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Enrico NazaréAutor da publicação: Enrico Nazaré

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Protagonista em trocas, Orlando Magic tenta se reencontrar na NBA

Protagonista em trocas, Orlando Magic tenta se reencontrar na NBA

Conforme uma temporada da NBA se aproxima da famosa trade deadline, a data limite para que trocas sejam realizadas entre os times, as grandes histórias quase sempre envolvem os candidatos ao título que tentam conseguir a peça final para uma arrancada. Todos querem saber sobre quais equipes de alto escalão sairão dessa data mais fortes e quais ficarão para trás na disputa pelo cobiçado troféu Larry O'Brien.

Essa temporada de 2020/2021, é claro, não foi diferente: conforme o dia 25 de março se aproximava, o que todo mundo queria saber era onde iria parar Kyle Lowry, o armador seis vezes All Star e campeão da NBA pelo Toronto Raptors. Entre os times interessados em Lowry estava o atual campeão da NBA Los Angeles Lakers, o atual campeão da Conferência Leste Miami Heat e o então primeiro colocado do Leste Philadelphia 76ers. Embora com 34 anos e passado do seu auge, Lowry ainda é um jogador de alto nível que se encaixa muito bem na NBA moderna, e sua aquisição poderia colocar um desses times acima dos demais na briga pelo título.

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No entanto, a tão esperada troca não aconteceu: o prazo limite passou, Kyle Lowry continuou em Toronto, e todos os seus interessados passaram ao plano B para se reforçarem. E, quando a poeira baixou, o principal protagonista da trade deadline acabou sendo não um time que fez grandes movimentos para tentar chegar ao topo, mas um que decidiu buscar o fundo do poço: o Orlando Magic. Em um dia, a franquia se livrou talvez dos seus três principais jogadores: o All Star Nikola Vucevic foi para o Chicago Bulls em troca de Wendell Carter Jr, Otto Porter (para igualar salários) e duas escolhas de Draft; Aaron Gordon foi para o Denver Nuggets em troca de Gary Harris, o calouro RJ Hampton e uma escolha de primeira rodada; e Evan Fournier agora joga para o Boston Celtics, em troca de apenas duas escolhas de segunda rodada e Jeff Teague. Após duas temporadas que terminaram em aparições na pós-temporada, Orlando finalmente decidiu apertar o botão de autodestruição e começar tudo de novo. Donos da quarta pior campanha da NBA, as trocas aumentam as chances de que Orlando continue perdendo até o fim do ano e acabe a temporada em boa posição para pegar um bom jogador no próximo (e muito antecipado) Draft.

Um time parado na mediocridade decidir se desmontar e recomeçar do zero não é novidade na NBA, é claro, mas para Orlando essa admissão de derrota tem um gosto especialmente amargo. É a segunda vez em nove anos que o Magic precisa se desmontar e reconstruir um time que chegou ao seu limite, e tudo que teve para mostrar nesse meio tempo em termos de resultados são duas aparições (e duas eliminações fáceis na primeira rodada) em playoffs.

A primeira reconstrução, cujo ciclo chegou ao fim nessa trade deadline com as trocas de Vucevic, Gordon e (em menor grau) Fournier, começou em 2012, quando o Magic decidiu finalmente trocar sua grande estrela da época, Dwight Howard. Com Howard como sua grande estrela, Orlando chegou nas Finais da NBA em 2009, nas finais do Leste em 2010. Apesar de uma eliminação precoce em 2011 para o Atlanta Hawks esse foi o ano no qual o astro terminou em segundo na votação para MVP. Nesse triênio, Howard levou para casa três prêmios de Melhor Defensor do Ano, e o Orlando Magic parecia ter encontrado a sua grande estrela do futuro.

Mas, após eliminações precoces nos playoffs em 2011 e 2012, bem como algumas lesões nas costas de Dwight Howard, o casamento feliz começou a azedar. Descontente com a equipe que começava a se desfazer ao seu redor, Howard deixou claro seu desejo de sair do Magic e jogar pelo Los Angeles Lakers. Com o pivô prestes a se tornar um agente livre ao fim da temporada 2013 e sair de Orlando sem nenhum retorno para a franquia, o Magic finalmente cedeu aos desejos do jogador e o trocou antes da temporada começar para o Lakers, onde o astro se juntaria a Kobe Bryant, Pau Gasol e Steve Nash em um suposto supertime na franquia mais estrelada da NBA.

Apesar de amplamente criticado na época pelo retorno fraco que teve por um dos melhores jogadores da NBA, ironicamente Orlando acabou se saindo melhor do que qualquer um dos times nessa troca polêmica: Howard no Lakers foi um enorme fiasco (bem, pelo menos até sua volta em 2020), e o pivô deixou a franquia de graça depois de um ano infeliz; Iguodala fez parte de um excelente time do Nuggets por um ano antes de sair para ser campeão no Golden State Warriors; e o Philadelphia 76ers viu sua grande aquisição, o pivô Andrew Bynum, jogar apenas mais 26 jogos (nenhum deles pelo próprio Sixers) no resto da sua carreira antes de se aposentar aos 26 anos.

O Magic passou longe de ter um grande retorno na saída de Dwight Howard, mas conseguiram um bom jovem jogador em Nikola Vucevic, que eventualmente seria um All Star em Orlando, um segundo jovem talento (que não deu tão certo) em Moe Harkless, um veterano capaz em Aaron Afflalo (que eventualmente foi trocado por Fournier) e mais duas escolhas de primeira rodada de Draft. Junto às suas próprias escolhas de Draft - supostamente altas, já que o time passou a ser um dos piores da NBA - a expectativa era de que o Magic pelo menos poderia agora se dedicar a montar um novo time competitivo para o futuro, longe da novela que culminou na saída do seu polêmico pivô.

Mas a reconstrução iniciada com a troca de Dwight Howard nunca rendeu os frutos esperados. Existe um velho clichê (que não por isso é menos verdadeiro) que diz que times de mercados pequenos, aqueles que não tem esperanças de atrair (e manter) grandes estrelas no mercado, precisam achar ouro no Draft se quiserem ser competitivos, mas Orlando acumulou uma série de fracassos no recrutamento. Apenas um ano após a saída de Howard, Orlando teve a escolha #2 do Draft, mas calhou de ser justo em uma classe considerada muito fraca, sem grandes talentos. O time acabou escolhendo Victor Oladipo, que eventualmente se tornou um jogador de nível All-NBA, mas apenas em Indiana, após se trocado por Orlando (e depois pelo Thunder); o retorno da troca para Orlando foi Serge Ibaka, que teve um ano decepcionante na Flórida antes de ser trocado para o Raptors por Terrence Ross e uma escolha futura de Draft.

Em 2014, supostamente um ótimo recrutamento, Orlando acabou com duas escolhas altas, a #4 (sua própria escolha) e a #11 (do Knicks, recebida via Nuggets na troca de Howard); a #4 acabou virando Aaron Gordon, um sólido jogador que nunca se desenvolveu em mais do que um bom role player e que acabou completamente mal encaixado jogando como a estrela da equipe em Orlando apesar de suas habilidades serem mais adequadas a uma peça complementar. Já a escolha #11 virou Dario Saric, mas Orlando trocou essa escolha (junto com a outra escolha recebida na troca de Dwight Howard, que acabou sendo Landry Shamet) pela escolha #9 do Philadelphia 76ers, Elfrid Payton. Payton jogou três anos decepcionantes em Orlando antes de ser trocado por uma escolha de segunda rodada para o Phoenix Suns.

Em 2015, novamente o fraco Magic escolheu no alto do Draft, no caso com a escolha #5: o ala croata Mario Hezonja, que foi um enorme fracasso em Orlando e não chegou sequer a ter sua opção de quarto ano exercida pelo Magic. Um ano depois, um levemente melhorado Orlando Magic acabou com a escolha #11, onde selecionou o futuro All Star Domatas Sabonis. que foi trocado junto de Oladipo para Oklahoma City por Serge Ibaka na noite do Draft, antes de jogar um único minuto na Flórida. Jonathan Isaac (#6 em 2017) e Mo Bamba (#6 em 2018) se seguiram, e embora Isaac tenha demonstrado promessa antes de machucar o joelho, Bamba parece ser mais um jogador a caminho de sair de Orlando após um péssimo começo de carreira.

A horrenda sequência do Orlando Magic no Draft da NBA está diretamente relacionada à sua incapacidade de se reerguer após a saída de Dwight Howard (ele próprio a escolha #1 do Draft em 2004), já que nenhuma das suas escolhas nesse período chegaram a serem selecionadas a um único All Star Game, e a maioria delas sequer rendeu um bom jogador de rotação para a equipe - a única dessas escolhas que acabou rendendo um titular de longo prazo (por enquanto) para o Magic foi Aaron Gordon. E o pior é, a maioria dessas foram escolhas consideradas acertadas quando foram feitas. Oladipo era amplamente considerado o melhor jogador da classe de 2013, e um acerto de Orlando. Aaron Gordon era uma promessa de alto potencial, frequentemente comparado a Blake Griffin antes do Draft, e também foi uma escolha elogiada, assim como foram Hezonja e Isaac. Não é como se, na época, todo mundo achasse que Orlando estava cometendo erro atrás de erro. Pelo contrário: em 2013, a nota dada ao Draft de Orlando pelo guru Chad Ford, da ESPN, foi A-; em 2014, outro A-, seguido um A- na Sports Illustrated (Ford e a ESPN não fizeram sua tradicional coluna de notas do Draft em 2015) um ano depois, e um B- pela troca por Ibaka em 2016. Em geral, Orlando fez a escolha que era apontada como a mais correta na época.

Em parte, Orlando pode dizer que teve uma boa dose de azar; as bolas de pingue-pongue da loteria nunca deram a Orlando a chance de pegar os jogadores mais bem cotados do período, e quando Orlando finalmente foi sorteado foi justamente no Draft considerado o mais fraco de todos (2013). Eles nunca deram a sorte de um jogador mais bem cotado cair muito além do esperado e no colo de Orlando na noite do Draft (Cole Anthony talvez acabe sendo esse jogador, mas ainda é cedo para dizer). Alguns bons prospectos que foram parar em Orlando simplesmente não deram certo, o que acontece até nas melhores organizações. Ainda assim, quando você acumula tantos fracassos em seguida, deixa de ser simplesmente azar ou coincidência, e começa a virar um padrão. E é importante lembrar que o talento é só uma parte da equação como falamos de Draft. Esses jogadores de 19 anos estão longe de serem produtos finalizados quando entram na NBA; seu desenvolvimento uma vez selecionados é fundamental, e isso depende muito do ambiente que encontrarão no profissional.

Alguns times em reconstrução fracassam porque não possuem um plano; não sabem como querem jogar, ou que jogador buscar. Mas não foi o caso do Magic. Durante esse tempo, Orlando sempre teve claro o tipo de jogador que eles queriam ir atrás: jogadores altos, atléticos e físicos, com foco defensivo, mesmo que muitas vezes ainda crus e sem um arremesso refinado ou avançadas habilidades de criação - um conceito que encontra eco na velha máxima "Você pode ensinar alguém a arremessar, mas não a crescer". Mas além de ir na completa contramão da NBA moderna, onde os times cada vez mais buscam jogadores versáteis, habilidosos, capazes de espaçar a quadra e passar a bola, Orlando simplesmente estocou um monte de jogadores parecidos que não conseguiam jogar juntos, e muitas vezes passavam longos períodos fora de posição. Isso não é um problema tão grande quando você tem os jogadores versáteis que os times da NBA moderna procuram, porque eles podem executar várias funções em bom nível e se combinarem entre si, mas com os jogadores crus e unidimensionais que Orlando adquiria você tinha um monte de jogadores parecidos batendo cabeça cujas habilidades não complementavam umas às outras.

Logo, Orlando se viu preso com uma coleção enorme de jogadores parecidos, todos competindo pelos mesmos minutos, pelas mesmas funções, e frequentemente jogando fora de posição. Gordon e Isaac são jogadores que na NBA moderna tendem a jogar na posição 4 (ou, no caso de Isaac, até na 5), mas frequentemente ficavam presos jogando na posição 3 pelo excesso de jogadores na posição. Bamba jogava de pivô, assim como o melhor jogador de Orlando (Vucevic). Ibaka, quando em Orlando, também exigia minutos nas posições 4 e 5. Para piorar, Orlando falhou miseravelmente em cercar esses prospectos de garrafão com os arremessadores que lhes dariam espaço para jogar no garrafão, ou armadores que pudessem dar a eles a bola em situações vantajosas. Talvez esses jogadores que Orlando selecionou no Draft simplesmente estivessem fadados ao fracasso (ou pelo menos a um relativo às expectativas) desde o começo, e seria assim em qualquer situação, mas o fato é que Orlando não deu a esses jogadores a menor condição de se desenvolverem em um ambiente propício. O encaixe foi péssimo, especialmente pela falta de arremessadores e jogadores de criação, e logo esses atletas se encontraram na situação de precisar sair do que sabiam fazer para cobrir alguma necessidade da equipe, ao invés de focar no seu jogo e no seu desenvolvimento.

Orlando eventualmente chegou a duas pós-temporadas graças a uma boa e disciplinada defesa (em parte, precisa ser dito, pelos jogadores defensivos que acumulou com essas escolhas), à contínua ascensão de Vucevic até se tornar um All Star, e também a uma fraquíssima conferência Leste. As vagas em playoffs foram vistas como sucesso, mas a realidade eventualmente levou a melhor: duas eliminações fáceis nos playoff e o fiasco da temporada 2020-21 em meio a lesões (e um Leste cada vez melhor) deixou claro o quão estagnado Orlando estava, e a falta de perspectivas para sair desse atoleiro no qual se encontrava. As trocas de Vooch, Gordon e Fournier decretam o fim desse experimento pós-Dwight Howard, e um que muitos defendem ter vindo tarde demais: se tivessem admito o inevitável um ano antes e tentado trocar suas peças na época, teriam conseguido um retorno muito melhor para começar. Fournier, em particular, supostamente teria rendido pelo menos uma escolha de primeira rodada se fosse trocado na trade deadline de 2020; ao invés disso, seu contrato agora estava no último ano e rendeu apenas duas de segunda rodada e um contrato expirante.

O Magic agora mergulha em mais uma reconstrução, sem nunca ter conseguido terminar ou sequer avançar com a anterior, e pode tirar um consolo do fato que sua situação é relativamente melhor do que era nove anos atrás, principalmente pela presença no elenco de um alto número de jovens talentos, algo que não tinha em 2012 - se Orlando mantiver e usar as duas escolhas de Draft de 2021, a sua própria e a de Chicago, o time pode entrar em 2021-22 com NOVE escolhas de primeira rodada ainda nos seus primeiros cinco anos de NBA, todos jogadores com ainda uma boa dose de potencial. O problema é que, no momento, nenhum desses jogadores é uma certeza, o tipo de pilar central no qual Orlando poderia apoiar sua reconstrução e definir uma direção clara a seguir.

O jogador hoje no elenco que é a coisa mais próxima que o Magic tem de um pilar para sua reconstrução é o ala Jonathan Isaac, que perdeu a temporada 2020-21 inteira com uma lesão no joelho; antes da lesão, Isaac teve um bom salto no seu terceiro ano de NBA e mostrou um gigantesco potencial defensivo, possivelmente de brigar futuramente pelo prêmio de Melhor Defensor do Ano. Mas mesmo Isaac ainda está longe de ser um produto finalizado: ofensivamente o seu arremesso é apenas razoável, e sua falta de habilidades de criação ainda levantam dúvidas sobre o quanto ele pode impactar desse lado da quadra. Markelle Fultz era um nome que, na época do Draft (foi a escolha #1 em 2017), era visto como esse jogador, e embora ainda seja uma boa aposta do Magic e viesse tendo um bom recomeço em Orlando antes de estourar o joelho em 2020, Fultz ainda estava muito longe de ser o prospecto espetacular que foi antes de uma série bizarra de fatores levarem à sua queda - o seu arremesso, em especial, continua quebrado. Os calouros Chuma Okeke (escolhido em 2019, mas que perdeu a temporada passada por lesão) e Cole Anthony mostraram alguns flashes promissores ao longo do ano - Okeke, em especial, tem sido espetacular desde a trade deadline com médias de 16 pontos, 6 rebotes e 3 assistências por jogo além da boa defesa e um surpreendente jogo de pick-and-roll - mas ainda é muito cedo para dizer o que eles serão na NBA; só temos amostras muito pequenas para nos basear quanto a ambos, e os dois perderam tempo considerável com lesões. Mo Bamba, por todo seu potencial, nunca mostrou ser capaz de jogar direito em nível NBA, e parece completamente perdido. É claro, todos tem uma boa quantidade de talento e potencial, e existe uma chance razoável de que pelo menos um desses jogadores acabe desenvolvendo em um pilar central para o novo Orlando Magic, mas hoje estão todos longe de serem certezas, e nenhum deles fornece uma direção clara sobre como a franquia deve prosseguir.

O retorno que Orlando obteve nas trocas de Gordon e Vucevic dificilmente trouxeram mais clareza, embora tenham fornecido mais opções jovens e de potencial. O time adquiriu dois bons prospectos jovens, e está apostando que pode conseguir extrair algo a mais do armador RJ Hampton (vindo de Denver) ou do pivô Wendell Carter JR (vindo de Chicago). Hampton é um calouro cru de alto potencial, um prospecto muito bem cotado que jogou na Austrália (e não na NCAA) antes de entrar no Draft, o que torna uma avaliação da sua capacidade mais difícil. Seus minutos em um candidato ao título como o Nuggets foram obviamente limitados, e não pudemos ver muito de Hampton em ação para diminuir as incertezas ao seu redor, mas vale a aposta para Orlando no seu potencial. Carter Jr também era um prospecto muito bem cotado (foi a escolha #7 em 2018, e era um dos meus jogadores favoritos da classe), e existe um excelente pivô dos dois lados da quadra em algum lugar dentro dele, mas seus anos em Chicago foram marcados por inconsistência e lesões. Ambos são o tipo de aposta inteligente que times em reconstrução fazem bem em tentar, dois jogadores que já foram muito bem cotados e inegavelmente talentosos de alto potencial (eu particularmente gosto muito de Carter se conseguir ficar saudável, e o jovem pivô tem jogado muito bem na limitada amostra desde que chegou a Orlando), mas ambos precisam de desenvolvimento, e Orlando tem sido notoriamente fraco fazendo isso nos seus últimos anos com seus prospectos.

Todos esses jogadores citados são jovens, de bom potencial, e ainda estão longe do seu auge; simplesmente pela lei dos números grandes, é bastante possível que um ou dois se desenvolvam além do esperado e forneçam ao Magic os blocos iniciais desse processo, e se tornem peças do próximo time vencedor da franquia. Mas, sem nenhuma certeza, Orlando volta a depender do Draft, que foi exatamente onde a primeira reconstrução da franquia (nesse século) esbarrou. O site de estatísticas FiveThirtyEight projeta para Orlando terminar a temporada com a quarta pior campanha da NBA, e uma escolha Top5 no que promete ser uma excelente classe de Draft. E também é extremamente provável que Orlando continue a ser ruim pelos próximos anos, o que significaria novas chances no topo do recrutamento. Talvez dessa vez Orlando dê a sorte que teve em 1992 (quando ganhou a primeira escolha do Draft no sorteio e escolheu Shaquille O'Neal) ou 2004 (Dwight Howard na primeira escolha), e acabe conseguindo uma promessa do calibre de Cade Cunningham ou Emoni Bates para ser sua estrela do futuro. Mas mais provável ainda é que a equipe continue escolhendo nesse segundo pelotão do recrutamento, alto suficiente para buscar os principais jogadores mas não no topo onde saem as maiores promessas. Equipes como Miami (Bam Adebayo, Tyler Herro), Portland (Dame Lillard, CJ McCollum) e Golden State (Steph Curry, Klay Thompson) já mostraram que é possível achar ouro no Draft sem escolher no topo e montar um legítimo time de playoffs, desde que você acerte nas suas oportunidades, mas o próprio Orlando já mostrou como é difícil viver nesse meio #4-#7 do Draft quando sua precisão não é das melhores. As escolhas recebidas nas trocas dificilmente tornarão as coisas melhores: embora levemente protegidas, as escolhas de Chicago dificilmente serão no topo do recrutamento, e a escolha que veio do Nuggets deve ser uma das últimas da primeira rodada. Não é como New Orleans ou Oklahoma City, que possuem tantas escolhas de Draft (e muitas de futuros tão distantes que ganham um valor por pura imprevisibilidade) que podem apostar que algumas delas acabem sendo muito valiosas. Se Orlando quer fazer o que não fez após a saída de Dwight e dessa vez não contar com a sorte nas bolinhas de pingue-pongue, ele vai precisar acertar nas escolhas que errou tanto entre 2013 e 2018.

Até lá, Orlando pode se beneficiar de fazer duas coisas diferentes em relação à sua última reconstrução. A primeira, e mais simples, é não ter pressa. Talvez em parte porque Vucevic se mostrou um jogador muito melhor que o esperado quando chegou na troca de Dwight Howard, talvez porque é mais difícil reconstruir quando você acabou de sair das finais de conferência, mas toda a reconstrução de Orlando pós-Howard teve uma certa urgência incômoda, uma pressa para voltar aos playoffs que acabou levando a uma série de movimentos equivocados - e, no fim, a uma demora em desmontar a equipe que pode ter custado ativos valiosos. A pressão por resultados levou a uma dosagem errada de minutos, expectativas e funções em quadra, que possivelmente contribuiu para a falta de desenvolvimento dos jovens talentos do Magic. Agora, com um elenco recheado de jovens jogadores - entre Fultz, Anthony, Gary Harris, Isaac, Okoro, Wendell Carter Jr, Bamba, Hampton e quem quer que venha no próximo Draft - que precisam de minutos em quadra para errarem, aprenderem e se desenvolverem, e ao mesmo tempo que o Magic descubra exatamente o que tem nessas peças para poder se planejar para o futuro, saber quais peças são parte desse plano de reconstrução e quais precisam dar lugar a novas apostas. Não tem nada errado em trazer um ou outro veterano para complementar um grupo jovem, é claro, mas o foco precisa ser em desenvolvimento e não resultados, pelo menos no curto prazo.

A segunda é que essas peças precisam fazer sentido. Claro, repito o que disse antes: se o time pegar um Emoni Bates ou Cade Cunningham, um jogador talentoso a ponto de ser por si só um sistema em torno do qual montar o resto do time, maravilha. Meio caminho andado. Mas se não for o caso, os jogadores que entrarem precisam fazer sentido entre si. Fultz não consegue arremessar, e o jumper de Gary Harris parece quebrado; como o Magic vai abrir o suficiente a quadra para que esses jogadores possam ter espaço apra infiltrar? Chuma Okeke vai jogar na posição 3 ou 4, e como ele vai se encaixar com Isaac? Será que Okeke pode jogar mais na bola do que o esperado? Como a equipe vai conduzir o desenvolvimento de dois pivôs em Carter e Bamba, que dificilmente podem jogar em outra posição? Todas essas pequenas perguntas, que eventualmente se acumulam em uma questão maior sobre estilo e identidade, são as que Orlando errou tão cabalmente durante sua tentativa anterior.

E, no fundo, é tudo isso o que Orlando possui no momento: perguntas. O primeiro passo, o desmonte, foi feito; e não apenas um desmonte parcial, como o de um time que vai reembaralhar as peças para tentar continuar por outro caminho, e sim um que pretende começar quase do zero. O retorno por seus melhores jogadores foi decente, mas não espetacular, e dificilmente podem nortear um processo como foi o caso por exemplo do Boston Celtics com as escolhas do Nets na troca de Paul Pierce/Kevin Garnett. O que sobrou é um conjunto talentoso, mas incerto, de jogadores jovens e muito indefinidos quanto ao que são (ou podem ser) na NBA. O resto da temporada vai ser apenas uma experiência para ver alguns desses garotos em quadra, e medir a temperatura. As perguntas de verdade começam quando chegar o Draft, e não vão parar até Orlando conseguir encontrar o pilar (ou pilares) em torno do qual a construção de um novo time competitivo pode começar - ou, então, quando derrubar tudo de novo e começar do zero mais uma vez.

Neemias Queta: «Nem titular era do Barreirense e agora luto pela NBA»

Entrevista ao menino do Vale da Amoreira, na Moita, que está a um passo de chegar à liga mais importante do planeta-basquetebol.

Entrevista ao menino do Vale da Amoreira, na Moita, que está a um passo de chegar à liga mais importante do planeta-basquetebol.

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Tem 21 anos, mede 215 centímetros, pesa 112 quilos. É um gigante com bom coração e português. O primeiro português que está perto, muito perto, de conseguir entrar no restrito mundo da NBA.

Na semana em que anunciou a decisão de abandonar a liga universitária dos EUA e apostar tudo no draft - evento onde as equipas da NBA escolhem os rookies para a época seguinte -, Neemias Queta atende o Maisfutebol no seu quarto em Logan para uma conversa que vai de Utah até ao Vale da Amoreira, na Moita, e passa ainda pela má experiência no futebol.

Venha conhecer a história completa do basquetebolista português que em julho tentará fazer história.

Maisfutebol – Quais são os próximos passos a dar até chegar, como todos esperamos, a uma equipa da NBA?

Neemias Queta – O primeiro passo já foi dado. Acabei a época na minha equipa [Utah State Aggies] e anunciei que vou para o ‘draft’. Continuo a treinar, vou assinar com um agente e ele tratará de todos os passos burocráticos a dar. Onde vou treinar, com que equipas vou treinar, os meus treinadores pessoais, onde posso fazer os treinos individuais, tudo isso. E depois logo veremos o que vai dar.

MF – Já sabe quando será realizado o ‘draft’ para a próxima época?

NQ – Este ano é no final de julho, no dia 29, logo depois das ‘Finals’.

MF – Como está o coração do Neemias, a três meses das grandes decisões?

NQ – Tranquilo, e com a consciência tranquila. Sei aquilo que tenho de fazer para entrar na NBA e não estou muito preocupado. Tenho feito um trabalho positivo e só preciso de dar continuidade.

MF – Como foram os três anos aí na equipa de Utah State?

NQ – Adorei estes três anos aqui, foram anos de grande crescimento para mim. Trabalhei bastante todos os dias e consegui evoluir muito o meu jogo. Mas cheguei a uma altura em que senti que aqui não conseguiria evoluir mais e que a NBA é o passo natural. Dar o próximo passo foi a decisão certa.

MF – O desporto universitário nos EUA é levado muito a sério, muito profissional.

NQ – Não tem nada a ver com o que se passa em Portugal. O nível é muito superior a muitas ligas profissionais que existem no nosso país. Os scouts da NBA estão sempre muito atentos ao que se passa aqui.

MF – Está com 21 anos. Este é o momento certo para tentar a NBA?

NQ – Agora sim. Há dois anos tentei, mas achei que era demasiado novo. Aquilo é outro mundo, tenho de jogar contra homens a sério, tipos mais velhos, e na minha posição de ‘poste’ é tudo mais à base da força. Precisava mesmo de crescer, ficar mais forte e por isso esperei. Foi a decisão correta.

MF – Que características deve ter um ‘poste’ para triunfar na NBA?

NQ – Acima de tudo, ser capaz de ficar à frente dos bases no perímetro defensivo. Ter a capacidade de lançar de fora do ‘pintado’ [zona dos lançamentos livres] também ajuda e, depois, os óbvios: ser forte a ressaltar, desarmar lançamentos, defender o bloqueio direto, fazer um bocado de tudo.

MF – Qual é a sua altura e o seu peso?

NQ – Nem me lembro como é em centímetros e em quilogramas (risos). Meço 7,1 na escala americana [2,15 metros] e peso 248 libras [112 quilos].

MF – Os seus pais já eram pessoas altas?

NQ – O meu pai é alto, tem 1,93 metros. A minha mãe mede 1,75 metros. São altos, mas nada de especial. Eu tive sorte, saiu-me o jackpot.

MF – Há mais alguém na família a jogar basquetebol?

NQ – A minha irmã mais velha já jogou e agora joga a minha irmã mais nova.

MF – Em 2018 transferiu-se do Benfica para os EUA. Como é que conseguiu dar esse salto na carreira?

NQ – O processo foi longo. Sempre que eu ia com a seleção de Portugal a uma prova internacional havia observadores e responsáveis de equipas norte-americanas. Falavam comigo, explicavam-me como era o processo, até que em 2018 tudo foi tratado como deve de ser. Tive de fazer os exames específicos na ‘off season’ e fui admitido na Utah State, como aluno e como basquetebolista.

MF – Em que cidade vive no estado de Utah?

NQ – Vivo em Logan, a norte de Salt Lake City. É uma região bonita, no inverno neva bastante. Nunca tinha visto neve antes de vir para cá. É lindo, há montanhas maravilhosas e muito para fazer.

MF – Sempre gostou de basquetebol ou a paixão pela modalidade apareceu mais tarde na sua vida?

NQ – Sempre gostei de desportos, mas o basquetebol nunca foi a minha modalidade favorita. Só passou a sê-la quando comecei a jogar a sério. Gostava muito de ver e de jogar futebol, apesar de nunca ter sido bom. Ainda tentei jogar num clube, sem sucesso. Depois entrei no basquetebol do Barreirense aos 10/11 anos, era mais alto do que todos os outros miúdos e gostei, comecei a gostar. Foi a melhor opção para mim.

MF – Em que clube de futebol tentou a sua sorte?

NQ – No Grupo Desportivo e Recreativo Portugal, do Vale da Amoreira. No concelho da Moita. Nunca fui muito bom no futebol e por isso fiquei pouco tempo. Eu nasci em Lisboa e fui viver com os meus pais para o Vale da Amoreira ainda antes dos três anos. Depois só saí de lá quando fui jogar para o Benfica.

MF – E quando surge o basquetebol a sério na sua vida?

NQ – Foi através de um professor que tinha na escola do Vale da Amoreira. Ele era treinador de ginástica no Barreirense e também conhecia a minha irmã mais velha. Ela era mais alta do que os rapazes e do que todas as raparigas. Eu fui vê-la a treinar no Barreirense, depois puxaram-me para o treino e comecei assim.

MF – Que memórias mais fortes guarda desses tempos no Barreirense?

NQ – Há tantas histórias. Os outros miúdos eram melhores do que eu, passei anos a aprender e nem sequer era titular. E pensar que agora estou a lutar pela NBA. Aprendi lá muita coisa, treinava sempre mais porque sentia que não era tão bom como os outros.

MF – Foi sempre o mais alto das suas equipas?

NQ – Quase sempre. Houve ali um período que estagnei um pouco e fui apanhado (risos). Mas fui quase sempre o mais alto, sim. Queria agradecer muito ao trabalho do Paulo Silvestre, do Zé Francisco, do Bruno Regalo, todos no Barreirense. Depois o José Ricardo no Benfica. Foram pessoas importantíssimas na minha evolução.

MF – Só fez uma temporada no Benfica. É benfiquista?

NQ – Sim, sou benfiquista (risos).

MF – Teve pena de jogar lá só uma época ou foi o suficiente?

NQ – Joguei o tempo que tinha de jogar. Foi o suficiente e a melhor decisão para a minha carreira foi sair para os EUA.

MF – O que pode fazer a seleção de Portugal com o Neemias no futuro?

NQ – Temos potencial para fazer algo bonito. Temos peças com qualidade e temos a vontade e a ambição para fazer algo bonito a médio-prazo. Talvez num Europeu.

MF – Vimos numa entrevista antiga que sempre falou bem inglês.

NQ – Vi muitos filmes, muita televisão (risos). Aprendi na escola, mas também foi importante o que vi em casa. Senti sempre que era importante para mim, até porque comecei a jogar torneios no estrangeiro com a seleção muito cedo.

MF – Se não tivesse sido basquetebolista, que profissão teria seguido?

NQ – Quando estava em Portugal queria seguir Direito. Depois percebi que não era para mim. Aqui em Utah estou em Comunicações Internacionais.

MF – Quem era o seu grande ídolo na NBA?

NQ – Nunca tive grandes ídolos. Não idolatro ninguém, mas sempre gostei bastante do Tim Duncan, antigo poste dos San Antonio Spurs. Cresci a vê-lo jogar e era muito bom. Outro poste que adorava era o Kevin Garnett. São dois jogadores com quem posso aprender e tento retirar algo deles para o meu jogo.

MF – Sente que já tem nível para jogar na NBA?

NQ – Vejo jogos da NBA quase todos os dias e tento aprender e usar a meu favor. Mas sinto que tenho, sim. Vou embora de Utah e deixo grandes memórias no nosso pavilhão, adorei todos os anos que passei cá. Vir para cá foi a melhor decisão da minha vida. Sou um miúdo normal, jogo videojogos, estou com os meus amigos, gosto de me divertir e sou uma pessoa simpática e acessível. Sou um bom rapaz e tenho muito a agradecer aos Utah State Aggies.

Vinte e Dois

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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

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Essa temporada de 2020/2021, é claro, não foi diferente: conforme o dia 25 de março se aproximava, o que todo mundo queria saber era onde iria parar Kyle Lowry, o armador seis vezes All Star e campeão da NBA pelo Toronto Raptors. Entre os times interessados em Lowry estava o atual campeão da NBA Los Angeles Lakers, o atual campeão da Conferência Leste Miami Heat e o então primeiro colocado do Leste Philadelphia 76ers. Embora com 34 anos e passado do seu auge, Lowry ainda é um jogador de alto nível que se encaixa muito bem na NBA moderna, e sua aquisição poderia colocar um desses times acima dos demais na briga pelo título.

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No entanto, a tão esperada troca não aconteceu: o prazo limite passou, Kyle Lowry continuou em Toronto, e todos os seus interessados passaram ao plano B para se reforçarem. E, quando a poeira baixou, o principal protagonista da trade deadline acabou sendo não um time que fez grandes movimentos para tentar chegar ao topo, mas um que decidiu buscar o fundo do poço: o Orlando Magic. Em um dia, a franquia se livrou talvez dos seus três principais jogadores: o All Star Nikola Vucevic foi para o Chicago Bulls em troca de Wendell Carter Jr, Otto Porter (para igualar salários) e duas escolhas de Draft; Aaron Gordon foi para o Denver Nuggets em troca de Gary Harris, o calouro RJ Hampton e uma escolha de primeira rodada; e Evan Fournier agora joga para o Boston Celtics, em troca de apenas duas escolhas de segunda rodada e Jeff Teague. Após duas temporadas que terminaram em aparições na pós-temporada, Orlando finalmente decidiu apertar o botão de autodestruição e começar tudo de novo. Donos da quarta pior campanha da NBA, as trocas aumentam as chances de que Orlando continue perdendo até o fim do ano e acabe a temporada em boa posição para pegar um bom jogador no próximo (e muito antecipado) Draft.

Um time parado na mediocridade decidir se desmontar e recomeçar do zero não é novidade na NBA, é claro, mas para Orlando essa admissão de derrota tem um gosto especialmente amargo. É a segunda vez em nove anos que o Magic precisa se desmontar e reconstruir um time que chegou ao seu limite, e tudo que teve para mostrar nesse meio tempo em termos de resultados são duas aparições (e duas eliminações fáceis na primeira rodada) em playoffs.

A primeira reconstrução, cujo ciclo chegou ao fim nessa trade deadline com as trocas de Vucevic, Gordon e (em menor grau) Fournier, começou em 2012, quando o Magic decidiu finalmente trocar sua grande estrela da época, Dwight Howard. Com Howard como sua grande estrela, Orlando chegou nas Finais da NBA em 2009, nas finais do Leste em 2010. Apesar de uma eliminação precoce em 2011 para o Atlanta Hawks esse foi o ano no qual o astro terminou em segundo na votação para MVP. Nesse triênio, Howard levou para casa três prêmios de Melhor Defensor do Ano, e o Orlando Magic parecia ter encontrado a sua grande estrela do futuro.

Mas, após eliminações precoces nos playoffs em 2011 e 2012, bem como algumas lesões nas costas de Dwight Howard, o casamento feliz começou a azedar. Descontente com a equipe que começava a se desfazer ao seu redor, Howard deixou claro seu desejo de sair do Magic e jogar pelo Los Angeles Lakers. Com o pivô prestes a se tornar um agente livre ao fim da temporada 2013 e sair de Orlando sem nenhum retorno para a franquia, o Magic finalmente cedeu aos desejos do jogador e o trocou antes da temporada começar para o Lakers, onde o astro se juntaria a Kobe Bryant, Pau Gasol e Steve Nash em um suposto supertime na franquia mais estrelada da NBA.

Apesar de amplamente criticado na época pelo retorno fraco que teve por um dos melhores jogadores da NBA, ironicamente Orlando acabou se saindo melhor do que qualquer um dos times nessa troca polêmica: Howard no Lakers foi um enorme fiasco (bem, pelo menos até sua volta em 2020), e o pivô deixou a franquia de graça depois de um ano infeliz; Iguodala fez parte de um excelente time do Nuggets por um ano antes de sair para ser campeão no Golden State Warriors; e o Philadelphia 76ers viu sua grande aquisição, o pivô Andrew Bynum, jogar apenas mais 26 jogos (nenhum deles pelo próprio Sixers) no resto da sua carreira antes de se aposentar aos 26 anos.

O Magic passou longe de ter um grande retorno na saída de Dwight Howard, mas conseguiram um bom jovem jogador em Nikola Vucevic, que eventualmente seria um All Star em Orlando, um segundo jovem talento (que não deu tão certo) em Moe Harkless, um veterano capaz em Aaron Afflalo (que eventualmente foi trocado por Fournier) e mais duas escolhas de primeira rodada de Draft. Junto às suas próprias escolhas de Draft - supostamente altas, já que o time passou a ser um dos piores da NBA - a expectativa era de que o Magic pelo menos poderia agora se dedicar a montar um novo time competitivo para o futuro, longe da novela que culminou na saída do seu polêmico pivô.

Mas a reconstrução iniciada com a troca de Dwight Howard nunca rendeu os frutos esperados. Existe um velho clichê (que não por isso é menos verdadeiro) que diz que times de mercados pequenos, aqueles que não tem esperanças de atrair (e manter) grandes estrelas no mercado, precisam achar ouro no Draft se quiserem ser competitivos, mas Orlando acumulou uma série de fracassos no recrutamento. Apenas um ano após a saída de Howard, Orlando teve a escolha #2 do Draft, mas calhou de ser justo em uma classe considerada muito fraca, sem grandes talentos. O time acabou escolhendo Victor Oladipo, que eventualmente se tornou um jogador de nível All-NBA, mas apenas em Indiana, após se trocado por Orlando (e depois pelo Thunder); o retorno da troca para Orlando foi Serge Ibaka, que teve um ano decepcionante na Flórida antes de ser trocado para o Raptors por Terrence Ross e uma escolha futura de Draft.

Em 2014, supostamente um ótimo recrutamento, Orlando acabou com duas escolhas altas, a #4 (sua própria escolha) e a #11 (do Knicks, recebida via Nuggets na troca de Howard); a #4 acabou virando Aaron Gordon, um sólido jogador que nunca se desenvolveu em mais do que um bom role player e que acabou completamente mal encaixado jogando como a estrela da equipe em Orlando apesar de suas habilidades serem mais adequadas a uma peça complementar. Já a escolha #11 virou Dario Saric, mas Orlando trocou essa escolha (junto com a outra escolha recebida na troca de Dwight Howard, que acabou sendo Landry Shamet) pela escolha #9 do Philadelphia 76ers, Elfrid Payton. Payton jogou três anos decepcionantes em Orlando antes de ser trocado por uma escolha de segunda rodada para o Phoenix Suns.

Em 2015, novamente o fraco Magic escolheu no alto do Draft, no caso com a escolha #5: o ala croata Mario Hezonja, que foi um enorme fracasso em Orlando e não chegou sequer a ter sua opção de quarto ano exercida pelo Magic. Um ano depois, um levemente melhorado Orlando Magic acabou com a escolha #11, onde selecionou o futuro All Star Domatas Sabonis. que foi trocado junto de Oladipo para Oklahoma City por Serge Ibaka na noite do Draft, antes de jogar um único minuto na Flórida. Jonathan Isaac (#6 em 2017) e Mo Bamba (#6 em 2018) se seguiram, e embora Isaac tenha demonstrado promessa antes de machucar o joelho, Bamba parece ser mais um jogador a caminho de sair de Orlando após um péssimo começo de carreira.

A horrenda sequência do Orlando Magic no Draft da NBA está diretamente relacionada à sua incapacidade de se reerguer após a saída de Dwight Howard (ele próprio a escolha #1 do Draft em 2004), já que nenhuma das suas escolhas nesse período chegaram a serem selecionadas a um único All Star Game, e a maioria delas sequer rendeu um bom jogador de rotação para a equipe - a única dessas escolhas que acabou rendendo um titular de longo prazo (por enquanto) para o Magic foi Aaron Gordon. E o pior é, a maioria dessas foram escolhas consideradas acertadas quando foram feitas. Oladipo era amplamente considerado o melhor jogador da classe de 2013, e um acerto de Orlando. Aaron Gordon era uma promessa de alto potencial, frequentemente comparado a Blake Griffin antes do Draft, e também foi uma escolha elogiada, assim como foram Hezonja e Isaac. Não é como se, na época, todo mundo achasse que Orlando estava cometendo erro atrás de erro. Pelo contrário: em 2013, a nota dada ao Draft de Orlando pelo guru Chad Ford, da ESPN, foi A-; em 2014, outro A-, seguido um A- na Sports Illustrated (Ford e a ESPN não fizeram sua tradicional coluna de notas do Draft em 2015) um ano depois, e um B- pela troca por Ibaka em 2016. Em geral, Orlando fez a escolha que era apontada como a mais correta na época.

Em parte, Orlando pode dizer que teve uma boa dose de azar; as bolas de pingue-pongue da loteria nunca deram a Orlando a chance de pegar os jogadores mais bem cotados do período, e quando Orlando finalmente foi sorteado foi justamente no Draft considerado o mais fraco de todos (2013). Eles nunca deram a sorte de um jogador mais bem cotado cair muito além do esperado e no colo de Orlando na noite do Draft (Cole Anthony talvez acabe sendo esse jogador, mas ainda é cedo para dizer). Alguns bons prospectos que foram parar em Orlando simplesmente não deram certo, o que acontece até nas melhores organizações. Ainda assim, quando você acumula tantos fracassos em seguida, deixa de ser simplesmente azar ou coincidência, e começa a virar um padrão. E é importante lembrar que o talento é só uma parte da equação como falamos de Draft. Esses jogadores de 19 anos estão longe de serem produtos finalizados quando entram na NBA; seu desenvolvimento uma vez selecionados é fundamental, e isso depende muito do ambiente que encontrarão no profissional.

Alguns times em reconstrução fracassam porque não possuem um plano; não sabem como querem jogar, ou que jogador buscar. Mas não foi o caso do Magic. Durante esse tempo, Orlando sempre teve claro o tipo de jogador que eles queriam ir atrás: jogadores altos, atléticos e físicos, com foco defensivo, mesmo que muitas vezes ainda crus e sem um arremesso refinado ou avançadas habilidades de criação - um conceito que encontra eco na velha máxima "Você pode ensinar alguém a arremessar, mas não a crescer". Mas além de ir na completa contramão da NBA moderna, onde os times cada vez mais buscam jogadores versáteis, habilidosos, capazes de espaçar a quadra e passar a bola, Orlando simplesmente estocou um monte de jogadores parecidos que não conseguiam jogar juntos, e muitas vezes passavam longos períodos fora de posição. Isso não é um problema tão grande quando você tem os jogadores versáteis que os times da NBA moderna procuram, porque eles podem executar várias funções em bom nível e se combinarem entre si, mas com os jogadores crus e unidimensionais que Orlando adquiria você tinha um monte de jogadores parecidos batendo cabeça cujas habilidades não complementavam umas às outras.

Logo, Orlando se viu preso com uma coleção enorme de jogadores parecidos, todos competindo pelos mesmos minutos, pelas mesmas funções, e frequentemente jogando fora de posição. Gordon e Isaac são jogadores que na NBA moderna tendem a jogar na posição 4 (ou, no caso de Isaac, até na 5), mas frequentemente ficavam presos jogando na posição 3 pelo excesso de jogadores na posição. Bamba jogava de pivô, assim como o melhor jogador de Orlando (Vucevic). Ibaka, quando em Orlando, também exigia minutos nas posições 4 e 5. Para piorar, Orlando falhou miseravelmente em cercar esses prospectos de garrafão com os arremessadores que lhes dariam espaço para jogar no garrafão, ou armadores que pudessem dar a eles a bola em situações vantajosas. Talvez esses jogadores que Orlando selecionou no Draft simplesmente estivessem fadados ao fracasso (ou pelo menos a um relativo às expectativas) desde o começo, e seria assim em qualquer situação, mas o fato é que Orlando não deu a esses jogadores a menor condição de se desenvolverem em um ambiente propício. O encaixe foi péssimo, especialmente pela falta de arremessadores e jogadores de criação, e logo esses atletas se encontraram na situação de precisar sair do que sabiam fazer para cobrir alguma necessidade da equipe, ao invés de focar no seu jogo e no seu desenvolvimento.

Orlando eventualmente chegou a duas pós-temporadas graças a uma boa e disciplinada defesa (em parte, precisa ser dito, pelos jogadores defensivos que acumulou com essas escolhas), à contínua ascensão de Vucevic até se tornar um All Star, e também a uma fraquíssima conferência Leste. As vagas em playoffs foram vistas como sucesso, mas a realidade eventualmente levou a melhor: duas eliminações fáceis nos playoff e o fiasco da temporada 2020-21 em meio a lesões (e um Leste cada vez melhor) deixou claro o quão estagnado Orlando estava, e a falta de perspectivas para sair desse atoleiro no qual se encontrava. As trocas de Vooch, Gordon e Fournier decretam o fim desse experimento pós-Dwight Howard, e um que muitos defendem ter vindo tarde demais: se tivessem admito o inevitável um ano antes e tentado trocar suas peças na época, teriam conseguido um retorno muito melhor para começar. Fournier, em particular, supostamente teria rendido pelo menos uma escolha de primeira rodada se fosse trocado na trade deadline de 2020; ao invés disso, seu contrato agora estava no último ano e rendeu apenas duas de segunda rodada e um contrato expirante.

O Magic agora mergulha em mais uma reconstrução, sem nunca ter conseguido terminar ou sequer avançar com a anterior, e pode tirar um consolo do fato que sua situação é relativamente melhor do que era nove anos atrás, principalmente pela presença no elenco de um alto número de jovens talentos, algo que não tinha em 2012 - se Orlando mantiver e usar as duas escolhas de Draft de 2021, a sua própria e a de Chicago, o time pode entrar em 2021-22 com NOVE escolhas de primeira rodada ainda nos seus primeiros cinco anos de NBA, todos jogadores com ainda uma boa dose de potencial. O problema é que, no momento, nenhum desses jogadores é uma certeza, o tipo de pilar central no qual Orlando poderia apoiar sua reconstrução e definir uma direção clara a seguir.

O jogador hoje no elenco que é a coisa mais próxima que o Magic tem de um pilar para sua reconstrução é o ala Jonathan Isaac, que perdeu a temporada 2020-21 inteira com uma lesão no joelho; antes da lesão, Isaac teve um bom salto no seu terceiro ano de NBA e mostrou um gigantesco potencial defensivo, possivelmente de brigar futuramente pelo prêmio de Melhor Defensor do Ano. Mas mesmo Isaac ainda está longe de ser um produto finalizado: ofensivamente o seu arremesso é apenas razoável, e sua falta de habilidades de criação ainda levantam dúvidas sobre o quanto ele pode impactar desse lado da quadra. Markelle Fultz era um nome que, na época do Draft (foi a escolha #1 em 2017), era visto como esse jogador, e embora ainda seja uma boa aposta do Magic e viesse tendo um bom recomeço em Orlando antes de estourar o joelho em 2020, Fultz ainda estava muito longe de ser o prospecto espetacular que foi antes de uma série bizarra de fatores levarem à sua queda - o seu arremesso, em especial, continua quebrado. Os calouros Chuma Okeke (escolhido em 2019, mas que perdeu a temporada passada por lesão) e Cole Anthony mostraram alguns flashes promissores ao longo do ano - Okeke, em especial, tem sido espetacular desde a trade deadline com médias de 16 pontos, 6 rebotes e 3 assistências por jogo além da boa defesa e um surpreendente jogo de pick-and-roll - mas ainda é muito cedo para dizer o que eles serão na NBA; só temos amostras muito pequenas para nos basear quanto a ambos, e os dois perderam tempo considerável com lesões. Mo Bamba, por todo seu potencial, nunca mostrou ser capaz de jogar direito em nível NBA, e parece completamente perdido. É claro, todos tem uma boa quantidade de talento e potencial, e existe uma chance razoável de que pelo menos um desses jogadores acabe desenvolvendo em um pilar central para o novo Orlando Magic, mas hoje estão todos longe de serem certezas, e nenhum deles fornece uma direção clara sobre como a franquia deve prosseguir.

O retorno que Orlando obteve nas trocas de Gordon e Vucevic dificilmente trouxeram mais clareza, embora tenham fornecido mais opções jovens e de potencial. O time adquiriu dois bons prospectos jovens, e está apostando que pode conseguir extrair algo a mais do armador RJ Hampton (vindo de Denver) ou do pivô Wendell Carter JR (vindo de Chicago). Hampton é um calouro cru de alto potencial, um prospecto muito bem cotado que jogou na Austrália (e não na NCAA) antes de entrar no Draft, o que torna uma avaliação da sua capacidade mais difícil. Seus minutos em um candidato ao título como o Nuggets foram obviamente limitados, e não pudemos ver muito de Hampton em ação para diminuir as incertezas ao seu redor, mas vale a aposta para Orlando no seu potencial. Carter Jr também era um prospecto muito bem cotado (foi a escolha #7 em 2018, e era um dos meus jogadores favoritos da classe), e existe um excelente pivô dos dois lados da quadra em algum lugar dentro dele, mas seus anos em Chicago foram marcados por inconsistência e lesões. Ambos são o tipo de aposta inteligente que times em reconstrução fazem bem em tentar, dois jogadores que já foram muito bem cotados e inegavelmente talentosos de alto potencial (eu particularmente gosto muito de Carter se conseguir ficar saudável, e o jovem pivô tem jogado muito bem na limitada amostra desde que chegou a Orlando), mas ambos precisam de desenvolvimento, e Orlando tem sido notoriamente fraco fazendo isso nos seus últimos anos com seus prospectos.

Todos esses jogadores citados são jovens, de bom potencial, e ainda estão longe do seu auge; simplesmente pela lei dos números grandes, é bastante possível que um ou dois se desenvolvam além do esperado e forneçam ao Magic os blocos iniciais desse processo, e se tornem peças do próximo time vencedor da franquia. Mas, sem nenhuma certeza, Orlando volta a depender do Draft, que foi exatamente onde a primeira reconstrução da franquia (nesse século) esbarrou. O site de estatísticas FiveThirtyEight projeta para Orlando terminar a temporada com a quarta pior campanha da NBA, e uma escolha Top5 no que promete ser uma excelente classe de Draft. E também é extremamente provável que Orlando continue a ser ruim pelos próximos anos, o que significaria novas chances no topo do recrutamento. Talvez dessa vez Orlando dê a sorte que teve em 1992 (quando ganhou a primeira escolha do Draft no sorteio e escolheu Shaquille O'Neal) ou 2004 (Dwight Howard na primeira escolha), e acabe conseguindo uma promessa do calibre de Cade Cunningham ou Emoni Bates para ser sua estrela do futuro. Mas mais provável ainda é que a equipe continue escolhendo nesse segundo pelotão do recrutamento, alto suficiente para buscar os principais jogadores mas não no topo onde saem as maiores promessas. Equipes como Miami (Bam Adebayo, Tyler Herro), Portland (Dame Lillard, CJ McCollum) e Golden State (Steph Curry, Klay Thompson) já mostraram que é possível achar ouro no Draft sem escolher no topo e montar um legítimo time de playoffs, desde que você acerte nas suas oportunidades, mas o próprio Orlando já mostrou como é difícil viver nesse meio #4-#7 do Draft quando sua precisão não é das melhores. As escolhas recebidas nas trocas dificilmente tornarão as coisas melhores: embora levemente protegidas, as escolhas de Chicago dificilmente serão no topo do recrutamento, e a escolha que veio do Nuggets deve ser uma das últimas da primeira rodada. Não é como New Orleans ou Oklahoma City, que possuem tantas escolhas de Draft (e muitas de futuros tão distantes que ganham um valor por pura imprevisibilidade) que podem apostar que algumas delas acabem sendo muito valiosas. Se Orlando quer fazer o que não fez após a saída de Dwight e dessa vez não contar com a sorte nas bolinhas de pingue-pongue, ele vai precisar acertar nas escolhas que errou tanto entre 2013 e 2018.

Até lá, Orlando pode se beneficiar de fazer duas coisas diferentes em relação à sua última reconstrução. A primeira, e mais simples, é não ter pressa. Talvez em parte porque Vucevic se mostrou um jogador muito melhor que o esperado quando chegou na troca de Dwight Howard, talvez porque é mais difícil reconstruir quando você acabou de sair das finais de conferência, mas toda a reconstrução de Orlando pós-Howard teve uma certa urgência incômoda, uma pressa para voltar aos playoffs que acabou levando a uma série de movimentos equivocados - e, no fim, a uma demora em desmontar a equipe que pode ter custado ativos valiosos. A pressão por resultados levou a uma dosagem errada de minutos, expectativas e funções em quadra, que possivelmente contribuiu para a falta de desenvolvimento dos jovens talentos do Magic. Agora, com um elenco recheado de jovens jogadores - entre Fultz, Anthony, Gary Harris, Isaac, Okoro, Wendell Carter Jr, Bamba, Hampton e quem quer que venha no próximo Draft - que precisam de minutos em quadra para errarem, aprenderem e se desenvolverem, e ao mesmo tempo que o Magic descubra exatamente o que tem nessas peças para poder se planejar para o futuro, saber quais peças são parte desse plano de reconstrução e quais precisam dar lugar a novas apostas. Não tem nada errado em trazer um ou outro veterano para complementar um grupo jovem, é claro, mas o foco precisa ser em desenvolvimento e não resultados, pelo menos no curto prazo.

A segunda é que essas peças precisam fazer sentido. Claro, repito o que disse antes: se o time pegar um Emoni Bates ou Cade Cunningham, um jogador talentoso a ponto de ser por si só um sistema em torno do qual montar o resto do time, maravilha. Meio caminho andado. Mas se não for o caso, os jogadores que entrarem precisam fazer sentido entre si. Fultz não consegue arremessar, e o jumper de Gary Harris parece quebrado; como o Magic vai abrir o suficiente a quadra para que esses jogadores possam ter espaço apra infiltrar? Chuma Okeke vai jogar na posição 3 ou 4, e como ele vai se encaixar com Isaac? Será que Okeke pode jogar mais na bola do que o esperado? Como a equipe vai conduzir o desenvolvimento de dois pivôs em Carter e Bamba, que dificilmente podem jogar em outra posição? Todas essas pequenas perguntas, que eventualmente se acumulam em uma questão maior sobre estilo e identidade, são as que Orlando errou tão cabalmente durante sua tentativa anterior.

E, no fundo, é tudo isso o que Orlando possui no momento: perguntas. O primeiro passo, o desmonte, foi feito; e não apenas um desmonte parcial, como o de um time que vai reembaralhar as peças para tentar continuar por outro caminho, e sim um que pretende começar quase do zero. O retorno por seus melhores jogadores foi decente, mas não espetacular, e dificilmente podem nortear um processo como foi o caso por exemplo do Boston Celtics com as escolhas do Nets na troca de Paul Pierce/Kevin Garnett. O que sobrou é um conjunto talentoso, mas incerto, de jogadores jovens e muito indefinidos quanto ao que são (ou podem ser) na NBA. O resto da temporada vai ser apenas uma experiência para ver alguns desses garotos em quadra, e medir a temperatura. As perguntas de verdade começam quando chegar o Draft, e não vão parar até Orlando conseguir encontrar o pilar (ou pilares) em torno do qual a construção de um novo time competitivo pode começar - ou, então, quando derrubar tudo de novo e começar do zero mais uma vez.



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