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Jogo de aposta de times como funciona

Enrico NazaréAutor da publicação: Enrico Nazaré

Estratégia de apostas no resultado ao Intervalo/Final do Jogo

Estratégia de apostas no resultado ao Intervalo/Final do Jogo

Fazer previsões do resultado ao Intervalo/Final do Jogo

Fazer previsões do resultado ao Intervalo/Final do Jogo

Estatísticas dos resultados ao Intervalo/Final do jogo

Estatísticas dos resultados ao Intervalo/Final do jogo

O futebol é muitas vezes conhecido por ser um jogo que tem duas partes e as apostas no resultado ao Intervalo/Final do Jogo não são diferentes. O que são as apostas no resultado ao Intervalo/Final do Jogo? Será que os apostadores conseguem criar uma estratégia rentável de apostas no resultado ao Intervalo/Final do Jogo? Por que motivo é que as margens da casa de apostas são tão importantes? Continue a ler para fundamentar as suas previsões nos resultados ao Intervalo/Final do Jogo.

O que são as apostas no resultado ao Intervalo/Final do Jogo?

As apostas no resultado ao Intervalo/Final do Jogo envolvem efetuar uma aposta combinada tanto no resultado ao intervalo como no resultado ao final do tempo regulamentar do jogo.

Uma aposta em como a equipa da casa ganha as duas partes é descrita como "equipa da casa/equipa da casa", enquanto que uma aposta em como a equipa visitante ganha a primeira parte, mas acaba por perder o jogo é descrita como "equipa visitante/equipa da casa".

Estatísticas dos resultados ao intervalo/final do jogo: resultados ao intervalo/final do jogo na Premier League

Abaixo, pode encontrar uma discriminação da frequência com que ocorre uma combinação de resultados ao intervalo/final do jogo na Premier League:

Resultados ao intervalo/final do jogo da Premier League (2013/14-2017/18)

Resultados ao intervalo/final do jogo da Premier League

Resultados ao intervalo/final do jogo da Premier League

Resultado no final do jogo

Na Premier League, a combinação mais comum de resultados ao Intervalo/Final do Jogo é uma vitória da equipa da casa ao intervalo que acaba por resultar numa vitória da equipa da casa no final do jogo. Este resultado ocorreu em mais de um quarto dos jogos ao longo das últimas cinco épocas da Premier League.

Resultado no final do jogo depois de vitória da equipa da casa ao intervalo

Resultado no final do jogo

Quando a equipa da casa lidera ao intervalo, normalmente ela acaba por ganhar o jogo em 81,11% das vezes. Isto reflete que as recuperações por parte das equipas visitantes são razoavelmente raras. A situação de uma equipa visitante que se encontra em posição desfavorável ao intervalo e que acaba por ganhar o jogo ocorre apenas em 5,38% dos jogos.

Resultado no final do jogo depois de empate ao intervalo

Resultado no final do jogo depois de empate ao intervalo

Resultado no final do jogo

Como será de esperar, um jogo empatado ao intervalo pode dar origem a uma diversidade maior de resultados no final do jogo. Isto faz sentido, uma vez que um resultado de empate ao intervalo sugere um encontro nivelado.

Depois do empate na primeira parte, o resultado final mais comum é o empate; no entanto, as equipas da casa acabam por vencer em mais de um terço desses jogos. Talvez o facto de estarem a jogar em casa venha a ser o fator diferenciador em jogos de nível próximo.

Resultado no final do jogo depois de vitória da equipa visitante ao intervalo

Resultado no final do jogo

Tal como acontece com as equipas da casa que se encontram a vencer ao intervalo, as equipas visitantes que se encontram na liderança ao intervalo normalmente mantêm essa liderança ou conseguem até ampliá-la mais ainda.

No entanto, uma vez mais, a vantagem de jogar em casa desempenha a sua função. As equipas da casa garantem resultados positivos depois de estarem em posições desfavoráveis em mais de 25% das vezes. As equipas da casa conseguem uma recuperação com vitória na segunda parte em 75% mais vezes do que as equipas visitantes.

Apostas no resultado ao Intervalo/Final do Jogo: o que devem os apostadores levar em consideração?

Uma coisa de que todos os apostadores devem ter conhecimento é da existência da margem da casa de apostas. Embora esta margem varie em função das casas de apostas, ela também se altera dependendo do mercado selecionado pelo apostador.

Como exemplo, estas eram as probabilidades disponibilizadas no mercado de apostas no resultado ao Intervalo/Final do Jogo numa casa de apostas antes de um jogo da Premier League entre o Burnley e o Newcastle.

Probabilidades para o resultado ao Intervalo/Final do Jogo entre o Burnley e o Newcastle

Probabilidades para o resultado ao Intervalo/Final do Jogo entre o Burnley e o Newcastle

A margem da casa de apostas no mercado de apostas no resultado ao Intervalo/Final do Jogo para este jogo é de 15,86%. Partindo do princípio de que a margem está distribuída equitativamente pelo mercado ( o que nem sempre é o caso ), cada seleção tem uma margem de 1,76%.

Estas são as probabilidades para os mercados de apostas no resultado ao intervalo e no resultado ao final do jogo para o mesmo jogo na Pinnacle.

Probabilidades para o resultado ao intervalo entre o Burnley e o Newcastle

Probabilidades para o resultado ao intervalo entre o Burnley e o Newcastle

Resultado na primeira parte

Probabilidades para o resultado no final do jogo entre o Burnley e o Newcastle

Probabilidades para o resultado no final do jogo entre o Burnley e o Newcastle

Resultado no final do jogo

No mercado da primeira parte, a casa de apostas tem uma margem de 2,57%, enquanto no mercado do final do jogo, a margem é de 1,77%. Uma vez mais, partindo do princípio de que as margens estão distribuídas equitativamente pelo mercado, cada seleção tem uma margem de 0,85% para o resultado da primeira parte e de 0,59% para o resultado no final do jogo.

Como pode ver, esta margem é muito inferior àquela presente no mercado de apostas no resultado ao Intervalo/Final do Jogo. Salvo se os apostadores conseguirem encontrar uma vantagem específica para apostarem no resultado ao Intervalo/Final do Jogo, então é provável que tenham mais vantagem em apostar no resultado de cada parte individualmente.

Estratégia de apostas no resultado ao Intervalo/Final do Jogo

Utilizando uma vez mais o jogo entre o Burnley e o Newcastle como exemplo, podemos comparar a possibilidade implícita de ocorrer um resultado ao intervalo/final do jogo dentro da média da liga.

Probabilidades para o resultado ao Intervalo/Final do Jogo entre o Burnley e o Newcastle

Probabilidades para o resultado ao Intervalo/Final do Jogo entre o Burnley e o Newcastle

Neste caso, os resultados de Empate/Empate, Burnley/Newcastle, Empate/Newcastle e Newcastle/Newcastle são classificados como sendo significativamente mais prováveis de virem a ocorrer do que a média da liga. É provável que seja simplesmente um resultado devido à natureza do jogo, uma vez que a equipa visitante é considerada a favorita para vencer o jogo.

Contudo, isto não quer dizer que não haja oportunidades disponíveis para os apostadores que conseguem encontrar equipas com um comportamento fora do normal em diferentes fases dos jogos. Talvez o mercado de apostas não tenha incorporado o facto de uma equipa poder ser uma equipa de início rápido ou uma equipa de finalização lenta.

Poderá também encontrar-se uma vantagem em torno dos encontros em que o apostador prevê que uma equipa será mais forte do que o previsto pelo mercado de apostas, embora fosse provavelmente aconselhável que tais apostadores apostassem antes nos mercados de apostas lineares ou de Handicap asiático devido a uma margem inferior.

Será que os resultados ao Intervalo/Final do Jogo variam de acordo com as ligas?

Resultados ao Intervalo/Final do Jogo da La Liga, Serie A e Premier League

Equipa da casa/Equipa da casa

Equipa da casa/Equipa visitante

Equipa visitante/Equipa visitante

Equipa visitante/Equipa da casa

Ao longo de cinco épocas, de 2013/14 a 2017/18, os resultados ao Intervalo/Final do Jogo são comparáveis nas três grandes ligas europeias. Em particular, a La Liga contém cerca de 17% de resultados "Equipa visitante/Equipa da casa" a menos e cerca de 18% de resultados "Equipa da casa/Equipa visitante" a menos comparativamente às duas outras ligas. Talvez seja menos provável que ocorram recuperações na segunda parte na La Liga.

Fazer previsões para o resultado ao Intervalo/Final do Jogo

A liga, os resultados históricos, a forma física da equipa e a maneira como as equipas abordam as diferentes fases do jogo são todas relevantes para fazer previsões para o resultado ao Intervalo/Final do Jogo. Os apostadores que procuram criar uma estratégia de apostas no resultado ao Intervalo/Final do Jogo de sucesso deverão considerar diversas perspetivas.

Embora as margens mais elevadas da casa de apostas possam desencorajar os apostadores que beneficiariam mais ao aplicarem a sua estratégia às apostas nos resultados ao intervalo e ao final do jogo isoladamente, isso não significa que os apostadores devam necessariamente sentir-se desencorajados de fazer apostas nos resultados ao Intervalo/Final do Jogo.

Talvez a percentagem de resultados ao Intervalo/Final do Jogo não esteja adequadamente refletida pelas probabilidades nas ligas de menores dimensões, ou talvez o viés do "favorito-tiro no escuro" seja prevalecente neste mercado que tem ainda de ser explorado.

As margens mais elevadas poderão indicar que este mercado pode ser menos eficiente e refletir que o valor pode estar disponível para um apostador preparado. É essencial garantir que seja esse o caso antes de optar por apostar nos resultados ao Intervalo/Final do Jogo em relação aos mercados de apostas lineares ou na primeira parte.

Certifique-se de que calcula o valor esperado para encontrar uma vantagem lucrativa e leia mais dos nossos artigos sobre estratégia de apostas para adquirir conhecimentos essenciais para as apostas.

João deixou-se agarrar pelo jogo e acabou a achar que tinha sido "mesmo burro"

Agora que o jogo online está legislado em Portugal, o Observador conta a história de João, que arriscou, perdeu quase tudo e acabou a pedir ajuda aos Jogadores Anónimos.

A nova lei do jogo online entra em vigor a 28 de junho

FRANCK FIFE/AFP/Getty Images

Este artigo foi publicado originalmente a 4/5/2015 e republicado a 25/5/2016 quando foi atribuída a primeira licença para apostas desportivas na internet.

Tinha 18 anos quando começou a ir com 12 ou 13 amigos para o Casino do Estoril. Era pela brincadeira, mas o dinheiro que ganhava agarrou-o, a ele e a mais três. No início só lá ia às sextas-feiras, depois começou a ir às sextas e sábados, até que chegou a ir grande parte da semana. Fez o que nunca sonharia fazer: estar à porta do casino às 15h, à espera que abrisse. Perto dos 40 anos, largou essa vida para entrar no mundo virtual, no jogo online. Pediu vários empréstimos de quatro mil euros, apostava aos milhares, chegou a ganhar 46 mil euros em cinco dias e mal dormia. Vendeu uma empresa por 14 mil euros e enfiou o dinheiro no jogo. Pediu um empréstimo de 20 mil euros através da conta do pai e metade do dinheiro seguiu o mesmo destino. O jogo e a vida já se baralhavam, embora nunca tenha faltado nada em casa, garante.

A mulher sabia que ele jogava, mas nunca soube a dimensão e o volume das apostas. Ainda hoje não sabe. Ela aconselhou-o a entrar nos Jogadores Anónimos, mas ele não quis saber. João nem se lembra sequer de ter tido essa conversa. Em 2014, decidiu que precisava de ajuda e inscreveu-se finalmente no grupo. Mais: entregou os cartões de crédito à mulher. “Fui mesmo burro”, diz, sem pudor. Esta é a história de João, um homem casado, com uma filha, que temeu perder tudo. Hoje diz saber o valor do dinheiro e sente-se senhor do seu destino.

A nova lei, que dá as boas-vindas ao jogo online em Portugal, foi publicada dia 29 de abril em Diário da República. Veja aqui o Explicador que o Observador preparou sobre o tema.

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“Há três anos que jogava no jogo online, mas metia pouco — eram 70, 80, 100 euros por mês. Quando recebia [o ordenado], metia lá dinheiro. Ia jogando. Quando perdia, só voltava a meter dinheiro no mês seguinte”, conta João ao Observador, num canto do terminal fluvial do Cais do Sodré. Existem vários sites online e cada um tem as suas regras, mas funcionam todos mais ou menos da mesma forma: cria-se uma conta, transfere-se dinheiro (o mínimo em alguns é 15 euros) e está-se apto a apostar. As casas de apostas ficam com uma percentagem dos lucros, algo que também acontece na hora de retirar o dinheiro da conta para o transferir para o mundo real.

“Em março de 2014 tive sorte: ganhei 46 mil euros em cinco dias. Fiquei a pensar que era fácil. A minha mulher sabia que eu jogava, mas inventei que tinha saído uma parte na raspadinha.” A seguir decidiu transferir o dinheiro da casa de apostas para a sua conta. Eram quase 45 mil euros e o site bet365, diz, bloqueou-lhe a conta. “Não posso apostar lá mais. Não me deixavam apostar mais de 12, 13 euros. Ou seja, enquanto andava a apostar 2.000 euros estava tudo bem, quando souberam que tirei o dinheiro…”, desabafa, indignado, como quem ainda não ultrapassou aquela mágoa.

As apostas de João eram maioritariamente no futebol. A estratégia era aventureira, difícil: apostar, durante um jogo, na equipa que estava a perder, acreditando que ia dar a volta ao jogo. “Há pessoas que estão a ver o jogo e analisam. Eu apostava pela estatística que o site me dava. Pelos remates, ataques, só com isso, sem conhecer sequer as equipas. Podiam ser do Japão, China…”

Durante os tais cinco dias gloriosos em que ganhou 46 mil euros, João mal dormiu. “Estava quase sempre com o telemóvel na mão. O telefone tinha de ser carregado cinco vezes por dia, ou às vezes tinha de estar sempre ligado à corrente.” Mas o facto de ver a sua conta ser bloqueada não lhe devolveu o sono, pois a seguir abriu uma outra na Betfair, outra casa de apostas online. Em dois dias chegou aos 20 mil euros – “fui perdendo até aos quatro mil e retirei”.

Mas o susto, esse maldito mensageiro que não tem por hábito bater à porta, chegaria. “Assustei-me passados sete dias [de ter ganho os 46 mil euros], porque as nossas apostas estão no histórico. Assustei-me com o valor, com o volume de apostas que fiz. Apostei 155 mil euros, e nesses cinco dias ganhei qualquer coisa como 200 mil euros, resultando daí os tais 46 mil euros.”

“Ainda hoje a minha mulher não sabe o valor das minhas apostas”

O dinheiro não tinha valor para ele. Tinha sede de jogar, estava cego, queria correr atrás do risco, da adrenalina, do prazer pelo incerto ou, quem sabe, de fazer de um qualquer Deus e prever o futuro. “Esta vida nunca me trouxe problemas. Ganhava x [de salário], pagava as despesas e colocava uma parte para o jogo. Às vezes não chegava e ia buscar mais um bocado. A minha mulher ainda hoje não sabe o volume das minhas apostas.”

E uma folha de excel, um recanto na memória ou uma gaveta por fechar com o número redondo que já perdeu, existe? Não. “Sinceramente não quero saber disso. O ano passado falei com a minha mulher e decidi que tinha de pedir ajuda. A questão é que ela pensava que eu ia ao casino gastar 50 ou 100 euros, que já era muito para ela. Mas eu gastava 1.000, 2.000…”

O jogo, diz, “é uma ilusão”. Para ganhar argumentos e uma teoria mais robusta sobre como chegou a este ponto, João agarra-se ao passado para explicar o presente. “Nunca pensei ir para a porta do casino às 15h, como se via tanta gente fazer. E, depois, dizia que lá ia uma ou duas horas e acabava por ficar 12. Quando abriu o casino de Lisboa, por exemplo, eu chegava a sair do Estoril às 20 para as três para vir a acelerar porque este fechava às quatro… aquilo não tem vantagem nenhuma.”

A certeza que agora se cola às palavras na recriminação ao passado serve também para refletir sobre a nova lei do jogo online. “Não muda nada para as pessoas. Eu acho que é só para impostos. E, depois, ou os prémios ficam mais baixos ou quando pagam retiram uma parte automaticamente para os impostos. Mas também já vi que haverá sites que vão suportar esse valor…”

Quando se toca na ferida, devagarinho, usando a palavra “viciado”, João não se encolhe, mas faz uma finta à Maradona e segue por outro lado. “Vai fazer um ano que estou nos Jogadores Anónimos. Até entrar achava que estava tudo bem. O meu medo foi não conseguir apostar só dez euros. Pensei que tinha de desligar disto. Agora teria de apostar algo como 500, 600, 1.000 euros.” Este agora ex-jogador de jogo online fala com desprendimento e sem reservas sobre essas reuniões que frequenta em Carcavelos, onde 20, 30 pessoas se encontram para falar de tudo, não só de jogo. Com algum peso na voz, João recorda um rapaz que por lá passou, mas pouco tempo. “Tem 23 anos e já jogava há dois. Falei um bocado com ele e ele contou-me que deixou de sair com a namorada e que não largava o computador. Às vezes nem jantava. Deixou de aparecer”, conta.

“Só fiz mal a mim”, assegura. “Nunca falhou nada em casa, mas podia ter outras coisas. Vejo ali pessoas, nos Jogadores Anónimos (JA), que me fazem pensar. Uns já estão bem, outros ainda não, mas há histórias de quem lá chegou com quatro euros no bolso para o mês inteiro e sem nada para comer — houve um que passou um mês a comer esparguete com atum. O meu caso não foi esse — eu tenho duas casas, dois carros e uma mota –, por isso às vezes devem pensar que sou maluco quando me ponho lá a falar.”

Esse grupo de ajuda já havia sido mencionado pela sua mulher, há três anos. Três anos. Mas ele não ouviu, não quis ouvir, não estava capaz de ouvir. A única melodia que entrava nos ouvidos de João era o som mágico do cifrão a bater no fundo da conta, ou a falhar o alvo. Agora, foi por ele. “Houve lá um dos JA a perguntar se já fiz o quarto passo — quanto gastei? –, mas não vou fazer isso. Uma coisa é certa: uma das duas casas que tenho estava paga de certeza. Fiz empréstimos às Cofidis, Cetelems, etc. Aquilo acabava-se de pagar e pedia outro. À Cofidis pedi quatro vezes 4.000 euros. Não foi para comer, foi para o jogo. Ainda devo 25.000 em empréstimos…”

João chegou até a pedir 20 mil euros através da conta do pai, porque ele usufruía de um juro mais baixo. “Metade foi para o jogo. Vendi uma empresa por 14 mil euros, foi tudo para o jogo. Acabava tudo por ir para lá. Só a minha mulher é que mexe na conta agora: entreguei-lhe os cartões e tenho um recarregável. Quando é necessário, ligo-lhe e ela mete 50 euros.”

“Os jogadores acabam por destruir muita coisa. Não só o dinheiro, mas também a família.”

Resignado, vencido, diz que o jogo é “mesmo sorte”, e que é preciso saber parar. Uma amiga que trabalha no casino contou-lhe uma história que empresta solidez a esta teoria, que coloca os ventos da sorte no centro do mundo. “Dois chineses, lado a lado, estavam a jogar ao Ponto e Banca. Um apostava 10.000 no ponto e saiu 31 vezes seguidas. O outro apostava três, quatro, cinco mil euros na banca, na esperança de virar. Ele perdeu uns 140 mil e o outro ganhou 300 mil. É sorte. Mas é como ela diz: ‘ele vai lá meter tudo outra vez’.”

O maior aliado, garante, foi a sua mulher. “Ela detesta jogo, é muito poupada. Por minha causa, então, tem pavores de jogo. Os jogadores acabam por destruir muita coisa, não só o dinheiro, mas também a família. Hoje percebo isso. Há dez meses não ligava a nada disso”, afiança. E, talvez por isso mesmo, por toda a luta que tem vivido, por toda a ajuda que tem recebido, levou a mal um pedido da mulher. “Pediu-me para ligar para aqueles números 808 para um concurso da televisão para ganhar 200 mil euros. Perguntei se estava a brincar comigo, porque aquilo era jogar! Antes teria perguntado quantas vezes queria que ligasse…”

Apesar de tudo, João tem ganho esta batalha e dá a voz para alertar as pessoas. Talvez sinta esta necessidade de abrir os olhos a outros que possam entrar no labirinto sem retorno que o jogo pode transformar-se. A seguir à conversa com o Observador, João tinha agendada uma outra com um aluno universitário, para o ajudar num trabalho. Agora tem mais sossego e a harmonia familiar toca noutro tom. “Agora ficamos a ver televisão à noite, já não tenho de ir para o computador. Agora papo as novelas todas”, diz, com um sorriso de quem quer ter o seu fado na palma da mão.

Economia

Colaboração para o UOL, em São Paulo

Não é difícil que, ao ligar a TV, você veja uma propaganda de algum site de apostas esportivas. As inserções, principalmente em canais do ramo, já são comuns no país e falam diretamente a um público interessado em "tentar a sorte" e adivinhar os resultados.

O mercado brasileiro se mostra promissor. Por ano, são movimentados cerca de R$ 4 bilhões no Brasil, em mais de 500 sites que oferecem apostas de jogos esportivos brasileiros, de acordo com um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) encomendado pela Caixa.

O processo de apostas é simples. Geralmente, basta ao interessado fazer o registro e depositar qualquer valor por boleto bancário ou transferência por diversos meios de pagamento eletrônico. Logo sua conta será gerada com o valor do depósito inicial.

Feito isso, o apostador poderá tentar adivinhar o resultado de qualquer jogo de futebol ou diversos outros esportes (como MMA, basquete e até tênis de mesa) com o mote de quanto maior o risco, maior o retorno. Ou seja, quanto mais improvável for o resultado, maior é a recompensa em caso de acerto.

Contravenção penal

Mas tentar ganhar dinheiro fácil com apostas pode criar um grande problema. A polêmica é que, caso o site provedor das apostas esteja hospedado no Brasil, colocar dinheiro para tentar adivinhar o resultado dos jogos pode ser considerado uma contravenção penal.

A lei brasileira considera lícito apenas os jogos administrados pela Caixa, além de apostas em corridas de cavalo no jóquei. Qualquer outra aposta não regulamentada pelo banco estatal é considerada infração.

"A discussão em relação aos jogos de apostas virtuais é de onde está a banca, ou seja, onde você aposta seu dinheiro. Isso porque existem diversos sites de apostas mundiais onde brasileiros ou gente de todo mundo joga", disse o advogado criminalista Jair Jaloreto.

De acordo com ele, é dessa forma que sites como Sportingbet, BET360 ou 188BET, os maiores em atuação no Brasil, conseguem fugir da lei brasileira ao hospedar suas bancas em outros países cujas legislações legalizam esse tipo de jogo.

"A manutenção de um site desses no Brasil, para mim, é contravenção penal", afirmou. "Mas, se a aposta é feita no exterior, mesmo que o evento esteja no Brasil, a operação é considerada como feita fora daqui. Portanto, se estiver em um país que libere, eu não entendo que isso seja ilícito", disse.

Dessa forma, o entendimento atual é de que o apostador que realizar seus palpites em um site registrado fora do Brasil não estará cometendo crime ou qualquer tipo de contravenção penal.

O jogador também deve tomar cuidado caso ganhe dinheiro de um site estrangeiro. Por isso deve sempre declarar à Receita Federal o valor recebido em apostas.

"Pode ser considerado um crime de evasão de divisas receber valores lá fora e não declarar. Exemplo: se você ganhou R$ 300 mil lá fora, você tem de declarar e pagar imposto sobre isso. Dessa forma, o dinheiro fica lícito", afirmou o advogado.

Riscos

A facilidade, contudo, não quer dizer que as apostas online em bolsas esportivas não tragam riscos aos palpiteiros. Além do perigo normal e previsível (de errar o palpite e perder todo o capital), há também a ameaça do calote.

Na 13ª rodada do Campeonato Brasileiro do ano passado, por exemplo, oito dos dez jogos acabaram tendo os visitantes como vencedores. Isso quase quebrou a banca de algumas casas de apostas que não conseguiram honrar seus pagamentos.

"Essa rodada específica gerou premiações muito altas, e os apostadores ficaram sem receber", disse Pedro Tengrouse, professor da FGV e um dos autores do estudo sobre os jogos de azar esportivos.

Segundo Tengrouse, o calote acontece porque, sem a liberação desse tipo de jogo, o apostador fica sem ter a quem recorrer. Além disso, sem fiscalização, fica mais difícil controlar fraudes esportivas, como a manipulação de resultados, por exemplo.

"A falta de regulamentação coloca em risco a legalidade do esporte e a economia popular, pois os apostadores não têm nenhuma proteção", declarou.

"O esporte fica à mercê da máfia das apostas porque, sem monitoramento, você não consegue combater a manipulação dos resultados", disse.

A CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) do Senado rejeitou neste ano a aprovação do projeto de lei (PLS 186/2014) que visa à exploração de bingos, jogo do bicho, videojogo e outras modalidades de apostas de forma legal.

Antes, a CEDN (Comissão Especial do Desenvolvimento Nacional) havia aprovado a regulamentação da mesma lei. Cabe agora ao plenário da Casa votar o projeto assim que ele for colocado em votação, mas não há previsão para que isso ocorra.



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