State Aggies.

Neemias Queta: "Quando dizia que queria chegar à NBA, houve pessoas que se riram na minha cara"

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Ricardo Brito Reis (RBR): Eu acho que não há necessidade de grandes apresentações. Estamos perante aquele que poderá ser o primeiro português a jogar na NBA: o grande, o enorme Neemias Queta.

João Dinis (JD): Neemias. Olá, pá!

Neemias Queta (NQ): Bom dia, boa noite, boa tarde!

JD: Neemias, muito obrigado por teres vindo, é muito fixe estares aqui connosco. Queria começar esta conversa por te mostrar uma coisa, pode ser?

[João Dinis mostra a Neemias Queta um excerto de um episódio do Bola ao Ar em que Rômulo Mendonça, conhecido comentador desportivo brasileiro, relata um eventual desarme de lançamento do jogador português e LeBron James, a principal referência da NBA atual. Pode ver o vídeo abaixo:]

NQ: [depois de se rir muito com o vídeo] Um tocaço é um abafo, não é?

RBR: É um abafo, é um abafo. Sabes que o Rómulo Mendonça é um conhecido comentador brasileiro de desporto e de NBA, foi um dos nossos convidados recentes no podcast, e nós pedimos-lhe, porque ele tem esta emoção toda na voz, para narrar um abafo do Neemias Queta ao LeBron James, que era algo que nós gostávamos que se transformasse em realidade. O que é que achaste desta narração? Estás a ver isto a acontecer?

NQ: Não sei, não sei. Foi uma boa narração, gostei de ouvir e gostava de ver a jogada também, não é?!

JD: A primeira pergunta que eu te queria fazer era se já escolheste a indumentária para o dia do Draft. Porque a indumentária é uma coisa importante quando os jogadores entram na NBA, e ninguém quer que o primeiro português vá fazer má figura, percebes? Portanto, eu queria só saber, já escolheste aquilo que vais vestir ou não?

NQ: Epá. Eu não faço ideia do que é que eu vou vestir, ainda falta muito para isso, falta muito tempo para escolher o que é que eu vou vestir, ainda tenho muitos treinos pela frente, por isso.

JD: Mas estás a pensar tipo um fato, estás a pensar um traje de campino, para ser uma coisa mais portuguesa. O que é que estás a pensar?

RBR: Ou uma gravata.

NQ: [a rir] Um fato, um fato de certeza.

RBR: Gostas de uns fatos mais slim fit, ou de uma coisa mais larga, à Tim Duncan [ex-jogador da NBA, um dos melhores de sempre]?

NQ: Olha, eu gostava de puxar o estilo do Tim Duncan, mas acho que não ficava bonito para mim. Tem de ser um slim fit para mim, for sure.

RBR: Muito bem. Olha, outra questão que eu queria fazer, até aproveitando a narração do Rómulo Mendonça, é se alguma vez já te tinham chamado facínora? Ou melhor, qual é a pior coisa que já te chamaram dentro de um campo de basquetebol?

NQ: Já me chamaram [nomes] dentro de campo, sim. Aqui os americanos já me chamaram de. Como é que se diz.

RBR: Diz em inglês, diz em inglês que expressão é que eles usaram. Assim a cena mais fora da caixa que já te disseram.

NQ: A minha equipa, como ganhamos muitos ressaltos ofensivos e isso, eles dizem, "Epá, vocês têm crackhead energy".

JD: [risos] Vamos deixar a tradução para as pessoas. A tradução fica para as pessoas.

RBR: O que é que tens feito nos últimos dias, depois de te teres declarado ao Draft da NBA? Qual é que é o processo agora e quais é que são os próximos passos?

NQ: Desde que me declarei, eu só tenho estado a treinar, tenho estado a levantar ferro, a puxar ferro também. E tenho tido problemas no dente do siso, tive de o arrancar nesta segunda-feira, por isso agora estive uns dias parado e agora vou voltar a treinar amanhã.

JD: Estás a sopas?

RBR: Só palhinha, só comes através de palhinha.

RBR: Depois de te declarares ao Draft há uma série de burocracias. O passo seguinte será arranjar um agente. Já trataste dessa parte?

NQ: Já assinei com um agente, estou agora a preparar para quando eu for trabalhar com ele e for treinar com os personal trainers que ele tiver, e logo a partir daí preparamos os treinos com as equipas e o Combine [série de testes e treinos feitos pela NBA, por convite, aos jogadores que poderá vir a ser selecionados no draft].

RBR: Queres dizer quem é o agente ou a agência que te representa agora?

NQ: Por agora ainda não posso anunciar, mas depois logo se vê.

JD: Ok. Mas podes garantir que não é o Jorge Mendes?

Ouça aqui a conversa de Neemias Queta com João Dinis e Ricardo Brito Reis no Bola ao Ar, podcast sobre NBA da MadreMedia:

JD: Neemias, tu usas o número 23. É por causa do Michael Jordan?

JD: É porquê?

NQ: Curtia bué do Carlos Andrade [antigo internacional português de basquetebol], quando ele estava no Benfica.

JD: Mas vou arriscar que o Carlos Andrade usava o 23 por causa do Jordan.

RBR: Sim, sim, isso é verdade.

JD: Sabes que há uma série de equipas que tem o número 23 retirado ou usado. Se entrares, que número é que gostavas de ter, se não pudesse ser o 23?

NQ: Epá, eu tenho números especiais. Olha, o meu primeiro número no basquetebol foi o 8, no primeiro jogo.

JD: [interrompe] Neemias, vamos acabar esta entrevista, agora estás a falar-me ao coração. Estás a falar-me ao coração. Eu joguei basquetebol, o meu número era o 8, foi sempre o 8, adoro o 8.

NQ: Eu adoro o 8 e na maior parte da minha carreira eu joguei com o 15. Sabes como é que é em Portugal, o 15 é o número do poste [jogador que tradicionalmente é o mais alto da equipa e que joga mais perto do cesto], não é? E eu usava o 15. Na Seleção, usei sempre o 10. Não sei, vamos ver, logo se vê. Não tenho ideia ainda.

JD: Sim, mas não te vais mandar para um 57, é isso que eu estou a perguntar.

NQ: Epá duvido, duvido. Logo se vê.

JD: Tu jogaste com o Sam Merrill, que foi escolhido no Draft o ano passado, na última posição do Draft, na posição 60, e que atualmente faz parte dos Milwaukee Bucks e até já jogou uns jogos nos últimos tempos. Tens falado com ele ou não?

NQ: Falei com ele no outro dia, no outro dia a mulher dele esteve aqui, fomos todos jantar fora, por isso falei com ele ao telefone e foi bom.

RBR: O que é que ele tem partilhado da experiência dele nos Milwaukee Bucks e dos primeiros tempos dele na NBA?

NQ: Ele explicou-me um bocado como é que era ser um rookie [jogador que se estreia na NBA], não é? Um pouco de tudo, ele sabe mais, é mais velho, já está lá há um ano, por isso vai-me ajudar quando eu puder chegar lá.

JD: Estás a contar ter o carro cheio de pipocas e essas coisas, ou não [partida habitual que os jogadores mais velhos das equipas da NBA pregam aos mais novos, aos rookies]?

NQ: [risos] Epá, olha, eu estou pronto para o que houver. Eu já estou à espera.

RBR: Falemos um bocadinho destes teus três anos em Utah State. Olhando para trás, já a esta distância, quais é que foram para ti os melhores e os piores momentos desta tua passagem por Logan [cidade do estado de Utah onde fica a universidade de Utah State]?

NQ: Houve muitos momentos bons. Claramente um dos melhores foi ganhar o torneio da Conferência [Mountain West, em que a Universidade de Utah State joga] nos dois primeiros anos. [A equipa] ser escolhida [previsão dos analistas] para ser nona [classificada] na Conferência, no ano antes, e depois ganhar sem ninguém estar à espera foi incrível. Tivemos uma grande oportunidade. No segundo ano podíamos ter feito algo especial no torneio mas o coronavírus acabou com aquilo, não foi? Mas senti que foi uma carreira [em Utah State] muito boa. Tive muitos momentos altos, não tantos momentos baixos, mas os momentos baixos foram muito baixos. A lesão, por exemplo. Ter acabado esta época sem ter ganho o campeonato. Mas acho que foi uma carreira boa, no geral.

RBR: E tu participaste em dois torneios da NCAA [torneio que junta as melhores equipas universitárias do país, que competem antes nas suas conferências], no primeiro ano e agora neste último ano, porque no meio o tal torneio foi cancelado por causa da pandemia. Que lições é que tiraste da tua primeira participação, em que jogaste contra a Universidade de Washington, onde estava até o Matisse Thybulle, que está agora nos Philadelphia 76ers? Que lições é que tiraste e que usaste para o torneio deste ano onde estiveste tão bem e deixaste uma excelente imagem?

NQ: Eu tentei ser mais agressivo neste jogo, em vez de me sentir tão inquietado pelo momento. No primeiro ano senti-me mais nervoso, estava muito mais nervoso e não me senti tão livre dentro de campo. Este ano só estava a tentar ajudar os meus colegas, estava a tentar jogar o meu melhor e não me preocupei com nada disso. E acho que foi o melhor para mim.

RBR: E fizeste uma grande exibição contra Texas Tech: 11 pontos, 13 ressaltos, 6 assistências, 7 desarmes de lançamento. Achas que foi uma exibição perfeita para mostrar aquilo que tu dizes que queres mostrar, que é o teu jogo all around [jogador que consegue ter impacto em várias vertentes do jogo]? Achas que foi um bom cartão de visita?

NQ: Claramente sim. Acho que foi muito bom para mim, consegui fazer um pouco de tudo nesse jogo, e contra uma equipa daquelas acho que só me ajudou mesmo muito. Adorava ter feito [essa exibição] com uma vitória, mas não foi possível.

JD: Qual é que foi o melhor jogador com quem tu já jogaste?

NQ: Antywane Robinson [norte-americano que passou pelo Benfica].

RBR: Ah, ok. No Benfica, no Benfica. Podias ir até aos teus tempos do Barreirense, podia haver aí algum.

NQ: Podia, até podia, até podia.

JD: E o melhor contra quem tu já jogaste?

NQ: Dee Franklin [norte-americano que passou pelo Esgueira, em Portugal], meu. Fogo. O Dee Franklin, nem tens noção, meu. Fogo.

JD: Mas porquê? Ajuda-me a perceber.

RBR: Era um bicho, era um bicho.

NQ: Quase meteu 40 [pontos] nos dois jogos [em que o Esgueira defrontou o Benfica].

JD: Este ano fizeste uma época muito boa. Máximos de carreira em quase todas as estatísticas. Qual é que foi a importância de teres jogado no segundo melhor clube do distrito de Setúbal, que é o Barreirense? O melhor, já sabemos qual é que é, é o Montijo. Mas, no segundo melhor, qual é que foi a importância de teres jogado?

NQ: Eu acho que andares nas rotundas deixou-te um bocado confuso.

JD: Eu não sei porque é que há esta ideia de que o Montijo tem muitas rotundas. Não sei porque é que há essa ideia, mas ok. Mas qual é que foi a importância do Barreirense na tua formação? Eu joguei basquetebol no Montijo, joguei muitas vezes naquilo que nós chamávamos a “caixinha de fósforos” [pavilhão do Barreirense], tu também deves ter jogado. Quando caía, nunca deslizava, ficava sempre com uma queimadurazinha [risos]. Qual foi a importância do Barreirense para ti? Isto porque o Barreirense é uma referência na formação em Portugal.

NQ: O Barreirense sempre foi muito importante para mim. Eu sempre adorei o tempo que estive lá. Estive lá 8 ou 9 anos, joguei lá a minha vida inteira. Aprendi muito lá, cresci muito lá. Passava o dia todo no Barreiro, fazia tudo no Barreirense. O Barreirense ajudou-me imenso, cresci mesmo muito lá. Tive tantos treinadores a ajudar-me, foi tão importante para mim que nem consigo explicar. É o meu clube do coração e acho que não consigo explicar de outra maneira.

RBR: Eu já te ouvi dizer, ou li em qualquer lado, que quando acabares a tua carreira não podes acabar sem voltar ao Barreirense. Isso é brincadeira ou é assunto sério?

NQ: Eu não brinco com isso, é mesmo a sério.

JD: É a sério?

RBR: Ainda vens fazer uma épocazinha ou duas ao Barreirense, é isso?

JD: Uma perninha.

RBR: Está prometido. No Barreiro está tudo doido.

JD: Para meter 40 pontos na cabeça de alguém, nessa altura também.

NQ: Fazer como o [Nuno] Marçal [antigo internacional português] fazia, não é?

RBR: Uma das coisas que as pessoas com quem eu falo aqui, que trabalharam contigo até em Portugal me dizem, é que tu não rejeitas a hipótese de lançar umas bombocas de 3 pontos. O sistema que tinhas em Utah State não era muito favorável para isso, não te utilizava dessa forma, mas muito mais como referência interior. Achas que é uma área que tu podes desenvolver naturalmente, caso chegues à NBA, tendo em conta até o estilo atual da liga?

NQ: Claramente, eu acho que consigo melhorar em todos os aspetos do meu jogo, acho que tenho muito por melhorar no lançamento, quando comparado com outras áreas, mas não sinto que seja impossível. Tendo em conta que, quando eu tiver a oportunidade de estar na NBA, todo o meu tempo vai ser focado para trabalhar no meu jogo, não vou ter de estar preocupado em misturar as aulas com o basquetebol, vou ter treinadores específicos de lançamento, por isso acho que só vou beneficiar disso. Só tenho a beneficiar disso e vou estar ao meu melhor.

JD: Vais lançar melhor do que o [Russell] Westbrook de 3 pontos, é isso que estás a dizer? [Russell Westbrook é um grande jogador mas não é conhecido pela sua habilidade a lançar de 3 pontos]

NQ: Epá. Isso não sei, isso logo se vê, não é? Não posso estar aqui a dizer, não é?

RBR: Podes, podes. Podes porque não há de ser muito difícil.

JD: O Neemias já está com medo e ainda vai para Washington [Russell Westbrook joga pela equipa dos Washington Wizards]. Já está a pensar "Eu não sei se ele percebe português ou não, ainda levo uma tareia".

RBR: Este ano já mostraste um repertório muito mais completo, nas áreas próximas do cesto, acabar com as duas mãos, running hook shots [lançamento em gancho], um midrange game [lançamentos de meia distância] muito mais evoluído, cada vez maior capacidade de passe e tomada de decisão até nas zonas interiores. Levavas muito com situações de 2 contra 1. Eu sei que esse foi um trabalho que tu fizeste muito com o Craig Smith, com o Eric Peterson [treinadores de Neemias na equipa universitária], que te ajudou muito também em Utah State. Agora quais são as tuas prioridades, o próximo passo enquanto jogador, o que é que tu achas que é essencial melhorares no imediato?

NQ: O lançamento do exterior, sem dúvida, ball handling [técnica individual com bola] também, conseguir jogar com face up game [jogo de frente para o cesto] também a partir do cotovelo [zona da linha de lance livre] ou do mid-post [posições mais próximas do cesto], e depois também estender para o perímetro. E também conseguir defensivamente ser melhor nas trocas defensivas e aguentar com os bases do perímetro.

RBR: Achas que podes vir a ser um tipo de poste desses, que pode estar no perímetro a aguentar com os bases mais rápidos da liga?

JD: E tu tens moves, tu tens moves. Estás a falar do ball handling mas eu já vi aí uns moves. Umas rotações e não sei o quê. Tipo já em modo Sabonis [jogador dos Indiana Pacers], estás a ver? Já vi aí uns moves.

RBR: Ai não, ai não! Como é que encaras a possibilidade de poder até passar algum tempo na G League, numa transição para a NBA? [A G-League é uma espécie de liga secundária de desenvolvimento de jogadores com os atletas das equipas da NBA que não são utilizados na equipa principal]

NQ: Não tenho problemas nenhuns com isso. Isso tudo vai depender da equipa onde eu ficar. Vamos decidir, vamos conversar e depois logo se vê. Não tenho problemas nenhuns com isso, mas seria bom para mim até. Qualquer das situações seria boa para mim. Podia ter muito tempo de jogo na G-League e evoluir. Não tenho oposição contra nenhuma das duas, por isso só tenho a ganhar.

RBR: Vês sempre o copo meio cheio, seja qual for a situação.

JD: Qual é que é a tua referência na NBA? Seja atual ou seja do passado, quando olhas para jogadores.

NQ: Eu não diria que tenho uma referência de jogador que tente imitar em quase tudo. Não há um jogador que tente imitar tudo. Eu tento imitar o que muitos jogadores com o meu físico fazem. Por exemplo, o [Nikola] Jokic [jogador dos Denver Nuggets] é muito bom a passar. Tento ver como é que ele lê as situações e passa a bola. Depois tens o Bam [Adebayo, jogador dos Miami Heat], que é muito bom a defender e é mais ou menos da minha altura e tem a mesma fisionomia também, e acho que posso aprender com ele. A marcar há tantos. O [Joel] Embiid [jogador dos Philadelphia 76ers] também consigo ver o jogo dele no ataque. Tento imitar muitos jogadores e ver o que é que eles trazem para a mesa, e tento imitar no meu jogo.

RBR: Consegues olhar para um jogo e estar só a ver por diversão, ou já estás sempre a analisar o que é que os postes fazem, o que é que podes retirar dali?

NQ: Desde que vim para aqui e que conseguia ver os jogos a uma hora decente, estava sempre a analisar os jogos e a tentar ver "ok, este é bom porque faz isto ou aquilo".

JD: Há uma série de analistas norte-americanos que já te projetaram para o Draft, já te compararam ao Jarrett Allen [jogador dos Cleveland Cavaliers], ao Mitchell Robinson [jogador dos New York Knicks], ao Rudy Gobert [jogador dos Utah Jazz]. Queria fazer-te duas perguntas. A primeira é como é que te sentes quando um tipo como o John Hollinger [um dos mais conhecidos analistas de NBA] fala de ti? E a segunda é se te identificas com estes jogadores com quem te estão a comparar?

NQ: É sempre bom quando pessoas dessas falam sobre ti, sinto que já estou a ser reconhecido pelo que tenho feito, não é? Mas acho que é sempre bom quando finalmente começas a ter [o reconhecimento]. E a partir do momento em que compararam com jogadores daqueles, acho que se começa a tornar cada vez mais real que é possível, que eu já estou mesmo quase a chegar lá. Acho que é mesmo só eu continuar a trabalhar e a acreditar e depois logo se vê.

JD: Com que jogador da NBA é que gostavas mesmo de jogar, um dia?

NQ: Estás a falar dentro de campo ou só personalidade?

JD: Agora estou medo do que é que podes responder.

RBR: Agora responde as duas coisas.

JD: Podes começar por dizer dentro de campo.

NQ: Dentro de campo tinha de ser um shooter [jogador reconhecido pelo seu acerto no lançamento] muito bom mesmo.

JD: Diz-me que vais dizer o J. J. Redick [jogador dos Dallas Mavericks]. Diz-me que vais dizer o J. J. Redick.

NQ: Eu gosto. O J. J. Redick era bom.

JD: Já estás dois em dois nesta conversa. O número 8 e o J. J. Redick.

RBR: E em termos de personalidade com quem é que gostavas de estar?

NQ: Eu gosto do Serge, o Serge Ibaka [jogador dos Los Angeles Clippers]. O gajo é engraçado.

JD: Gostavas de ir cozinhar com ele, para o canal de Youtube dele? Ias fazer um bacalhau, uma coisa assim, uma brincadeira dessas.

NQ: Também podia, se eu soubesse fazer.

RBR: Safas-te na cozinha ou não? Agora aí sozinho tens de safar alguma coisa.

NQ: Não. Safo-me de vez em quando, mas não sou nenhum chef.

RBR: Qual é a tua especialidade? É ligar para a Domino's ou é fazer mesmo alguma coisa aí nos tachos?

NQ: Não. Eu faço uns tachos.

JD: O quê? Feijão com arroz? Arroz com atum?

NQ: Faço aí uma massa, um [fettucine] Alfredo. Depois meto aí um franguinho na grelha e estou bem.

JD: E como adversário, qual é que é jogador que gostavas de defrontar? Que gostavas mesmo de jogar contra, de o defender ou de o abafar?

NQ: Não tenho ninguém. Tudo o que eu fizer lá vai ser bom.

JD: E há algum treinador com quem gostasses de trabalhar? Que te identifiques mais, do género “Gostava mesmo que este tipo me gritasse aos ouvidos num desconto de tempo.”

NQ: Eu não tenho nenhum desses desejos. Estou só preocupado em chegar lá.

RBR: Fala-se muito de equipas que te têm observado e falou-se muito que os Toronto Raptors foram ver-te várias vezes durante esta época. Pelos menos foram seis vezes ver-te durante a fase regular e estiveram presentes também no torneio em Indianápolis [torneio da NCAA], portanto sete vezes. Eu não sei se tu conheces bem a meteorologia de Toronto e do Canadá, mas aquilo é capaz de ser fresquinho. Portanto, o que eu te queria perguntar é se tens uns casaquinhos de malha para a tua família não ficar muito preocupada.

NQ: Eu já tenho uns casaquinhos aqui porque Logan é muito frio e eu já me habituei ao frio daqui de Logan. Não faço ideia do que Toronto fez, se vieram aos meus jogos ou não. Ninguém me disse nada acerca disso. Mas se tiverem vindo, viram coisas boas.

JD: Mas já estás a trabalhar aquela malha outono-inverno, já estás à vontade. Aquele sobretudo, aquela malha, aquele cachecol, aquele gorro… Já estás a trabalhar nisso.

NQ: Digamos que eu estou pronto para o frio e para o calor.

JD: É justo, é justo, é justo.

RBR: Ao longo destes anos, em Mountain West, foste Rookie of the Year [melhor estreante], Defensive Player of The Year duas vezes [melhor defensor], campeão duas vezes. Andamos um bocadinho preocupados deste lado. Como é que estão essas costas para aguentar tantos troféus?

NQ: Estão bem. Eu adoro ganhar. Acho que é para isso que todos aqui vivemos e foi muito bom. Tivemos uma espécie de dinastia nestes três anos e acho que foi incrível. Tivemos um grupo incrível. Estivemos muito bem nos momentos em que precisávamos de estar bem. E acho que surpreendemos o mundo.

RBR: E deixa-me dizer-te que uma das coisas de que eu mais gosto em ti, é que te fazemos perguntas em relação às tuas conquistas, muitas vezes individuais, e tu falas sempre no plural, no coletivo e na equipa, e nós, e nós, e nós. E isso é muito bonito. Mas eu tenho mesmo de te encostar à parede e dizer-te: tu foste um dos quatro finalistas do prémio Defensive Player of The Year da NCAA. E para o Bleacher Report foste mesmo o Defensive Player of The Year do país. O que é que significa para ti seres considerado o melhor defensor de todo o basquetebol universitário, que tem mais de 350 equipas na Division One [principal divisão do basquetebol universitário norte-americano]?

NQ: Há alguns anos, eu só podia sonhar com isso. Não há palavras para descrever o quão eu cresci desde aquela altura até agora. E não consigo explicar. É mesmo incrível. Adoro o quanto eu cresci e só estou mais entusiasmado pelo quanto eu posso ainda crescer. Só me deixa com mais vontade de trabalhar.

RBR: Não ficas satisfeito com o que já conquistaste. Quer dizer: ficas satisfeito, mas não pára por aí, queres continuar.

NQ: Não, não, não. Ainda há muito mais para fazer.

JD: Neemias, estamos a aproximar-nos do fim, mas antes há aqui uma coisa que é importante. Como tu sabes, todos os jogadores que estão na NBA têm uma alcunha. E eu fiz questão de pensar nalgumas alcunhas para ti, que vou pôr à tua consideração. Tu és conhecido pelos teus abafos e uma das discussões que existem no Twitter é, precisamente, qual é que é a tua melhor alcunha. Tu tinhas alguma em Utah State, ou podemos começar a chamar-te O Exterminador do Vale da Amoreira?

NQ: Não, não [risos]. Aqui era só Neemi, Neemi.

JD: Eu tinha aqui umas sugestões, que vou lançar para deixar à tua consideração. A primeira era O Bacalhau Assassino. O que é que achas?

JD: O Bacalhau Assassino não pode ser, ok.

RBR: Em inglês, o Killer Cod era do caraças.

JD: Tu gostas de bacalhau, o bacalhau é português!

NQ: Essa era boa, mas não. [risos]

JD: Killer Cod, ok. A segunda era Neemi Não Danças Comigo Essa Queta. Achas que era bom ou não?

NQ: Essa eu gostei. Eu já ouvia essa desde os tempos do Vale [da Amoreira]. [risos]

JD: Depois tinha aqui Portuguese Wall.

NQ: Eu gosto dessa, mas preciso de ouvir mais. Tenho de ouvir mais uma. Depois eu logo decido. [risos]

JD: Queta Blocks. Não é mau.

JD: QuetOut of Here.

NQ: Ok… [risos] Eu tinha uma: Quetão Não. [risos]

JD: Quetão Não. Muito bem. Estou a gostar.

RBR: Quetão Não.

JD: Entrar na NBA é, acima de tudo, uma conquista tua, uma coisa pessoal. Mas tu pensas no que é que isso pode significar para um país inteiro que nunca teve um jogador na NBA e para os miúdos portugueses que sonham com isso? Pensas nisso ou não?

Quando dizia que queria chegar à NBA, houve pessoas que se riram na minha cara, houve pessoas que disseram que não era possível. E eu não me preocupei com isso. Acho que isto aqui só prova que não tens de acreditar no que as pessoas dizem. Tens de acreditar no que tu achas que és capaz de fazer. Em Portugal há muito essa ideia de pôr limites às pessoas e dizerem que não vão a lugar nenhum. Acho que é altura de mudar esse tipo de ideia. As crianças e os miúdos agora estão a ver que eu estou à beira da NBA e vêm que podem lá chegar um dia. Se eu cheguei, eles também podem.



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