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Enrico NazaréAutor da publicação: Enrico Nazaré

NÃO ENCONTRO O controle remoto da tevê no quarto do hotel em que estou, em Zurique. Quero ver os jogos da fase final do torneio de tênis da Austrália. Ligo 111, para a recepção, e conto meu problema. A recepcionista avisa que o porteiro vai subir para me ajudar. Batem na porta e abro. “Que aconteceu?”, ouço. Em português. Era o porteiro, e também um faz tudo, percebi. Brasileiro.

“Como você veio parar aqui na Suíça?”, pergunto. “Com tanto lugar no mundo, por que justo a Suíça?” É um país pequeno e fechado. Tem menos de 8 milhões de habitantes, mais ou menos metade de São Paulo. Como ele viera parar justo aqui? Ele está na faixa dos 30, veste um uniforme discreto e vejo, no crachá, que se chama Vivaldo. Magro, tamanho médio, cabelos cortados zero e, se deixados crescendo, escassos. Tem um sotaque estranho para mim, e depois fico sabendo que ele é de Goiânia. Tenho visto tantos goianienses na Europa que imagino haver uma Goiânia paralela espalhada pelo mundo, uma diáspora particular de brasileiros descontentes da região.

“Um amigo morava aqui e me disse para vir”, ele diz. Antes de vir para cá, Vivaldo morara na “América”, como se refere aos Estados Unidos. Está há seis anos fora do Brasil. Saudade?

“Eu não tenho trabalho lá, que fazer?”, ele diz. Quero saber como é viver aqui. Sou um curioso profissional. Em Berlim, interroguei um motorista de táxi, e gostei de saber que lá os motoristas ganham o suficiente para trabalhar apenas cinco dias por semana e passar férias de inverno em lugares quentes, no exterior. Aquele taxista específico ia em fevereiro para as Ilhas Canárias.

“O salário mínimo aqui, em euros, é 2 700”, diz Vivaldo. A moeda local é o franco suíço, que vale um pouco menos que o euro. Traduzido em reais, dá um pouco mais de 7 000.

“Todo mundo registrado aqui ganha no mínimo isso?”, pergunto.

“O garçom que me atendeu agora há pouco”, insisto. “Também ele ganha isso?”

“Muito mais, porque além do fixo eles ganham gorjeta.”

Toca o celular dele. Ele atende em português, “alô”, mas logo muda para o alemão, que aprendeu numa escola em Zurique. A Suíça é estranhamente difusa em línguas para um país tão pequeno. Alemão, italiano, francês, suíço-alemão: dependendo da região se fala cada uma dessas línguas, ou várias delas. Chamam-no no hotel, mas a conversa segue mais um pouco por insistência minha e, imagino, porque Vivaldo gostou de encontrar um compatriota. Há pessoas que não gostam: eu fico sempre feliz em achar um brasileiro quando estou fora. Ele me conta que tem seis semanas de férias por ano. Divide em duas de três, e vai em ambas para o Brasil. Pergunto da saúde pública.

“Todo mundo paga”, ele diz. Sua contribuição é de cerca de 300 euros por mês, e isso lhe dá direito a médico, hospital e, se necessário, qualquer remédio. Se você está desempregado, o Estado paga por você para que você fique coberto.

“Aconteceu com você?”, pergunto.

“Fiquei sem emprego por um mês e meu seguro de saúde foi coberto pelo governo. Recebi, também, como todo mundo, 80% do meu último salário enquanto estive desempregado. O governo me ofereceu também cursos para eu me qualificar mais.”

“E se você quisesse ficar na mamata?”

“O desempregado tem que provar, regularmente, que está procurando emprego. Não tem moleza. Isso é controlado.”

Toca mais uma vez o celular. É bom que ele vá para não correr o risco de voltar aos 80%. Pergunto ainda se ele tem carro.

“Para quê?” Ele mora perto do trabalho, e além do mais o transporte público de Zurique é exemplar. “No Brasil tenho, aqui não.” Presumo que, como tantos outros habitantes de Zurique, se um dia ele quiser um meio de transporte vai optar por uma bicicleta. É uma cidade plana, em que os carros dão prioridade para pedestres e ciclistas. Também eu comprei uma bicicleta em Londres, e vou escrever em breve sobre isso. Acho um absurdo as grandes cidades brasileiras serem tão indiferentes às bicicletas, que fazem bem para quem anda e para o meio-ambiente. Uma bicicleta a mais na rua, vi outro dia num vídeo de Copenhague, um carro a menos. Bom.

Vivaldo volta a falar do seguro saúde. Ele não parece nem um pouco incomodado em pagá-lo. No dia anterior, ao voltar da conferência em Davos em que se discutem os destinos do mundo, rachei um táxi com uma jornalista suíça. Ela me mostrou, a certa altura do trajeto, uma universidade prestigiosa de Zurique. Pública, como a USP. Mantida pelo governo.

As circunstâncias mudaram, mas a USP não

Penso no absurdo que é a USP: seu típico aluno vem das famílias mais ricas, que puderam pagar boas escolas. É o retrato da perpetuação dos privilégios. Seus alunos vão, depois de formados, ocupar as melhores posições. Faz sentido? Que político paulista teve visão, coragem e firmeza para enfrentar essa afronta à lógica? E os alunos, tradicionalmente da esquerda que deveria ser solidária com os pobres, defendem ferozmente a manutenção dessa vantagem dada aos que têm mais dinheiro. Quando o ensino público era de alta qualidade em São Paulo, até os anos 60, tudo bem que a USP fosse como fosse. Uma pessoa pobre e aplicada tinha chance. Depois, com a transferência da qualidade para as escolas particulares, vedadas aos pobres exceto em casos esparsos de bolsa, a USP virou um símbolo de injustiça social. Alunos das melhores escolas têm muito mais chance. Mudaram as circunstâncias, mas não a lógica pétrea da USP.

Longe disso, o brasileiro Vivaldo parece pagar seu seguro saúde com a convicção de que é uma troca justa. Jamais tive essa sensação no Brasil. O governo sempre me comeu um bom dinheiro em impostos, mas não escapei de convênios particulares de saúde, escolas privadas e, depois, a segurança cara dos condomínios. Deve ser bom pagar imposto com a sensação de que seu dinheiro é bem utilizado. Mas para isso, como para fumar num café ou restaurante, você tem que estar em Zurique. Como Vivaldo, um brasileiro de Goiânia, onde existem muitos Vivaldos, não me pergunte por quê.

Ele não achou o controle remoto que sumira e trouxe outro. Testou, funcionou e voltou a seu posto de porteiro de hotel.

Quanto a mim, achei uma boa história para contar.

O livro que conta por que o Haiti é a 'República do Pesadelo'

O livro que conta por que o Haiti é a 'República do Pesadelo'

A SEGUNDA MELHOR maneira de conhecer o Haiti é ler Os Comediantes, de Graham Greene. A primeira, evidentemente, é ir para lá, como fizeram jornalistas do mundo todo depois do terremoto de quinta-feira que pode ter matado 200 000 pessoas e é um candidato forte ao título de pior desastre natural da história da humanidade. Nada define tanto a magnitude da destruição quanto as imagens tremulantes e tenebrosas de uma câmara segurada por uma amadora da qual escapam palavras que resumem a história: “O mundo está acabando“.

Greene, em Os Comediantes, leva você pelas mãos ao Haiti, a terra do vudu e da miséria consistente, dos ditadores que se derrubavam uns aos outros, das ruas de terra sobre as quais cadáveres apodrecem sob a vista anestesiada da sociedade cheia de pobres e analfabetos e à míngua de pessoas capazes de dar um rumo a um país ao longo do tempo amplamente ignorado e desprezado exceto por um lapso em que foi explorado no limite pelos colonizadores franceses. Greene lança um olhar duplo, repleto de compaixão e afeto ao país e tomado de ódio pelos ditadores haitianos, representados no homem que simboliza melhor todos eles, François Duvalier, o Papa Doc. De 1957 a 1971, com o auxílio avassalador de sua polícia seceta, os Tonton Macoutes, sempre escondidos em óculos escuros, Papa Doc promoveu o horror indiscriminado no Haiti. Médico de formação, adepto fervoroso do vudu, ele conseguiu levar a população a acreditar que seu filho, Baby Doc, era sua continuação na vida terrena, e os haitianos enfrentariam com o rebento mais 15 anos massacrantes. Papa Doc ascendeu ao poder traindo pessoas e tramando nos bastidores, amparado num perfil baixo parecido com o que Stálin utilizou para derrotar Trotsky e depois outras eminências bolcheviques na luta pelo poder pós-Lênin.

Em Os Comediantes, de 1966, que no Brasil também tem o título de Os Farsantes, aliás mais adequado, o personagem central é Brown, que tem muito de Greene, a começar por um romance com uma mulher casada. Brown é um inglês dono de um hotel que, desde a chegada de Papa Doc ao poder, viu os turistas sumirem, assustados com a truculência do novo regime. Aconteceu isso com o próprio Greene. Ele visitara duas vezes o Haiti como turista nos anos 50, pré-Chevalier, e vira um país alegre embora pobre. Papa Doc acentuou a pobreza e obliterou a alegria. Brown decide vender o hotel, e a história começa quando ele está voltando, de navio, de uma viagem a Nova York na qual tentara encontrar um comprador. Ao desembarcar em Porto Príncipe, ele e as pessoas que conhecera no navio são cercadas de mendigos, muitos deles rastejantes. Eis o Haiti de Papa Doc, eis o Haiti de sempre, uma ilha caribenha de 10 milhões de habitantes em que a principal atividade é o tráfico de drogas e na qual não há mão de obra qualificada que segure atividades que não sejam básicas. São duas as línguas, o francês dos colonizadores e o crioulo local, uma mistura do próprio francês com diversos idiomas de origem africana.

Papa Doc com o chapéu no peito: até os turistas fugiram de sua violência, que ceifou milhares de vidas

SOBRE A MENTE tumultuada de Papa Doc, basta dizer que ele achava ter desempenhado um papel importante, com o vudu, na morte do presidente americano John Kennedy. Poucos meses depois de seu assassinato, um emissário de Papa Doc foi secretamente ao túmulo de Kennedy e fez um serviço — colheu ar numa garrafa, por exemplo — para que a política americana fosse mais generosa em relação a seu regime. Papa Doc perseguiu e matou rivais reais e imaginários. Alguns cálculos falam em 30 000 mortos. Ao assumir o poder, ele disse: “Não tenho nenhum inimigo, a não ser os inimigos do Haiti.” Ele estava se dando licença para matar. Essas foram as bases do que Greene, num artigo para um jornal britânico escrito antes da publicação de Os Farsantes, chamou de República do Pesadelo. Papa Doc morreu aos 64 anos, vítima do coração debilitado por uma diabete forte, e foram tantas suas atrocidades que ganhou o apelido de Calígula Negro.

O hotel de Brown chama-se Trianon, e na verdade é o nome de fantasia para o Hotel Oloffson, que no passado foi um reduto para milionários estrangeiros em busca do sol e das mulheres do Haiti. Decadente, o hotel ainda vive, e foi de lá que surgiu um dos mais buscados focos de acesso a informações locais pelo twitter imediatamente após o terremoto. O dono do hotel e tuitador, Richard Morse, é um remanescente da era de Papa Doc e tem lembranças vívidas de Graham Greene, um homem reservado, observador, calado, “sempre acompanhado de mulheres bonitas”. Morse é também fotógrafo. “Ser fotógrafo é para loucos, mas ser dono de hotel é o símbolo maior da insanidade”, disse ele certa vez. Morse, no twitter, informou que cerca de 2 milhões de pessoas vivem em Porto Príncipe, onde há escassez de água e comida e cadáveres se empilham nas ruas porque as morgues estão cheias. Ele se permitiu um desabafo esperançoso: “Nos últimos anos, ninguém votou em eleições no Haiti. NINGUÉM. Depois eles inventaram um votos de ocasião. Será que vamos virar a página?”

O hotel que foi a base de Os Comediantes e agora é um dos focos de notícias pelo twitter

Brown, como um típico personagem de Greene, simpatiza com os derrotados, com os oprimidos; no caso, os adversários de Papa Doc. Corre riscos ao protegê-los e escondê-los em seu hotel. Quando Os Farsantes foi publicado, em 1963, Papa Doc ficou furioso. Escreveu um texto tentando desqualificá-lo e, britanicamente, Greene disse que era uma honra ter sido resenhado, pela primeira vez na carreira, por um chefe de Estado. Mas por um bom tempo carregou o medo de que a mão longa de Papa Doc o alcançasse onde quer que estivesse, mediante um assassino contratado ou coisa parecida. “O pobre Haiti e o caráter de Papa Doc não foram inventados”, avisou Greene na dedicatória a uma pessoa, quando Os comediantes foi lançado. Um amigo disse, posteriormente, que Greene procurou o inferno a vida toda e foi achá-lo no Haiti.

Em 1967, surgiu do romance um filme, em que o casal mais notável do cinema da época, Liz Taylor e Richard Burton, faz o par romântico. O roteirista foi o próprio Greene. Com seu talento único e sua defesa épica dos perdedores pelas palavras, Greene despertou um debate intenso mas efêmero sobre a natureza do regime de Papa Doc e o Haiti. Agora, o Haiti volta às manchetes, novamente em circunstâncias desoladoras, e o que se espera é que a atenção do mundo dure bem mais do que na vez em que o país foi notícia por causa de Graham Greene e do ditador que ergueu a República do Pesadelo.

O melhor livro que li no ano passado: sua maior lição

O melhor livro que li no ano passado: sua maior lição

O MELHOR LIVRO QUE LI no ano passado foi Human Smoke (Fumaça Humana), do escritor americano Nicholson Baker. Li-o na preparação das reportagens que faria sobre os 60 anos do início da Segunda Guerra Mundial. Gostei tanto que o dei ao Professor numa visita que a mulher e ele fizeram ao apartamento de Ranelagh Gardens, e agora vou comprar um novo exemplar porque decidi relê-lo. Bem, com recursos do grande romancista que é, Baker, num ritmo alucinante, traça a história beligerante do século XX, com foco sobretudo nas duas grandes guerras. Ele faz uma defesa ao mesmo tempo lógica e comovente dos pacifistas, derrotados no campo das coisas práticas mas epicamente vitoriosos no que São Paulo definiu em suas epístolas bíblicas como “o bom combate”. Human Smoke ajuda a entender o mundo tal como o vemos hoje, dominado pela idéia amplamente difiundida de que a solução de tudo está nas bombas. A civilização acabou, segundo Baker, quando a natureza das guerras se alterou, e os aviões começaram a despejar bombas indiscriminadamente. Morria ali o conceito de conflito resolvido entre tropas apenas, sem riscos imediatos e maiores para crianças, mulheres e velhos.

A Década do Terror, a dos anos 2000, é apenas o resultado do fim da civilização, tal como descrito por Baker. No dia 30 de outubro de 1940, o premiê britânico Winston Churchill avisou a seu gabinete: “A população civil alemã, ao redor das áreas de ataque, deve ser levada a sentir o peso da guerra”. Sabe-se o significado se ‘sentir o peso’. Era uma época em que os bombardeiros britânicos, para usar as palavras do historiador inglês Paul Johnson em Tempos Modernos, eram usados “numa grande e crescente escala para matar e assustar a população civil alemã em suas casas”. “A política iniciada por Churchill, aprovada pelo ministério, endossada pelo Parlamento e, até onde se pode julgar, aprovada entusiasticamente pela grande maioria do povo britânico — assim preenchendo todos os requisitos do processo de aquiescência de uma democracia legal — marcou um estágio crítico no declínio moral da humanidade dos nossos tempos”, escreveu Johnson. Longe de ser um esquerdista, Paul Johnson é um pensador liberal, e para ele Churchill é o maior britânico da história.

É paradoxal e cruel a lógica que aproxima, em algum momento, esse raciocínio — “a população civil deve ser levada a sentir o peso da guerra” — da estratégia terrorista do Al-Qaeda. O atentado de 11 de setembro de 2001, no qual morreram 3000 inocentes, foi “justificado” pelos líderes do Al-Qaeda exatamente como uma tentativa de levar a população civil americana a “sentir o peso da guerra”. Em certas ações dos Aliados na Segunda Guerra havia a discutível explicação de que, se os alemães haviam colocado Hitler no poder e ele cometera todas aquelas barbaridades, então não se tratava, exatamente, de inocentes. Os extremistas islâmicos usam este argumento ambíguo para explicar os atentados contra alvos ocidentais, sobretudo americanos: aquele é o povo que “colocou no poder os homens que mandam jogar bombas em nossas crianças, mulheres e velhos”, disse recentemente um líder terrorista.

Hiroxima, depois da bomba: a civilização tinha acabado bem antes

Numa entrevista a um jornalista americano depois do 11 de Setembro, bin Laden evocou as bombas atômicas jogadas pelos americanos sobre o Japão em 1945 como um argumento de que “guerra é guerra”. A bomba de Hiroxima, a primeira delas, foi precedida 48 horas antes de uma advertência, feita em 720 000 panfletos jogados na cidade, em que se falava da iminente “obliteração”. O aviso não foi levado a sério, num dos maiores erros de interpretação da história, porque havia o boato de que a mãe do presidente americano Harry Truman tinha morado em Hiroxima e esta seria uma razão sentimental para que a cidade não fosse destruída. Da população de 245 000 pessoas, 100 000 morreram na hora, e outras 100 000 depois. Antes da “morte da civilização”, para retomar a tese de Nicholson Baker, uma ação dessas seria simplesmente inimaginável.

Os pacifistas estavam certos, segundo Baker. Estão certos, é bom que se acrescente. Enquanto não houver um esforço disciplinado, intenso e coletivo pelo retorno da civilização, a humanidade continuará entregue à triste tarefa de contar os mortos depois de ouvir a explosão brutal de bombas que se autojustificam e se autoperpetuam. As bombas alheias serão condenadas e as nossas justificadas, e mais e mais gente morrerá. As pessoas tendem a ser complacentes com elas mesmas e severas com os outros. Três dias antes de se matar, já completamente liquidado e entregue a sucessivas comilanças de bolos cremosos em seu bunker, Hitler confessou que vinha um arrependimento por ter sido “tão generoso”, o que o fizera perder a guerra. A maior lição de Human Smoke é que, ao contrário do que aquilo em que o mundo parece acreditar tão fanaticamente desde o fim da civilização, bombas são um problema, um problema e ainda um problema.

O herói involuntário que derrubou o Muro de Berlim

O herói involuntário que derrubou o Muro de Berlim

ALGUMAS PESSOAS fazem coisas importantes pela grandeza, outras pela pequenez. Mikhail Gorbachev está na segunda ala. Gorbachev, por ser um “político fraco”, na definição precisa e recente de Lech Walesa, o sindicalista bigodudo e bonachão que chacoalhou a Polônia nos anos 80, realizou a maior façanha do século passado: o desmantelamento da União Soviética. O que Lênin iniciou em 1917 com sua força de vontade épica, cruel e desumana de tão potente Gorbatchev liquidou com sua simpatia inepta há 20 anos. Neste momento em que o mundo comemora a Queda do Muro, Gorbachev, o sorridente líder comunista que tinha na cabeça uma mancha que parecia tatuagem, volta à manchete.

Vídeos históricos mostram Gorbachev descendo de seu avião na Alemanha Oriental em outubro de 1989, para assistir à patética festa de 40 anos de um regime moribundo que levara à realidade como nenhum outro a idéia aterradora de 1984, o romance clássico em que George Orwell desenha uma terra controlada avassaladoramente por seu líder, o Grande Irmão. As imagens deste curta-metragem sem palavras gritam. Gorbachev era ansiosamente esperado, em terra, por Erich Honecker, a envelhecida marionete de Moscou que desde o começo dos anos 60 oprimia os 17 milhões de alemães orientais. Era precária a situação de Honecker e seu regime, encurralados pela insatisfação generalizada do povo emparedado pelo Muro, e ao trocar três beijos com Gorbachev ali na pista mesmo ele carregava a esperança de que, mais uma vez, os tanques russos resolvessem a questão. Acontecera em Budapeste em 56, em Praga em 68 e Honecker torcia que mais uma vez, em 89, os tanques russos esmagassem as esperanças libertárias.

(Leia aqui o post “Como era a vida no lado de lá nos tempos do Muro de Berlim”)

A China acabara de usar a fórmula do esmagamento na Praça Celestial, com o sucesso repulsivo que o tempo tornaria claro, e na Alemanha Oriental mesmo manifestações de trabalhadores insatisfeitos com a jornada de trabalho, em 1953, tinham sido aplacadas pelos tanques russos, que se locomoveram pelas ruas de Berlim como crocodilos gigantescos prontos a devorar as pessoas em nome das quais, teoricamente, os líderes governavam o país.

Dias antes, numa das profecias mais fracassadas da história contemporânea, Honecker dissera que o Muro de Berlim estaria erguido ainda por mais 40 ou 50 anos. Também naqueles dias o outro Erich da Alemanha Oriental, Mielke, chefe da odiada Stasi, a polícia secreta tão bem retratada em A Vida dos Outros, discursara num banquete por quatro horas a seus comandados esfomeados para dizer que tudo estava sob controle. Beleza, camaradas. Desde que os controladores soviéticos agissem, como se vira na China.

Honecker queria tanques russos, mas Gorbachev deu apenas beijos

Gorbachev beijou Honecker, mas, ao contrário do líder chinês Deng Xiaoping, manteve estacionados os tanques, mais por indecisão e tibieza do que por fortes convicções democráticas, que de resto seriam estranhas num homem que fizera carreira num partido que matava oponentes reais e imaginários com a sem-cerimônia com que um camponês russo toma vodca. O resto é história. Picaretas, martelos e pontapés no muro no que alguns chamam de Revolução Pacífica e em que outros não enxergam elementos revolucionários suficientes que se empregue uma expressão tão pomposa.

Imóveis os tanques, a história seguiu seu curso. Em meados de1961, o presidente americano John Kennedy dissera temer a construção de um muro em Berlim que dividisse fisicamente a cidade em duas. Todos os dias, dezenas de alemães orientais estavam trocando de lado, e eram os melhores cérebros, gente culta, formada. “Os russos estão perdendo Berlim Oriental e não podem perder”, comentou privadamente Kennedy diante do exuberante vazamento populacional do lado de lá. “Eles vão ter que fazer alguma coisa, um muro talvez.” Fizeram, na calada da noite de 12 para 13 de agosto, sob os olhares covardes e paralisados das três potências que controlavam o lado ocidental alemão, Estados Unidos, Reino Unido e França. “Até que enfim esses caras fizeram alguma coisa”, desabafou dias depois uma autoridade da Alemanha Ocidental quando soldados americanos, britânicos e franceses basicamente fingiram estar dispostos a reagir enquanto as toneladas de concreto, arame farpado e cimento iam se acumulando na fronteira. Naquele jogo se sabia quem intimidava e quem era intimidado. No célebre momento em que tanques russos e americanos ficaram cara a cara na fronteira, no que para alguns poderia ser o prefácio de uma guerra nuclear de aniquilamento geral, a versão mais acreditada pelos historiadores é que os tanques americanos deram marcha à ré quando o clima ameaçou ficar pesado.

(Leia aqui o post “Berlim, 20 anos depois da queda do Muro: meu relato”)

Por quase 30 anos o Muro de Berlim, provavelmente a construção mais feia da história da humanidade, um monstro arquitetônico cinzento, simbolizou, mais que a Guerra Fria que opunha americanos e soviéticos, a natureza tenebrosa do comunismo não tal como fora sonhado por pensadores generosos e românticos em suas utopias sublimemente impossíveis, mas como fora tornado realidade por déspotas sanguinários como Stálin, Nikita Khrushchev e Leonid Brejnev. Todos eles estavam muito mais interessados na preservação de sua vida de privilégios dignos da corte dos czares em seu fausto, dentro da lógica orwelliana de que todos são iguais mas alguns são mais iguais que os outros, do que em efetivamente tirar o povo russo e não só russo de sua secular pobreza oprimida. Os alemães orientais sequer podiam comprar bicicleta sem ter licença. Até para o adultério você tinha que pedir licença. Um funcionário da Stasi casado comentou certa vez com um colega que estava saindo com uma camarada, e não para discutir a luta de classes ou o Manifesto Comunista. O colega o dedou e ele ficou três dias numa solitária. “Você pode ter caso, mas nós temos que saber”, justificou o chefe. Nem os empregados da Stasi eram felizes na Alemanha Oriental, eles que promoviam uma angústia aterrorizada entre berlinenses que tiveram o azar de estar do lado errado quando se fez a divisão.

Kennedy, desprezado pela sua contraparte soviética, Khrushchev, como um menino rico e mimado, além de mulherengo interessado mais nas questões sexuais que nas de Estado, acertou duas vezes ao mirar a Alemanha Oriental, a primeira em vida, ao prever o muro. O segundo acerto seria trazido, 28 anos depois, pela posteridade. Perdida a Alemanha Oriental, a União Soviética foi mesmo para o beleléu, sob Mikhail Gorbachev, o comunista bonzinho, o herói involuntário, o russo afável que mudou para melhor o mundo não propriamente pelo que fez mas pelo que, ao contrário da cartilha de seus antecessores, não fez: colocar os tanques nas ruas. Em sua pequenez grandiosa, Gorbachev foi essencial para que a humanidade se livrasse do pesadelo começado em 1917 na Rússia por um certo bolchevique chamado Vladimir Ulianov, aliás Lênin, um homem tão determinado que parou de ouvir seu amado Beethoven para não amolecer a têmpera e jamais hesitou em se livrar de queridos e velhos camaradas, como Julius Martov, quando achou que eles atrapalhavam a marcha da revolução.

Gorbachev vai ser festejado no aniversário da queda do Muro de Berlim — e tudo que se fizer e disser em aplaudidos discursos previsíveis será pouco, ainda que seu feito espetacular se deva mais a sua fraqueza tão oportuna para a humanidade do que a uma grandeza que não tinha.

Quando Éramos Reis

Quando Éramos Reis

“Jornalista que não pensa digitalmente é jornalista morto”, escrevi outro dia no twitter. Antes de vir para Londres, minha convicção, compartilhada com os jornalistas com os quais eu trabalhava, era uma divisão de atenções: “um olho no papel, outro na internet”. É uma frase obsoleta, hoje. Mais adequado, agora, em minha opinião, seria: “Um olho no papel, dois na internet”. A Era Digital está aí, gostemos ou não. Como tudo, tem vantagens e desvantagens, tira e dá, e pessoalmente acho que o saldo é favorável.

Mas como um legítimo homem de papel, um jornalista que a vida toda se cercou de publicações impressas, revistas e jornais, olho com amor nostálgico, com fascínio juvenil para a Era do Papel. Ao olhar para trás, me ocorre o título magistral de um documentário sobre a historicamente inesperada vitória no Zaire de Muhammad Ali, veterano, sobre George Foreman, um jovem e invicto destruidor de adversários: “Quando Éramos Reis.”

Os grandes jornalistas que vi de longe ou de perto tiveram ou têm, como eu, um amor incondicional pelo papel. Um deles, Antonio Machado de Barros, com quem trabalhei de perto por muitos anos e a quem devo o aprendizado milionário do valor do esforço, cheirava imediatamente cada revista que lhe chegava às mãos, como se ali estivesse o melhor perfume do mundo. Era uma cena que me fez rir algumas vezes, mas que hoje, ao evocá-la, tem para mim um comovente sabor de saudade, um retrato preciso e precioso da Era do Papel, dos dias em que as redações tinham laudas e os textos eram mexidos com canetas por copis capazes de operar milagres em textos pedestres, e entre os quais o maior que vi foi outro jornalista com quem trabalhei alguns anos de perto, JR Guzzo, com sua lendária letra de normalista.

Eram dias em que as redações tinham o frenesi romântico e barulhento das máquinas de escrever, e em que os jornalistas faziam dos bares uma extensão dos jornais e das revistas em que trabalhavam. Uma extensão fatal, em muitos casos. Tarso de Castro, segundo o relato de um jornalista que trabalhou com ele na Folha Ilustrada e no Folhetim, Nei Duclós, saía no meio da tarde e ninguém sabia, na equipe, se estava no bar ou na sala do dono. Tarso era um dos grandes nomes do jornalismo brasileiro quando eu era estudante. Iconoclasta, absurdamente criativo, corajoso, ares de galã com seus cabelos compridos e traços viris, Tarso era o que todos nós, aspirantes a jornalistas, gostaríamos de ser. Sobre Paulo Francis, outro modelo glamuroso para jovens jornalistas do final dos anos 70, tinha a vantagem extraordinária do apelo sobre as mulheres. Tivera um papel decisivo no Pasquim, um jornal alternativo carioca que experimentou dias de glória na ditadura militar, e levara depois seu talento para São Paulo, como Paulo Francis, também egresso do Rio. Do mesmo Rio brilharia no jornalismo de São Paulo, também em meados da década de 70, Alberto Dines, que trouxe o primeiro e marcante exercício de autocrítica na mídia brasileira com seu Jornal dos Jornais, aos domingos na Folha. Todos nós, jornalistas, ansiávamos pelo veredito culto de Dines aos domingos, e o tempo mostraria o quanto a crítica pode gerar hostilidades e portas fechadas. Os três, Tarso, Francis e Dines, deram à sisuda imprensa paulistana, então fanática da crença de que jornalista não é notícia, o tempero vivaz e colorido de artigos irreverentes e autorais.

Tarso somava à capacidade profissional a arte da sedução. Era tanto seu charme que ele namorou, sem falar inglês, Candice Bergen, uma das atrizes mais lindas do cinema nos anos 70. Ela tinha vindo passar uns dias no Brasil e, como uma foca que acaba de entrar numa redação e não uma estrela internacional, ficou louca por ele, com quem se comunicava na língua do amor, aquela que destrói barreiras de palavras e em que o silêncio pode ter um significado misterioso e sedutor. Dizia, malandro, que era o “outro cabeludo” de Detalhes, de Roberto Carlos, o que este sempre negou. Tarso morreu de tanto beber aos 49 anos, e acabou se transformando, para uma geração posterior de jornalistas como eu, num exemplo do quanto a bebida pode encurtar uma carreira jornalística e a própria vida, se não for severamente controlada.

Tarso com Candice: mulheres, bebida e um imenso talento

REDAÇÕES, COMO QUALQUER OUTRO AMBIENTE, sempre tiveram de tudo: heróis e covardes, religiosos e ateus, nobres e canalhas, trabalhadores e preguiçosos, e toda a vasta gama que existe entre os opostos em tudo aquilo. Hoje, no entanto, há com certeza menos alcoólatras, por força da modernização da mídia como negócio, em parte, mas também pela lembrança dolorosa de gente que se matou pela bebida, como Tarso de Castro e tantos outros. A fumana nervosa, oriunda de múltiplos cigarros nas bocas de homens e (poucas) mulheres, era outra marca sagrada do apogeu da Era do Papel.

Hoje é possível dizer que a Era Digital chegou, quase despercebida, às redações em meados dos anos 80, quando os computadores substituíram as máquinas de escrever. Não foi uma transição fácil para mim, lembro, mesmo não tendo ainda 30 anos. Era editor, e estava acostumado a mexer nos textos das laudas com a caneta. O quanto esse mundo é antigo me foi lembrado outro dia numa conversa com Pedro, meu filho, 22 anos. Falei em lauda e ele perguntou o que era. Transições sempre são difíceis. Durante anos ouvi dizer que alguns editorialistas do Estadão escreviam à mão, as costas convictamente voltadas para as Olivettis que chegaram e partiram das redações. Nunca soube se era verdade ou não. Se era verdade, talvez este conservadorismo pétreo explique parte dos primorosos editoriais que marcaram o Estadão, uma defesa inteligente e determinada do capitalismo. A imagem definitiva que tenho destes tempos é uma foto em branco e preto de meu pai, Continental sem filtro na boca, gravata afrouxada e sem paletó, escrevendo em sua Underwood na redação.

Toda mudança dá e tira. O computador tirou, nas redações, o emprego dos valorosos datilógrafos, os mestres do teclado que passavam a limpo os textos alterados com caneta antes que estes baixassem à gráfica. O trabalho deles era duro, sob intensa pressão, em horários avançados na madrugada quando se tratava de revista semanal de informações. Presenciei um episódio que jamais esqueceria. Um datilógrafo, no afã de entregar antes que fosse tarde demais um texto, deixou escreveu “homen”, no título de uma nota sobre o prêmio de Homem do Ano concedido pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. Ele era o último reduto antes da gráfica, onde o processo industrial era automático demais para que se fizesse qualquer nova revisão. Quem fora premiado era o dono da empresa, Victor Civita, e previsivelmente para aquele bom datilógrafo não haveria fechamento seguinte. Chega a ser injusto que, entre tantas cenas de abnegação nas madrugadas de homens e mulheres datilografando nossos textos editados, seja exatamente aquela a que mais me tenha marcado.

“Um olho no papel, dois na internet” é a frase que está gravada no meu cérebro neste final de 2009. Não é escolha, é destino, para usar a frase de Fernando Henrique Cardoso sobre a globalização na época em que a oposição petista a tratava como uma maldição, antes que, no poder, a abraçasse alegremente. Mas, no meu coração de jornalista filho de jornalista, os dias do papel reinarão para sempre, aqueles tempos estridentes, tumultuados, sofridos, épicos em que éramos reis.

As lições que o pôquer ensina a você

“Acho que é ela”, Pedro, meu filho, me diz. Estamos na Leicester Square, em Londres. Não me pergunte por que, você come a sílaba do meio ao pronunciar Leicester. Fica “Léster”. É uma manhã bonita em Londres, ensolarada, um bom dia para ir aos parques e deitar na grama, um dos programas favoritos dos londrinos. A grama em Londres é acolhedora, macia, livre de formigas e outros insetos. Leicester Square é a área boêmia de Londres, o pedaço da cidade que não dorme, em que você encontra bares e restaurantes abertos a noite toda e cruza com pessoas que falam línguas de toda natureza, incluído o inglês.

“Ela quem?”, pergunto. Estamos entrando no Empire, cassino de Londres em está sendo disputado um torneio daqueles que dão um bracelete, símbolo máximo do talento no jogo, o circuito World Series of Poker. Os seguranças do Empire dão uma olhada básica nas pessoas que não entrando no prédio, e estamos já descendo as escadarias quando Pedro se apresenta à garota. Aos 22 anos, Pedro é reservado, quase tímido, e é uma cena inusual a que estou vendo. Mas compreensível.

A mulher era Annette_15, a norueguesa Annette Obrestad, uma das celebridades internacionais do pôquer, uma menina que surgiu no pôquer na internet sob o codinome de Annette_15, uma referência à sua idade quando começou a jogar, e depois começou a brilhar também nas mesas reais, cara a cara com adversários temíveis. Conheci Annette numa reportagem, há quase dois anos, da Economist. Era um artigo primoroso que tratava do fenômeno global do pôquer, depois que uma emissora americana teve a idéia inovadora de mostrar, com câmaras sob a mesa, as cartas dos jogadores para espectadores como que hipnotizados diante do barulho das fichas e do tamanho das apostas. A inovação transformou o pôquer numa mania mundial. Especificamente, o Texas Hold’Em, uma variação americana que você aprende numa hora mas leva uma vida para dominar, para usar a frase clássica de um mestre. Com a televisão, os grandes jogadores ganharam prestígio, glamour, patrocínios milionários – todas aquelas coisas cintilantes reservadas às celebridades.

A foto que abria a reportagem da Economist dispensava legenda. Annette_15, uma adolescente com traços infantis e delicados, com uma montanha de fichas. A seu lado, o legendário Doyle Brunson, chapéu de caubói na cabeça, sem uma única ficha, derrotado pela garota no duelo final de um torneio. De Annette, posteriormente, eu ouviria uma história incrível, que sinceramente não sei se é lenda urbana: ela teria ganhado um campeonato na internet sem ver, uma única vez, as próprias cartas. Fez todo o seu jogo, segundo esta história, baseada nas atitudes dos adversários.

Ali está Anette_15, Obrestad, se encaminhando para o torneio no Empire. Franja e jeitinho de menina, pequena, passos apressados de quem tem um dia a dia agitado. As unhas estão pintadas de verde, e ela está claramente acima do peso, as bochechas infladas sugerindo que ela deve diminuir a dose de cartas e ampliar a de exercícios urgentemente. Digo a Annette que ela é célebre na comunidade de pôquer no Brasil, e ela abre um sorriso de garota. Annette é uma jovem milionária: apenas em torneios ao vivo, já levantou 2,7 milhões de dólares.

A inscrição para o torneio é 1 000 libras, ou pouco mais de 3 000 reais. Não é pouco, mas também não é tanto assim. Minhas finanças não chegarão a ser comprometidas. Jogo ou não jogo?

“O pôquer pode ser um grande professor”

Bill Gates, conforme você pode ver neste texto do New York Times, afirmou que aprendeu mais com o pôquer do que com os anos que passou em Harvard. O pôquer ensina você a correr riscos, a montar estratégias para lidar com adversários diferentes, a fazer cálculos, a ser flexível para se adaptar a novos rivais, a ser o menos apegado possível a dinheiro, a conhecer a instabilidade da sorte. E também ensina você a perder. Quem não sabe perder não pode jogar pôquer. Fato.

O pôquer pode ser um grande professor. Mas também, é verdade, se você perder o controle e apostar mais do que é capaz de bancar, pode ser sinistro como os ciganos búlgaros que se movimentam sorrateiros pelos subterrâneos de Praga em busca da carteira de desavisados. Num banheiro do Empire, você acaba de lavar as mãos e, ao secá-las, dá de cara com uma placa. “Problemas com o jogo? Se você acha que está perdendo o controle, procure-nos.” A placa mostra onde os descontrolados podem buscar ajuda.

O bom jogador de pôquer traça, desde cedo, um limite: jamais jogar acima de suas possibilidades. Também nessa disciplina – não gastar mais do que você pode, seja na mesa de jogo ou em qualquer outra coisa – o pôquer é um bom professor.

Em nove meses de Londres, praticamente não joguei. Umas poucas vezes um torneio de 20 libras no Empire: nas duas últimas cheguei à mesa final e curiosamente fiquei em ambas em quarto lugar. Em cada uma ganhei umas 200 libras. Numa outra fase da vida, com um grupo de amigos queridos, joguei anos seguidos todas as quartas-feiras na casa de minha tia Lili, uma segunda mãe que tive. Jogávamos o hoje obsoleto pôquer europeu, sete para cima, cinco cartas nas mãos e a possibilidade de trocar até quatro delas. No meio da refrega, a torta de frango e o pudim incomparáveis da Cruzinha. Lili, Helena, Zé Roberto, César, Mário em sua cadeira de rodas, depois Danilo, Cabeção e Pedro. Devo a todos eles momentos inesquecíveis na vida: emoção, suspense, piadas, tiradas que levarei sempre comigo. Todas as mesas são marcadas por frases definitivas. “Tem dias que de noite é assim”, nas jornadas azaradas, é um clássico, para mim. “”Vou pelo esplendor da mesa”, quando você completa a aposta antes de ver novas cartas por causa do pote suculento, é outro clássico.

Jamais, em todos estes anos, ultrapassei a fronteira do cacife financeiramente confortável para mim, e transmiti esse mandamento sagrado a Pedro, o único dos meus três filhos que se interessou pelo pôquer, no qual acabou por se tornar melhor que eu.

Jogo ou não, eu me perguntava ao descer a escadaria do Empire. Me lembrei de uma história contada a mim por Zé Roberto. Um jornalista inglês que jogava pôquer com os amigos, num esquema de completo amadorismo como o meu, decidiu experimentar a sorte numa temporada em Las Vegas. Foi amassado pelos profissionais, mas recolheu material para um livro bem sucedido, que li com enlevo há uns quinze anos.

Uma vez na vida, eu pensava. A mesma reflexão me levou a pagar 175 euros a um cambista para ver a final de Roland Garros em que Federer teve uma conquista histórica. Fora mais 120 euros para o motorista do táxi em que deixei as minhas malas, já prontas para a volta a Londres depois de uma missão jornalística penosa em Paris, a cobertura da queda do avião da Air France.

Ali em Paris o argumento de uma vez na vida me fez assistir ao jogo, e depois escrever sobre ele no domingo mesmo para o site da Época.

Annette_15: a jovem sensação durou pouco desta vez

Mas em Londres não. Depois de uma demorada reflexão, achei enfim que teria um esforço mental demasiadamente intenso para competir ali com os grandes jogadores. O pôquer me ensinou a reconhecer meus limites também psicológicos. Mas encorajei Pedro a participar: uma experiência fascinante que ele levaria sempre vida afora, ali no meio dos heróis transatlânticos das cartas que você só vê pela televisão.

Fiquei algum tempo no Empire. Me credenciei como jornalista, tirei fotos, andei por umas duas horas pelas mesas. Vi por alguns minutos Annette em ação, alvo dos olhares admirados de muitas pessoas. Óculos escuros, fichas sempre na mão direita, descartando as cartas com a perícia graciosa de uma profissional, Annette não estava num bom dia, percebi. Parecia desconcentrada, desinteressada. Não me surpreendi, mais tarde, ao saber que fora eliminada muito antes das mesas finais, em que já se ganha dinheiro. Vi circularem pelas mesas, prontas a massagear jogadores tensos, garotas sorridentes de uniforme branco, as merecidamente aclamadas Ibiza Angels do Empire, umas loiras, outras morenas, todas atraentes sem ser vulgares.

Hellmuth: “Fui batido por minha nêmesis, a impaciência”

Num giro, meus olhos encontram uma figura familiar. O caubói batido por Annette, o mítico Doyle Brunson. Vi no YouTube um vídeo de uma jogada espetacular na qual Brunson, com a bravura de um caubói e a habilidade de um jogador incomum, paga uma aposta pesada de Guy Laliberte, o bilionário dono do Cirque du Soleil, num pote de 1milhão de dólares. E leva. Brunson, 76 anos, chapéu claro e vistoso de Roy Rogers, está amparado a uma muleta. Não está jogando. Conversa com alguém que não reconheço, numa mesa lateral. Tem uma garrafa de água nas mãos. Não resisto. Me aproximo, peço licença, cumprimento Brunson, que me dá um sorriso simpático e afável, e pergunto ao outro homem se poderia tirar uma foto. “Claro”, diz ele. É tecnicamente, tenho que reconhecer, a melhor foto do torneio tirada pela Nikon azul, modesta, comprada às pressas numa loja na Champs Elysée para a cobertura da missa de Notre Dame em que foram homenageados os mortos do vôo da Air France.

Pergunto a Brunson por que ele não está jogando. “Não estava com vontade”, ele me diz. Mais tarde, vejo no twitter uma foto de Brunson com o homem que gentilmente fez a foto que pedi. Ali aparecia seu nome, e no Google fui saber que era, simplesmente, o presidente do World Series of Poker, Jeffrey Pollack. Entrei no twitter dele, e vi um pequeno texto em que ele dizia que estava com Brunson, tirando fotos para “admiradores de todos os cantos”. A mensagem, vi, fora postada logo depois de meu pedido. Aos 53, agindo como um menino.

O torneio, que arrecadou 626 000 libras, termina apenas segunda-feira. Para algumas celebridades, como Annette, o fim veio antes. O controvertido Phil Hellmuth, que também participou do torneio, caiu fora em 81 minutos, contados por ele mesmo. “Fui batido por minha nêmesis, a impaciência”, pôs ele em seu twitter. Um outro jogador durou um pouco mais, 3 horas, e escreveu no twitter que havia um lado bom em sua eliminação: a chance de desfrutar um dia lindo em Londres.

Eu estava vendo a mesa de Chris Ferguson, o “Jesus”, outro gigante do pôquer, quando alguém bate em minhas costas. Era Pedro. Busted. Eliminado. Ás e rei de paus, fichas perigosamente diminuindo, foi para o all in depois de uma série de apostas e repiques em que sobraram ele e mais um num showdown, um duelo. Perfeito o movimento de meu filho. Pedro ficou fortíssimo no flop, as primeiras três cartas comunitárias, viradas de uma vez só. Rei e dois paus ali. Par alto e pedida para flush, e ainda mais duas cartas por abrir. Só que o adversário tinha AA, American Airlines na gíria dos jogadores, o melhor jogo que você pode ter nas mãos. Pedro acabou brutalmente abatido pelo American Airlines.

Tempo de voltar para casa. O torneio só termina na segunda-feira. A bordo do 14 rumo a Putney Bridge, noto em Pedro um certo desapontamento. Mais uma lição que o pôquer está dando a ele: aprender a lidar com as frustrações. De resto, ele durou mais que Hellmuth, quase tanto quanto Annette_15 e ainda pôde, como o jogador anônimo, desfrutar de um dia belo em Londres, daqueles em que os londoners se espalham, em massa, pelas gramas hospitaleiras dos parques da cidade numa saudação alegre ao sol e à natureza.

Papai

Fiz uma conta estes dias já meio frios de final de verão em Londres, em que as temperaturas ficam ao redor dos 15 graus e o vento frio começa a exigir gorros e capotes, sobretudo à noite. Dia 11 fez 27 anos que meu pai morreu. Pela primeira vez em minha vida, é mais tempo sem ele que com ele. Tenho 53: 27 a 26, portanto.

Faz tempo que não sonho com ele, e é de certa forma bom. Sempre que meu pai aparece em meus sonhos, ele está bem, mas alguma coisa me deixa aflito. Sei que ele vai morrer, e não há o que eu possa fazer. Tentei segurá-lo algumas vezes sonhando para que ele não escapasse como naquela madrugada de 11 de setembro de 1982 no Sírio Libanês em que Mari, minha irmã, cantou para ele as músicas que o encantavam, ecos de Cravinhos e da São Paulo para onde veio quase menino, tocado pela mãe, costureira, minha avó Alice, uma visionária interiorana que não pudera fazer mais que o primário, uma mulher firme o bastante para fazer papai subir no ônibus e voltar para São Paulo quando ele relutava no final das férias em sua Cravinhos. Vó Alice morreu de tristeza pouco tempo depois que um enfarto matou vô Itamar. Era um tempo de casamentos longos, alguns deles felizes, outros uma tragédia, e de minha avó carreguei pela vida a impressão de que não suportou seguir adiante sem o marido ferroviário. Vô Itamar era mais brincalhão que vó Alice, na minha memória. “Basta?”, ele sempre perguntava depois de colocar uma pequena dose de suco ou refrigerante no meu copo no almoço ou no jantar. (Estou montando no meu Flickr um álbum com fotos de papai e da família.)

Foi meu pai, extremamente desafinado, quem deu a Mari o repertório grandioso que ela tem, parte do qual cantada ali no quarto de hospital em circunstâncias extremamente desafiadoras. A voz bonita de Mari, que papai adorava ouvir, não fraquejou em nenhum momento. Foi uma das maiores demonstrações de firmeza que vi em minha vida. Depois tu partiste … Até Velho Realejo Mari cantou. (Este é um artigo que eu gostaria que fosse lido ao som de Velho Realejo.) Ao morrer, tinha no bolso um cheque não descontado dado por um amigo que lhe pedira dinheiro emprestado. Assim era meu pai.

Papai era jornalista. Trabalhou 33 anos na Folha. Entrou como revisor, como acontecia antigamente. Fez depois tudo que se pode fazer numa redação de jornal: reportagens policiais, coberturas no exterior, editoriais, escolher a foto e os poucos toques de uma manchete, uma espécie de twitter eterno e sagrado dos jornais. Foi secretário de redação, um cargo que era enorme a despeito do título, e que hoje equivale ao de diretor de redação. Presumo que o nome exótico do cargo supremo derivasse do Partido Comunista, que no passado teve presença intensa nas redações, e em cuja hierarquia rígida reinava, absoluto como um czar, o Secretário Geral.

Às vezes, quando eu tinha 19 ou 20 anos, pegava meu pai na redação, lá pelas dez da noite, quando o jornal fechava. Ficava com o Chevette vermelho para poder sair com a namorada e depois ia buscá-lo no prédio de pastilhas amarelas da Barão de Limeira. Lembro claramente o frenesi das máquinas de escrever em polvorosa na redação momentos antes do fechamento, e contemplo agora, numa mesa grande, um pequeno grupo de jornalistas, entre eles Claudio Abramo e meu pai, escolhendo a foto principal e fazendo a manchete do dia seguinte. Jamais encontrei adrenalina em tamanha quantidade em minha vida, nem mesmo nas madrugadas da década de 80 quando, garoto ainda, enfrentava os dramáticos fechamentos da Veja, em que textos eram continuamente escritos e reescritos até o último instante sob a supervisão do diretor José Roberto Guzzo e do adjunto Elio Gaspari, a maior parceria jornalística que vi em minha carreira. Ambos se complementavam e, a despeito de imensos, se encaixavam harmoniosamente no comando da redação. Guzzo, com sua letra redonda de normalista, era capaz de transformar um texto mediano num épico, o mais brilhantecopy que conheci, e de quem incorporei um lamento que ouvíamos dele nos fechamentos mais duros: “A quem apelar?” De Elio, uma vez vi admirado escrever uma capa de trás para a frente, primeiro o final, depois o começo, por razões industriais.

Muitas vezes reflito, ao olhar para trás, sobre a ironia de minha trajetória. Virei jornalista por causa de papai e tudo que rodeava seu trabalho. Uma memória cara a mim é ele chegando a nossa casa simples no Previdência, à noite, cheio de jornais do dia que trouxera da redação. Eu mergulhava naquele monte de papel fascinado. Lia encantado coisas como o Placar Moral, em que o jornalista carioca Otelo Caçador ajustava no Jornal dos Sports o resultado das partidas àquilo que deveria ter sido e que não fora, ou o Personagem da Semana, no Globo de segunda, em que Nelson Rodrigues celebrava o craque da rodada. Décadas depois, em minha passagem pela Editora Globo, o nome Personagem da Semana, dado ao texto que abre a Época de cada semana, foi um modesto e convicto tributo a uma de minhas leituras prediletas de garoto.

Vó Alice, maior inspiração de papai, com vô Itamar e dois netos, Marcio e Mari, cerca de 1956

Jornais eram minha paixão, por causa de meu pai, como eu disse, mas acabei fazendo carreira em revistas. Fui conversar, aos 23 anos, com Sérgio Pompeu, que fora diretor da Veja e era então secretário editorial da Abril. Ele me recebeu em sua sala de executivo no sexto andar da sede da editora na Marginal do Tietê, em que havia até uma suíte, um ambiente completamente diferente do que eu logo conheceria no andar de cima, o sétimo, o da redação da Veja. Só mais tarde fui saber que aquela sala imponente abrigava uma amargura que acabaria matando, cedo, Sérgio. “Seu pai teria sido presidente da Folha se fosse diferente”, me disse Sérgio. Também só mais tarde entenderia o significado dessas palavras de introdução em nossa conversa. Sérgio encaminhou cópias de um texto meu a editores da Veja. Uma editoria estava sendo remontada, e fui convidado a fazer um teste. Acabei ficando, e passei a carreira em revistas, longe dos jornais que eletrizaram minha infância.

Meu pai me inspirou pelo exemplo, pelas continuadas demonstrações de firmeza pessoal e profissional, e se não fui um aluno melhor foi por minha culpa, pelos limites que não fui capaz de transpor, e não de meu professor. Papai sempre foi fiel à sua consciência, e pagou o preço por isso, como lembrou em nossa conversa tão distante Sérgio Pompeu, que fora uma espécie de aluno de meu pai no início da carreira. Na primeira greve dos jornalistas, em 61, papai era aos 34 anos um dos jornalistas favoritos de Nabantino Ramos, dono da Folha. Nabantino emprestara dinheiro para meu pai comprar os móveis no casamento. Numa das decisões mais difíceis em sua vida, ele aderiu à greve. Magoado com a greve, Nabantino decidiu vender o jornal e rompeu com meu pai. Uma pequena fortuna foi dada, com a venda, a cada um dos 12 integrantes do Conselho de Redação, exceto papai, pela greve. Reataram mais tarde, um dos episódios prediletos de papai, dado o respeito agradecido que sentia por Nabantino. Em seu Dicionário Enciclopédico de Jornalismo, uma das melhores obras da parca bibliografia jornalística nacional, Nabantino, um nome subestimado na história da Folha, como de resto todo o período pré-Frias, um capitalista visionário e romântico que levou à Barão de Limeira uma cultura inspirada nas práticas dos melhores jornais do mundo, incluiu, nos agradecimentos da apresentação, o nome de meu pai, pelo que aprendera com ele, tantos anos mais jovem. A pedido de Nabantino, papai coordenara a composição do manual de redação da Folha, no final dos anos 50. Era o primeiro manual da Folha e um dos primeiros do jornalismo brasileiro.

Papai com minha irmã Kika no final da década de 70: ela e Kiko, os dois caçulas, alegraram seus últimos anos

Guardo muitas imagens de meu pai. Vejo-o na cama de casal da casa de um banheiro só para a família toda, sob a luz do abajur, cigarro nos dedos amarelados, um livro policial à frente dos olhos míopes. Vejo-o na praia, o corpo bronzeado quase que instantaneamente pelo sol, nadando para o lado e depois fazendo piruetas na areia. Vejo-o no Pacaembu, antes que o placar majestoso fosse destruído por uma reforma, fanático por um Corinthians que Pelé parecia ter um prazer perverso e especial em enfrentar, talvez por causa da torcida única em sua fidelidade barulhenta a um time que não ganhava nada fazia tanto tempo. Vejo-o nas manhãs de domingo no Ibirapuera, ele, mamãe e os filhos, tomando sorvete no quiosque amarelo de um italiano mal-humorado. Vejo-o na platéia nos jogos que disputei garoto, primeiro futebol de salão, depois de campo. Vejo-o na redação, com um cigarro no canto da boca, escrevendo textos com sua prosa machadiana, com a qual fez um dia um dos artigos mais belos que jamais li, Mãe, em homenagem à minha avó Alice, provavelmente a pessoa que papai mais amou e admirou. Vejo-o na missa na capelinha de madeira da Valdomiro Fleury, um católico praticante que um dia brigou com um padre por não achar que ele teve sensibilidade para falar, diante da mãe enlutada, sobre uma garota do bairro morta num acidente de moto antes dos 20. Vejo-o chegar à noite em casa, quase sempre o maior momento do dia para meus irmãos e eu. Vejo-o no palco do Tuca em 1979, dizendo a jornalistas loucos para entrar em greve que era um erro. Vejo-o estoicamente calmo diante dos insultos recebidos por não defender a greve, e eu a seu lado querendo subir ao palco e brigar com os detratores, e rio agora ao me lembrar de um obituário em que outro grande jornalista daqueles dias, Ruy Lopes, escreveu que papai ficou abalado naquele dia no Tuca; ora, eu sim fiquei, mas ele parecia depois ter saído de um jogo de futebol. E vejo-o aderir à greve, uma vez mais, e pagar o preço pela decisão.

E vejo-o doente, uma cena rara para um homem vigoroso, exuberante, que jamais deixara de ir ao trabalho por razões de saúde. Uma dor súbita, na altura da cintura, só aplacada com injeções em farmácias e num pronto-socorro perto de casa, e depois exames em série que inicialmente nos deram uma tranquilidade que logo se revelaria enganosa. Em pouco tempo papai estava à morte no hospital, na madrugada que abre este artigo, o nosso 11 de Setembro particular. Ainda encontrou forças para ditar a minha ex-mulher, então namorada, um último artigo para uma coluna amigável, nada professoral de português, A Língua Nossa de Cada Dia. Papai era versado em português. Fora professor de literatura. Dava aulas de pé, sem consultar livro nenhum; tinha os poemas na cabeça e falava das diversas escolas literárias com a facilidade com que um torcedor fala de seu time. Estudara latim ao ingressar no final década de 40 na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, onde conheceu minha mãe, uma jovem de Ribeirão Preto que tivera que batalhar depois que o pai fazendeiro, meu avô Maneco, se arruinou na crise do café de 29. Papai entrou em primeiro lugar na faculdade, e eu só fui saber estes dias, quando meu filho Pedro fez uma pesquisa sobre o avô no dia de sua morte. Gostava de contar a história de um pássaro que se recusou a sair da gaiola numa aula em que ele estava falando aos alunos sobre a liberdade. Papai abriu a gaiola, mas o passarinho teimou em ficar preso, e ouvi várias vezes este episódio que me ensinou alguma coisa sobre os paradoxos da liberdade.

Papai com as três irmãs: Maria Ely, Teté e Therezinha (da esquerda para a direita)

Papai não gostava de falar de si próprio. Dos outros, sim. Ouvi-o várias vezes se referir com admiração a Mario Mazzei Guimarães, que ocupou postos importantes na Folha nos anos 50, e que escrevia uma coluna sob o pseudônimo de Pedro Leite. Também falava muito de José Reis, o cientista e jornalista que Octavio Frias pôs no comando da Folha ao comprá-la de Nabantino. Com Reis, que escreveu o artigo mais tocante e profundo sobre papai em sua morte, e com quem ele trabalhou diretamente alguns anos, papai viveu seus dias mais ensolarados na carreira, é a sensação que tenho. Era menino, e posso estar enganado, mas meu pai me parecia particularmente feliz naquela época. Reis e ele, separados por 20 anos na idade, sendo papai o mais novo, eram parecidos na visão e nos princípios pessoais e jornalísticos. Reis foi padrinho de minha irmã caçula, Kika. No obituário de papai, Reis se referiu a uma “criatura incomum, pessoal e profissionalmente”. Claudio Abramo, um dos mais aclamados jornalistas de sua geração, um intelectual cosmopolita a quem papai transmitiu a importância de ler não só os grandes de fora mas também Machado de Assis, um editor explosivo e elegante que se movimentava apoiado numa bengala que lhe dava ares europeus, escreveu que papai tinha o atributo essencial do grande editor: a capacidade de distinguir o que vai para a primeira página do que deve ir lá para dentro do jornal ou simplesmente ser atirado à lata de lixo.

Montaigne escreveu em seus Ensaios que a estatura de um homem se mede efetivamente na atitude perante a morte. Sócrates, Catão, Sêneca enfrentaram a morte serenamente, e deram um exemplo para a humanidade. É uma passagem de Montaigne à qual volto constantemente, e ao lê-la penso sempre em papai. Na doença que o devastou e matou com rapidez, câncer no pâncreas, papai foi um bravo. Nunca ouvi uma única queixa, sequer nos momentos em que não podia beber água, e a sede era precariamente aplacada por um pano molhado e levado a seus lábios. Ele nos confortou, a todos que o víamos morrer encolhidos e assustados e sinistramente impotentes, numa inversão formidável de papéis.

Lembro-me de ter colocado nele os óculos no caixão. Não conseguia imaginar meu pai sem óculos. Quid non imminuit dies? O que o tempo não destrói? Algumas coisas talvez resistam ao correr dos longos dias, para lembrar uma expressão de Machado de Assis, que meu pai leu na juventude com anotações a caneta numa coleção completa de capa dura e verde, e não são necessariamente boas. A morte de papai, aos 55 anos, um leão dizimado tão rápido pelo câncer, me atirou num estado de orfandade, de solidão, de melancolia, de revolta infantil que jamais me deixou por completo.

Trading: Como Analisar ao Detalhe Um Jogo de Futebol

Entenda como é feita a análise de uma partida de futebol no trading esportivo. Abordaremos um assunto muito interessante, ainda mais para as pessoas que estão começando agora nesse mundo das apostas desportivas.

Como analisar uma partida de futebol no trading esportivo?

Existem vários fatores que podemos analisar durante ou até mesmo antes da partida de futebol. Iremos falar um pouco mais de quais fatores que levamos em maior consideração para a realização da análise no trading esportivo.

Os fatores mais importantes para que possamos realizar a análise

Primeiramente vamos precisar dividir em duas etapas para que fique mais fácil de se compreender. Uma delas é a parte pré live e a outra é a live.

Um fator apenas que é preciso diferenciar é o fato que o trading pré-live e trading live são diferentes, assim como suas noções do que é valor.

Como foi dito, o trading pré-live enxerga valor da mesma forma que o mercado punter, ou seja, no preço positivamente discrepante da probabilidade considerada real, enquanto no trading live, o valor se encontraria em uma “situação”. Porém ambos são regidos pela mesma orquestra: a teoria do mercado eficiente, que com nossa interpretação de certas informações, nos faz apostar em determinadas linhas e assim mover odds e consequentemente essas linhas. É uma teoria pessoal sobre o assunto, com pouco crédito, pois a maioria ainda enxerga o trading em critérios de valor da mesma forma que o mercado punter. Assim, ignorando por completo a lógica presente nas ações no mercado e também a própria teoria do mercado eficiente, mesmo não sendo definitiva, é oscilante e existe em determinados momentos, sendo constante no evento ao vivo, ainda que de uma forma subjetiva.

Os princípios do trading com o foco no Pré Live é o mesmo de um punter no futebol.

A principio é preciso apenas encontrar uma cota que provavelmente irá ganhar valor ou perder, ou seja oscilar e assim ficar do lado certo da linha. O Valor dito aqui é o de número de apostas, pois quando uma COTA é massacrada por apostas ela irá cair e nisso ganhará muito valor, ou seja, ficará supervalorizada, isso não quer dizer que ela tenha valor em longo prazo, pois o próprio nome sugerido sobre o termo “supervalorizado” nos diz que aquilo ganhou um valor quase irreal, ou irreal de fato e perde valor para investimento no longo prazo.

Valorizando demais ou perdendo valor.

O mais simples não é ESPECULAR e entrar no “achismo”, pensando sobre qual time é melhor, que aquele time vai vencer e outras tantas coisas que nada nos ajudam no final das contas. O mais simples seria seguir o mesmo raciocínio de qualquer punter de sucesso: encontrar valor em uma aposta e pegá-la assim que o mercado abrir.

Os traders profissionais derrubam as cotas que têm valor. Pois atrás deles vem outros tantos apostadores, seguidores que vão massacrar aquela cota, fazendo o mercado oscilar.

Regras básicas

  • 1. Escolha sempre Ligas que você tenha acesso a todo o tipo de informação possível.
  • 2. Esteja a par de toda a situação da liga e dos confrontos que irão acontecer antes das odds para aquela Rodada ficarem disponíveis.
  • 3. Trabalhe sempre na abertura do mercado. Essa é a regra vital. Fique atento sempre quando as odds abrirem e se mantenha informado sobre tudo a respeito que acontece nessa liga, para assim que abrir o mercado você saber se a linha é justa, vantajosa ou injusta. E assim terá vantagem sobre outros apostadores na hora de tomar a sua decisão. E pegará odds melhores. Saindo na frente de muitos. E como sua preferência é fechar a posição antes do evento começar, pegar a cota na abertura, na maior cotação possível é algo VITAL e Lucrativo.
  • 4. Procure por valores explícitos. Algo que todos possam ver com maior clareza. Pois ao contrário de um punter, você quer fechar essa aposta logo. Então será mais fácil quando todos conseguirem ver com mais facilidade um valor naquela aposta.

Abaixo os princípios para uma decisão conforme o peso. Quanto menor o número atribuído maior o peso na escolha.

Fatores com maior influência:

1º Pagamentos atrasados

Hoje em dia escolhemos apenas algumas ligas onde temos um acesso maior a informação, isso é um principio fixo, você deve sempre trabalhar com ligas que você tenha a mão sempre o maior número de informações possíveis. Ou ter contato com quem as tenha. Por isso a interação entre apostadores do mundo todo é algo de um valor inestimável.
No caso assim, tendo acesso a estas informações, você consegue saber por exemplo, se os salários estão em dia, se houve atraso. Ou se o clube está em situação financeira precária. Pois no futebol o que manda e desmanda é o dinheiro. Clubes com uma situação financeira ruim e salários atrasados podem sofrer boicotes. Quase sempre sofrem. Fiquem sempre atentos a isso. É o que mais vai pesar na decisão de vocês.

2º Grupo rachado

Além da falta de pagamento existem outras coisas que podem fazer um grupo se voltar contra seus comandantes ou contra seus colegas de trabalho. Um clima ruim entre certos jogadores. Um desacerto de pensamento entre o grupo e o treinador. Entre desconfortos com salários atrasados são motivos para rachar um grupo e dividir as opiniões internas. Fiquem atentos a isso.

3º Escalação

Quando um clube joga mais de uma competição ao mesmo tempo é normal poupar jogadores e preservar algumas peças do elenco. Outras vezes temos problemas com lesões, chamadas para a seleção e suspensões que vão influenciar muito na hora da grande maioria tomar uma decisão sobre aquela aposta. Aqui como tarders e também como um apostador punter, você está nem ai para quem vai vencer esse confronto de fato, um punter procura o valor na aposta e você trader vai procurar o mesmo, a diferença é que você quer que ela oscile logo para você poder fechar a posição, então encontrar algo mais explicito é sempre mais seguro para operar.

4º Motivação

Em certos momentos a motivação para o elenco de um clube vencer aquele confronto pode ser muito forte. E falo mais do ponto de vista monetário. Pois os clubes já dão o velho, “bicho” por um objetivo alcançado, uma remuneração extra para bater uma meta, mas às vezes esse valor é algo muito atraente, algo que pode motivar ainda mais o elenco. Fora essa motivação financeira, tem a motivação por pressão da torcida, dirigentes e tudo mais. Mas essa é mais difícil de palpar. A melhor situação vai ser sempre essa combinação de uma motivação por pressão com uma quantia financeira muito atraente no meio. E temos que levar em conta a total falta de motivação também.

5º Mando de jogo

Às vezes uma equipe tem que jogar fora de seu estádio, fora de sua casa e mesmo tendo o mando de campo, acaba enfrentando o adversário em um campo Neutro e às vezes, esse campo neutro acaba ficando em regiões onde o maior número de torcedores são da equipe adversária. Nisso temos uma inversão do mando de campo, que poderá ser decisiva no final das contas.

6º A fase

A fase da equipa também vai ser determinante na hora da grande maioria tomar a sua decisão de aposta. E temos que lembrar que não vamos entrar no LIVE desse confronto, o que queremos é que a massa apostadora faça a cota que pegamos oscilar para o lado lucrativo. Assim a fase da equipe sendo boa ou ruim vai influenciar muitas decisões de aposta, então às vezes mesmo sendo uma cota MENOS EV ela deve variar, não impede que isso aconteça e você fica livre para pegar qualquer cotação nesse sentido.

Analisando as partidas ao vivo

As partidas em live nos dão uma grande quantidade de informações qualitativas sobre o que se passa em campo. Tais informações são tão importantes que não se torna necessário dedicar tanto tempo nas análises pré-live. Podemos afirmar que não é um estudo pré-live que vai fazer você ter consistência. Ele pode sim te ajudar nessa questão, mas não é o fator principal.

Primeira coisa a analisar em “live” é se a expectativa pré-jogo corresponde à realidade do que se passa em campo. Isto é, verificar se as odds iniciais estão de acordo com o que se passa em campo.

Imagine um time com uma odd de @1.50. Sua característica principal é jogar pressionando o adversário dentro de casa. Se a partida iniciar dessa forma, significa que a expectativa corresponde à realidade. Logo, as odds iniciais estão de acordo com o que se passa em campo.

Agora invertendo o cenário…

Imagine que essa mesma equipa não está pressionando como de costume — ou até mesmo está sendo pressionada. Nesse cenário acontece a correção ou ajuste de odds. A odd inicial de @1.50 não condiz com o que se passa em campo, portanto, ela irá subir e a odd de seu adversário irá descer.

Mas esse é só um exemplo, pois existem correções diferentes para cada partida. É preciso algum tempo de tela e conhecer um pouco as equipes para entender se realmente haverá correção de odds ou não.

O que devemos procurar analisar em uma partida de futebol?

Os principais fatores que devemos nos atentar ao analisar uma partida, são as características das equipas, como por exemplo:

Contra ataque
  • Um time com características de contra ataque pode facilmente aparentar uma suposta inferioridade em campo e levar ao erro um trader com uma experiência menor.
Posse de bola
  • PTambém é um fator muito analisado, porém é preciso ter cuidado pois há diferentes formas de posse. Um time pode ter a posse, mas pode não estar conseguir penetrar na defesa para agredir o adversário.
Ataque e defesa
  • Jogos entre dos times com características de ataque podem tornar a partida muito aberta, com grande expectativa de gols. O oposto ocorre em times com o estilo de jogo mais físico, que priorizam a defesa, com uma expectativa mais baixa de gols.
Bolas paradas
  • Times com características de um jogo mais físico, que costumam utilizar a bola parada como uma arma, também devem ser bem analisados. E assim por diante.
  • Essas características influenciarão em nossas tomadas de decisão no mercado. Assistindo uma grande quantidade de jogos, você passa a entender se a equipe é boa nas bolas paradas. Se a equipe joga no contra-ataque. Se podemos confiar na defesa da equipe e etc.
  • Portanto, percebendo esses detalhes, conseguimos ter uma boa análise do que fazer durante a partida de futebol.

Podemos concluir sobre as análises

São importantes, mas para cada pessoa têm um grau de importância diferente. Tem pessoas que preferem o pré live, outras já gostam mais do live. Mas encontrar a que melhor se encaixa no seu perfil e que dá bons retornos a longo prazo é fundamental.

Finalmente, para que possa aplicar essas análises da melhor forma possível, subscreva a um dos planos do TDS e tenha acesso às melhores tips como primeiro passo (e talvez o mais importante). E, para não perder nada, basta entrar no nosso canal no Telegram aqui abaixo.

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