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Jogo arena esportiva

Enrico NazaréAutor da publicação: Enrico Nazaré

Não é difícil que, ao ligar a TV, você veja uma propaganda de algum site de apostas esportivas. As inserções, principalmente em canais do ramo, já são comuns no país e falam diretamente a um público interessado em "tentar a sorte" e adivinhar os resultados.

O mercado brasileiro se mostra promissor. Por ano, são movimentados cerca de R$ 4 bilhões no Brasil, em mais de 500 sites que oferecem apostas de jogos esportivos brasileiros, de acordo com um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) encomendado pela Caixa.

O processo de apostas é simples. Geralmente, basta ao interessado fazer o registro e depositar qualquer valor por boleto bancário ou transferência por diversos meios de pagamento eletrônico. Logo sua conta será gerada com o valor do depósito inicial.

Feito isso, o apostador poderá tentar adivinhar o resultado de qualquer jogo de futebol ou diversos outros esportes (como MMA, basquete e até tênis de mesa) com o mote de quanto maior o risco, maior o retorno. Ou seja, quanto mais improvável for o resultado, maior é a recompensa em caso de acerto.

Contravenção penal

Mas tentar ganhar dinheiro fácil com apostas pode criar um grande problema. A polêmica é que, caso o site provedor das apostas esteja hospedado no Brasil, colocar dinheiro para tentar adivinhar o resultado dos jogos pode ser considerado uma contravenção penal.

A lei brasileira considera lícito apenas os jogos administrados pela Caixa, além de apostas em corridas de cavalo no jóquei. Qualquer outra aposta não regulamentada pelo banco estatal é considerada infração.

"A discussão em relação aos jogos de apostas virtuais é de onde está a banca, ou seja, onde você aposta seu dinheiro. Isso porque existem diversos sites de apostas mundiais onde brasileiros ou gente de todo mundo joga", disse o advogado criminalista Jair Jaloreto.

De acordo com ele, é dessa forma que sites como Sportingbet, BET360 ou 188BET, os maiores em atuação no Brasil, conseguem fugir da lei brasileira ao hospedar suas bancas em outros países cujas legislações legalizam esse tipo de jogo.

"A manutenção de um site desses no Brasil, para mim, é contravenção penal", afirmou. "Mas, se a aposta é feita no exterior, mesmo que o evento esteja no Brasil, a operação é considerada como feita fora daqui. Portanto, se estiver em um país que libere, eu não entendo que isso seja ilícito", disse.

Dessa forma, o entendimento atual é de que o apostador que realizar seus palpites em um site registrado fora do Brasil não estará cometendo crime ou qualquer tipo de contravenção penal.

O jogador também deve tomar cuidado caso ganhe dinheiro de um site estrangeiro. Por isso deve sempre declarar à Receita Federal o valor recebido em apostas.

"Pode ser considerado um crime de evasão de divisas receber valores lá fora e não declarar. Exemplo: se você ganhou R$ 300 mil lá fora, você tem de declarar e pagar imposto sobre isso. Dessa forma, o dinheiro fica lícito", afirmou o advogado.

Riscos

A facilidade, contudo, não quer dizer que as apostas online em bolsas esportivas não tragam riscos aos palpiteiros. Além do perigo normal e previsível (de errar o palpite e perder todo o capital), há também a ameaça do calote.

Na 13ª rodada do Campeonato Brasileiro do ano passado, por exemplo, oito dos dez jogos acabaram tendo os visitantes como vencedores. Isso quase quebrou a banca de algumas casas de apostas que não conseguiram honrar seus pagamentos.

"Essa rodada específica gerou premiações muito altas, e os apostadores ficaram sem receber", disse Pedro Tengrouse, professor da FGV e um dos autores do estudo sobre os jogos de azar esportivos.

Segundo Tengrouse, o calote acontece porque, sem a liberação desse tipo de jogo, o apostador fica sem ter a quem recorrer. Além disso, sem fiscalização, fica mais difícil controlar fraudes esportivas, como a manipulação de resultados, por exemplo.

"A falta de regulamentação coloca em risco a legalidade do esporte e a economia popular, pois os apostadores não têm nenhuma proteção", declarou.

"O esporte fica à mercê da máfia das apostas porque, sem monitoramento, você não consegue combater a manipulação dos resultados", disse.

A CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) do Senado rejeitou neste ano a aprovação do projeto de lei (PLS 186/2014) que visa à exploração de bingos, jogo do bicho, videojogo e outras modalidades de apostas de forma legal.

Antes, a CEDN (Comissão Especial do Desenvolvimento Nacional) havia aprovado a regulamentação da mesma lei. Cabe agora ao plenário da Casa votar o projeto assim que ele for colocado em votação, mas não há previsão para que isso ocorra.

Se não sabe responder a estas 5 questões, será muito difícil ficar rico

Como ganhar dinheiro em sites de apostas esportivas

Por Nilton Kleina

Você é uma daquelas pessoas tão fanáticas por esportes que adivinha os placares antes mesmo de as partidas começarem? Acerta o campeão do ano, o vencedor do dia e até a diferença de pontos entre as equipes?

Existe bastante gente assim que usa essas habilidades não só para impressionar os amigos ou ganhar uma cerveja deles. Essas pessoas são cadastradas em sites de apostas esportivas e ganham uma quantia bastante considerável ao "chutar" resultados e variáveis dos mais diversos campeonatos ao redor do mundo.

A seguir, você conhece um pouco mais sobre esse meio nem tão obscuro assim dos sites de apostas, assim como algumas dicas para entrar nesse mundo de sorte ou azar.

Pode confiar

Pode confiar

É muito fácil ser enganado por sites de apostas que prometem pagamentos altos demais ou aparecem volta e meia como spam. Por isso, fique de olho nos mais confiáveis ou populares e que realmente levam o jogo a sério.

bet365

Também disponível em português, o bet365 é bastante indicado para quem já tem um pé nas apostas esportivas. O destaque é a quantidade de possibilidades: são dezenas de modalidades esportivas diferentes. A interface parece bem poluída de início, mas se mostra bem completa quando você aprende a interpretar os números.

Sportingbet

O Sportingbet também é bastante conceituado e muito se dá ao fato de ele ser um dos pioneiros. Criado em 1998, ele se destaca pela interface de múltiplas apostas. A organização vem em primeiro lugar e todos os principais esportes do mundo são cobertos. Também não faltam promoções para novos e velhos associados.

Betboo

O Betboo você pode não conhecer, mas não faltam elogios à página. Esse site é direcionado diretamente ao público brasileiro, o que significa que nele você encontra facilidade de uso e disponibilidade das atividades esportivas mais populares no país. As cotações das apostas também são chamativas.

Betfair

O Betfair é um site britânico que cresceu bastante em popularidade recentemente. Parte disso se deve ao sistema de entrar e sair de apostas a qualquer momento (não só antes de uma partida começar), que aqui é bastante dinâmico e fácil de ser realizado. A quantidade de partidas ao redor do mundo é impressionante: pegando só o futebol como exemplo, ele disponibiliza apostas desde jogos da UEFA Champions League até campeonatos de categorias de base.

Peraí, mas isso é legal?

A questão jurídica envolvendo os sites de aposta é um pouco obscura. Em teoria, você deveria ver o Sol nascer quadrado por participação em jogos de azar. Porém, a internet explora uma nebulosidade na legislação e torna a prática isenta de criminalização.

A lei que proíbe esse tipo de jogo é de 1946 e fala mais especificamente sobre casas de apostas, ou seja, estabelecimentos físicos para jogos de azar. Porém, estamos falando de sites. Por isso, você pode apostar em páginas gringas ou brasileiras que são hospedadas no exterior. Tecnicamente, você não está praticando a jogatina em um local brasileiro.

Em resumo, sites de apostas não são ilegais, mas também não são regularizados. É curioso pensar que, se a legalização acontecesse, a arrecadação de impostos para o governo seria bem generosa. Porém, são poucas as iniciativas de políticos na área: o PLS 186/14 deve ir à Câmara para discussão, mas as brechas são tantas que devem ser necessárias inúmeras sessões até que o texto final seja elaborado.

Cadastro e depósitos

Além de serem atividades próprias para maiores de 18 anos, as apostas desportivas necessitam de um depósito inicial do membro — ou seja, você não pode apostar o que não tiver e é preciso começar com alguma quantia em sua carteira.

Os serviços que aceitam depósitos são bastante variados, e essa disponibilidade pode ser o diferencial na hora de você fazer o cadastro em algum deles. A grande maioria suporta pagamentos de cartões de crédito internacional e até pagamentos via boleto bancário. Porém, como a transferência normalmente é para o exterior, fique de olho nos impostos.

Sites como o Betfair operam com dólar, então tome cuidado com a cotação se a negociação não for direta em reais. Além disso, alguns exigem um valor mínimo para operarem, o que pode estar bem acima do seu orçamento inicial. Leia bem os termos de serviço e eventuais respostas às perguntas mais frequentes de cada página.

Serviços como Neteller, Skrill e Entropay também podem ser usados. Eles são carteiras virtuais intermediárias e, apesar de também cobrarem taxas, são os métodos mais rápidos de depósito e saque em alguns dos sites. Algumas páginas ainda aceitam pagamento por boleto bancário e transferência bancária. Não se esqueça que

Esportes e apostas

Esportes e apostas

Alguns dos sites mais voltados para iniciantes não possuem grande variedade de esportes, mas é possível se perder em meio a tantas partidas e torneios. O Betfair tem desde competições tradicionais de futebol, basquete e MMA até eSports e corridas de cavalo (reais ou virtuais). A Bet365 também cobre as principais modalidades, fornecendo ainda badminton, polo aquático e sinuca.

Os sites mais completos não se contentam em vender só os placares. Em partidas populares, você pode apostar até em quem vai fazer o primeiro gol (time ou jogador) ou se ambas as equipes vão pontuar. Normalmente, é muito fácil colocar dinheiro em um jogo. Se você tiver uma verba controlada ou tendência a se viciar, é neste momento que é necessário pensar um pouco antes de colocar fundos na carteira virtual.

Vale ressaltar que sites como o Betfair possuem a taxa de resgate: se você quiser dar cashout (reembolsar) o valor apostado antes do final da partida, pode fazer isso recuperando um valor parcial — que até pode vir acompanhado de lucro, se no momento você estiver em vantagem na aposta.

Comece pelos livros

Alegando faturar R$ 15 mil por mês na área, Juliano Fontes é tido como "o guru da bolsa esportiva". Ele lançou o livro "Invista em Futebol" para que outras pessoas consigam renda extra (ou seja, sem precisar abandonar o emprego) usando apostas no esporte mais famoso do Brasil. Misturando dicas com um estilo quase de autoajuda, ele ainda avisa: nunca aposte no seu time com o coração.

O eBook "Aprendendo Apostas Esportivas" tem um estilo de manual ou passo a passo contendo o básico para quem é iniciante e deseja ingressar na área. Ele é idealizado por dois conhecidos apostadores brasileiros, Thiago "Tiquinho" Pessoa e Gustavo Maturano.

Em inglês nos formatos físico e digital, "Betting to Win: A Professional Guide to Profitable Betting" é um livro sobre apostas profissionais baseado em um estudo acadêmico do professor Leighton Vaughan Williams. Dedicado aos apostadores mais hardcores que desejam um conhecimento adicional e mais fundamentado.

Spread Betting, de Andrew Burke, foi lançado em 1997 e ainda é uma das grandes fontes de apostadores esportivos. O livro não chega a detalhar os sites, mas cobre diversos esportes e tem dicas quentes para novatos e veteranos.

Jogo arena esportiva

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que o governo lutará até o fim para impedir a 'politização' do julgamento do TCU sobre o balanço das contas do ano passado da presidente Dilma Rousseff e criticou o PSDB. "Querem transformar um julgamento técnico em decisão de arena esportiva", disse o ministro, em entrevista ao Estado. "Estamos há anos-luz de distância de uma base jurídica para impeachment."

A tendência do governo é recorrer ao Supremo Tribunal Federal, caso o TCU reprove as contas de Dilma.

Sobrevivente da reforma ministerial, mesmo a contragosto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Cardozo garantiu que "jamais" vai interferir em investigações. "Se esperam que eu controle investigações, para favorecer amigos e para prejudicar inimigos, saibam que de mim jamais terão essa possibilidade."

Cardozo afirma que o governo tem clareza da suspeição do ministro Augusto Nardes, relator do processo que julga as contas da presidente Dilma no TCU, e por isso pede ser afastamento. "Ele chegou a dizer que o Brasil não era uma Grécia, que faria história ao mudar a posição do TCU e que buscaria a rejeição das contas. Um magistrado não pode fazer isso. Queremos um julgamento em bases legais", completa.

O ministro da Justiça diz ter ficado espantado com o fato de Nardes ter "recebido parlamentares de oposição e ter sido aplaudido por eles após sua manifestação". Para Cardozo, também é curiosa a manifestação de líderes oposicionistas dizendo que estavam 'marcando homem a homem' ministros do TCU. "Essa é uma expressão que se usa para jogo de futebol. Querem transformar um julgamento técnico em decisão de arena esportiva. É lamentável".

Questionado sobre a frase do senador Aécio Neves, presidente do PSDB, de que a ofensiva do governo sobre o TCU é uma 'agressão à democracia', o ministro se defende afirmando que "no dia em que uma petição for uma agressão à democracia, coitado do cidadão. Isso só pode ser fruto de mentes autoritárias que ainda hoje não assimilaram bem a democracia".

Sobre a possibilidade de evitar o impeachment o ministro diz que o País está "há anos-luz de distância de uma base jurídica para impeachment". "Mesmo os juristas que tentam fazer isso estão engajados numa luta com correntes oposicionistas (um deles é Hélio Bicudo, que se desfiliou do PT em 2005, após o escândalo do mensalão). Trata-se de uma tentativa de se politizar a questão. O que existe agora é uma base aliada coesa. Voltamos a ter governabilidade para sair da crise econômica".

Cardozo diz que nunca ouviu nenhuma crítica a seu trabalho "diretamente do presidente Lula". "Se alguém tem pretensão a aplausos unânimes, que nunca aceite ser ministro da Justiça. Se esperam que eu controle investigações, para favorecer amigos e para prejudicar inimigos, saibam que de mim jamais terão essa possibilidade."

O Kosovo e o papel do esporte na construção de sua imagem nacional e reconhecimento internacional

Por Emanuel Leite Jr.

Desde que se declarou independente da Sérvia em 17 de fevereiro de 2008, o Kosovo tem lutado pelo reconhecimento internacional de sua independência. Por razões geopolíticas, a declaração unilateral kosovar é razão de uma complexa disputa e, por isso, o Kosovo até hoje não foi aceito como membro das Nações Unidas (ONU). Apenas 98 dos 193 integrantes da ONU (51%) reconhecem-no como um país. Cientes das dificuldades no campo da diplomacia tradicional, as autoridades públicas e políticas kosovares passaram, então, a apostar na diplomacia do esporte na busca pela construção de sua imagem nacional e do desejado reconhecimento internacional. E como esporte é também geopolítica, na noite de 31 de março de 2021, a televisão estatal espanhola RTVE se recusou a tratar o adversário da seleção da Espanha como o time de um estado soberano, inclusive grafando a abreviatura “kos”, em letras minúsculas. Isso porque a Espanha é um dos cinco de 27 membros da União Europeia que não reconhecem o Kosovo.

Ao longo do século 20, o esporte, como fenômeno cultural e espetáculo de massas que representa, foi se consolidando como uma manifestação de caráter internacional. Como nos lembra o historiador Eric Hobsbawm, foi no período entre as duas grandes guerras mundiais que o esporte se tornou, definitivamente, “uma expressão de luta nacional, com os esportistas representando seus Estados ou nações, expressões fundamentais de suas comunidades imaginadas”. Falando mais especificamente do futebol, Hobsbawm acrescenta que “a imaginária comunidade de milhões, parece mais real na forma de um time de onze pessoas com um nome. O indivíduo, mesmo aquele que apenas torce, torna-se o próprio símbolo de sua nação”.

O historiador recorre ao termo de Benedict Anderson – “comunidade imaginária” – para fundamentar que a ideia de que as pessoas que vivem em um mesmo país estão ligadas umas às outras, mesmo sem nunca se conhecerem, se torna mais latente quando a seleção nacional de futebol entra em campo. Em outra obra, Hobsbawm volta a ressaltar o que considera poder dinamizador do futebol. “Praticamente desde que adquiriu um público de massa, esse esporte tem sido o catalisador de duas formas de identificação grupal: a local (com o clube) e a nacional (com a seleção nacional)”.

Para o sociólogo Richard Giulianotti “o futebol é uma das grandes instituições culturais, como a educação e os meios de comunicação de massa, que forma e consolidam identidades nacionais no mundo inteiro”. Por essa razão, vários autores, de diversos campos das ciências humanas, reforçam a ideia de que o esporte tem sido usado na construção da identidade nacional, servindo como um forte recurso simbólico e cultural, bem como fomentador do orgulho nacional ou da reputação e do reconhecimento internacional (Brentin & Tregoures), por isso é impossível dissociar a história do esporte moderno destes elementos e também da diplomacia pública (Cha).

Sabendo desta capacidade instigadora do esporte, em particular o esporte de alta competição internacional, a diplomacia kosovar, sem deixar de lado, obviamente, os meios da diplomacia tradicional, voltou suas atenções e seus esforços para o campo da diplomacia do esporte, buscando o reconhecimento internacional na arena esportiva, principalmente no Comitê Olímpico Internacional (COI) e no futebol na Fifa e Uefa. Uma estratégia de soft power com o objetivo de criar em um primeiro momento uma imagem deste novo país, para depois, a partir da existência deste reconhecimento simbólico, moldar uma imagem positiva e, portanto, atrativa, o que na literatura especializada se define como “nation branding“. Ao mesmo tempo em que esse esforço de mobilização internacional também permite ao poder político local estabelecer um senso de unidade nacional, a tal comunidade imaginada. E, assim, nestas duas frentes – doméstica e internacional – criar e consolidar os elementos de Estado (governo, território, povo) na “seleção nacional”.

Utilizando-se de outro instrumento da diplomacia pública suave (agentes não-estatais), o Kosovo recorreu, por exemplo, a futebolistas de origem kosovar, mas que atuavam por outras seleções nacionais, para persuadirem as instâncias futebolísticas. Em 2012, Lorik Cana (Albânia), Xherdan Shaqiri, Valon Behrami e Granit Xhaka (Suíça) escreveram uma carta aberta endereçada à Fifa, pleiteando que o Kosovo tivesse o direito a disputar amistosos internacionais. Na ocasião, o então vice-ministro das Relações Exteriores kosovar, Petrit Selimi, afirmou que “ser reconhecido no campo do futebol tem uma ressonância muito maior do que num bastidor qualquer em Bruxelas”. O fundamental, na avaliação das autoridades do país, era marcar presença na esfera internacional.

Após muitas discussões e negociações que também envolveram a Sérvia, país do qual, recorde-se o Kosovo se proclamou independente unilateralmente, em 2013 a FIFA sinalizou que iria aceitar que um selecionado kosovar realizasse jogos amistosos, desde que não houvesse bandeiras e execução de hinos nacionais. Ao entrar em campo pela primeira vez, no dia 5 de março de 2014, para um amistoso com a seleção do Haiti, a sensação que seu povo teve foi de como se, finalmente, a sua nação estivesse reconhecida. E foi precisamente o futebol que deu aos kosovares o senso de reconhecimento internacional à sua identidade nacional.

O triunfo da diplomacia do esporte do Kosovo, contudo, ainda levaria um tempo até se concretizar. Primeiro, o reconhecimento olímpico. Quando a 9 de dezembro de 2014, o COI aceitou a adesão efetiva do Comitê Olímpico do Kosovo. No futebol, isso só aconteceria em maio de 2016. No dia 3, a Federação Kosovar de Futebol passa a ser membro pleno da UEFA e no dia 16, da FIFA. Desde então, antes da atual eliminatória para a Copa do Mundo 2022, o Kosovo já participou das eliminatórias para a Copa do Mundo 2018 e Euro 2020, além de ter jogado no quarto escalão da Liga das Nações 2018/19, subindo para o terceiro nível em 2020/21.

A recusa espanhola

A Espanha é o único país da Europa Ocidental a não reconhecer a independência do Kosovo. Ao contrário do que acontece com relação à posição de países como Rússia e China, que não reconhecem o Kosovo por causa das suas relações próximas com a Sérvia, o caso espanhol tem a ver com a política doméstica. A alegação do governo espanhol é que a autoproclamação de soberania fere o direito internacional. Assim, a Espanha manda um recado aos independentistas bascos e catalães. Aliás, o governo da Comunidade Autonôma Basca de pronto sinalizou como “positiva” a independência kosovar, enquanto os partidos independentistas da Catalunha traçaram paralelos entre a situação deles e a do Kosovo.

Foi a influência política e os interesses do governo espanhol que ditaram o posicionamento da TV estatal RTVE. Na transmissão, para além das letras minúsculas “kos” em oposição às maiúsculas “ESP” nas abreviaturas dos nomes dos países (na emissão internacional da UEFA “KOS” estava em maiúsculas), evitava-se a referência ao adversário espanhol como um país, usando-se termos como “equipe do território do Kosovo”. Na crônica da partida no site oficial da seleção espanhola, tampouco há a referência ao Kosovo como um país. Enquanto o time espanhol foi referenciado como “seleção espanhola”, os kosovares apenas “combinado kosovar”. Já na ficha técnica vem ESPANHA, assim, em letras garrafais e “seleção kosovar”.

O episódio espanhol apenas reforça que a estratégia do Kosovo pela diplomacia do esporte tem sido acertada e eficaz. Por um lado, o país marca presença na arena global ao participar de jogos deste calibre. Por outro, demonstra que o incômodo da Espanha ao lidar com a situação deixa bem claro que a presença kosovar na esfera internacional é um fato inevitável. No dia 8 de setembro a Espanha vai ter que se deslocar até o “território do Kosovo”. Vamos ver como os espanhóis vão lidar com a incômoda realidade.



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