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Jogos e apostas online

Enrico NazaréAutor da publicação: Enrico Nazaré

A Turquia considerou esta quinta-feira injustas as acusações de desconsideração para com a presidente da Comissão Europeia durante a sua visita a Ancara, garantindo que a disposição dos assentos para a reunião foi sugerida pela equipa europeia. O Parlamento Europeu já pediu o agendamento de um debate com os presidentes do Conselho e da Comissão Europeia para esclarecer o incidente.

As críticas aconteceram depois de, numa reunião realizada na quarta-feira em Ancara, só o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, terem tido direito a cadeiras, facto que levou a Comissão Europeia a protestar contra o episódio já conhecido como “sofagate”.

As imagens de vídeo da chegada de Erdogan e de Michel ao palácio presidencial para o encontro mostram a presidente da Comissão a expressar a sua surpresa com o lugar que lhe foi reservado, num sofá lateral diante do chefe da diplomacia turca, enquanto os dois líderes masculinos se sentavam em cadeiras situadas na zona nobre do salão, enquadradas pelas bandeiras da Turquia e da UE.

Em conferência de imprensa realizada esta quinta-feira, o ministro turco dos Negócios Estrangeiros, Mevlut Cavusoglu, garantiu que a disposição dos assentos respeitou a sugestão da equipa da União Europeia.

“Os pedidos da UE foram respeitados. Isso significa que os arranjos de assentos foram feitos a seu pedido. Os nossos serviços protocolares reuniram-se antes da reunião e os seus pedidos (da UE) foram respeitados”, assegurou o ministro.

“As acusações contra a Turquia são injustas”, afirmou, lembrando que “esta não é a primeira vez que a Turquia recebe dignitários estrangeiros”.

Mevlut Cavusoglu adiantou que a Turquia se sentiu obrigada a fazer o esclarecimento face às “acusações de que foi alvo”.

A Comissão Europeia assumiu na quarta-feira o seu descontentamento com o tratamento diplomático reservado à presidente Von der Leyen na reunião em Ancara, tendo o porta-voz da instituição defendido que “a presidente deveria ter sido tratada exatamente da mesma maneira que o presidente do Conselho Europeu e o Presidente turco”.

Já quanto à atitude de Charles Michel, que nas imagens se vê a ocupar o seu lugar ao lado de Erdogan e a estender as pernas enquanto Von der Leyen abria os braços em jeito de interrogação, o porta-voz da Comissão escusou-se a tecer comentários.

Charles Michel reagiu, entretanto, reconhecendo que “as poucas imagens que foram divulgadas deram a impressão” de que “teria sido insensível a esta situação”, mas recusou ter tido essa intenção, invocando os seus “sentimentos profundos” e “princípios de respeito essenciais”.

“Apesar de uma vontade manifesta de fazer bem, a interpretação estrita pelos serviços turcos das regras protocolares produziu uma situação desconcertante: o tratamento diferenciado ou mesmo desconsiderante da presidente da Comissão Europeia”, afirmou Michel.

Parlamento Europeu pede debate para esclarecer visita

Parlamento Europeu pede debate para esclarecer visita

Entretanto, as duas principais famílias políticas do Parlamento Europeu (PE) pediram o agendamento de um debate com os presidentes do Conselho e da Comissão Europeia, para discutir a deslocação de ambos à Turquia, após o incidente diplomático que ocorreu.

“A visita a Ancara dos presidentes Von der Leyen (da Comissão Europeia) e Michel (do Conselho Europeu) deveria ter sido uma mensagem de firmeza e de unidade na abordagem da Europa à Turquia. Infelizmente, tornou-se num símbolo de desunião, tendo em conta que os presidentes não se mantiveram unidos quando foi necessário”, lê-se num comunicado publicado esta quinta-feira pelo líder do Partido Popular Europeu (PPE), Manfred Weber.

Além do “fracasso” na expressão da “unidade” entre os dois líderes, Weber frisa que “precisa de saber” os temas que Charles Michel “pôs em cima da mesa”, tendo em conta que “as questões mencionadas precisam de ter a aprovação do PE“.

Manfred Weber diz assim estar “extremamente preocupado” com os compromissos assumidos por Charles Michel no que se refere aos “vistos e às taxas alfandegárias”, já que não houve “mudanças concretas e duradouras da política da Turquia no Mediterrâneo Oriental, em relação a Chipre” e às fronteiras externas da UE.

“Além disso, a visita não mostrou as nossas preocupações mais vastas no que diz respeito aos ataques do Presidente [da Turquia, Recep Tayyip] Erdogan à sociedade civil e aos prisioneiros políticos no país. Estas questões precisam de ser esclarecidas, pelo que iremos solicitar um debate em sessão plenária com a presença dos dois presidentes“, aponta o líder do PPE.

Também a líder da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D), Iratxe García Perez, revelou, através da sua conta oficial na rede social Twitter, ter pedido o agendamento de um debate “para esclarecer o que aconteceu” e definir “como respeitar as instituições da UE”.

“As relações entre a UE e a Turquia são cruciais. Mas a unidade e o respeito pelos direitos humanos, incluindo pelos direitos das mulheres, também são fundamentais”, lê-se na mensagem da líder da socialista.

O pedido de agendamento de um debate pelas duas principais famílias políticas europeias será para próxima sessão plenária, que terá lugar entre 26 e 29 de abril.

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20 Jul jogos e apostas online

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SSEHF18 Julho, 2014

I – Análise prévia

Foi no passado dia 20 de Junho de 2014 que os serviços da Assembleia da República permitiram o conhecimento generalizado da Proposta de Lei 238/XII, elaborada pelo Governo que, entre outras iniciativas, pretende a implementação do há muito esperado Regime Jurídico dos jogos e apostas Online (doravante RJO).

Muito se especulou, nos últimos anos, sobre esta augurada regulação, que se esperava liberal quando comparada com o regime em vigência para o jogo de sorte e azar tradicional.

Esta expectativa foi sobretudo firmada na necessidade do Estado Português arrecadar mais verbas provenientes dos impostos, necessidade que terá levado o Governo, numa atitude aparentemente precipitada , a inscrever o jogo online como fonte de receita no orçamento de estado para 2014.

De facto, a via liberal seria aquela que mais sentido faria, se levarmos em linha de conta os seguintes dados:

  • Em 2011 as receitas provenientes do mercado do jogo ascenderam, em toda a União Europeia, aos € 84,9 mil milhões;
  • O mercado do jogo cresce, anualmente, cerca de 3% em toda a União;
  • O mercado do jogo online em específico, cresce a uma taxa anual de quase 15%;
  • Na União Europeia esperam-se, para 2015, receitas provenientes do jogo online na casa dos € 13 mil milhões, um acréscimo significativo se comparado aos € 9,3 mil milhões arrecadados em 2011;
  • A União Europeia conta actualmente com 6,8 milhões de consumidores de serviços de jogos online, número que, atenta a evolução tecnológica, nomeadamente nos telemóveis de última geração e nas televisões digitais, conhecerá um forte crescimento;
  • A natureza online desta actividade faz com que estes serviços não conheçam fronteiras e possam, inclusive, ser prestados a partir de estados terceiros à União Europeia, escapando às diversas autoridades reguladoras;
  • Mesmo dentro da União, operadores licenciados num Estado Membro com molduras legais mais liberais, oferecem os seus serviços em outros Estados Membros, sem autorização para o efeito;
  • É factualmente conhecido que os consumidores procuram esses serviços provenientes de estados terceiros à União, mesmo correndo determinados riscos, como os de exposição a eventuais práticas fraudulentas;
  • Existem suspeitas fundamentadas da utilização destes canais para práticas de lavagem de dinheiro, realidade que a União pretende combater.

É perante o panorama supra que o regime ora proposto é, de algum modo, decepcionante.

Com efeito, uma primeira leitura do diploma em apreço permite concluir que o Governo se prepara para optar pela implementação de um regime monopolista, segundo o qual, a exploração do jogo, continua a ser competência do Estado, sem prejuízo de regimes de concessão.

Na verdade, lê-se no preâmbulo da proposta que o legislador considerou essencial “…combater a prática de jogo ilegal e (…) assegurar uma exploração de jogo equilibrada e transparente…”, assumindo o compromisso de “…estimular a cidadania e o jogo responsável, e reforçar o combate à economia informal…”, motivo pelo qual se propôs a aprovar o RJO e, por essa via, “…delimitar e enquadrar a oferta e o consumo do jogo, e (…) controlar a sua exploração…”.

Uma vez mais, o legislador lançará mão ao cariz aditivo dos jogos de fortuna e azar, que, por si, justifica indiscutivelmente determinados cuidados, para defender interesses e posições que dificilmente se compreendem perante o mercado global em que vivemos.

É que, é o próprio legislador admite que “À semelhança do que tem vindo a suceder na maioria dos países europeus, o direito de exploração de jogos e apostas online não deve constituir um exclusivo de algumas entidades, ainda que estas já se encontrem habilitadas a explorar jogos e apostas em Portugal, devendo antes ser atribuído, mediante licenças, a todas as entidades que, para além daquelas, também preencham estritos requisitos de idoneidade e capacidade financeira e técnica.”.

Pena é, portanto, que alicerçado no seu argumento, ao invés de ir mais além, tenha optado por mitigar a realidade até aqui conhecida.

De facto, embora sejam de aplaudir determinadas medidas aprovadas pelo novo regime, poucos operadores terão a oportunidade de surgir neste mercado, atentos alguns requisitos infra expostos.

II – Do Regime Jurídico dos jogos e apostas online em concreto

Do RJO, que a Assembleia da República se prepara para aprovar, merecem destaque os seguintes pontos:

  1. A competência para a atribuição de licenças, regulação e fiscalização foi conferida ao Instituto do Turismo de Portugal, através do serviço da Inspecção de Jogos;
  2. As entidades que actualmente estão autorizadas a explorar a actividade do jogo em Portugal estão automaticamente licenciadas para a exploração do jogo online;
  3. As novas entidades que pretendam exercer actividade nesta área, podem, no prazo de 90 dias a contar da entrada em vigor da Proposta de Lei, requerer a emissão de licença à entidade reguladora;
  4. A atribuição da referida licença fica dependente de critérios iminentemente objectivos.

É com a sujeição da atribuição de licenças a critérios objectivos ou, pelo menos, com subjectividade balizada, que o legislador mitiga a postura outrora assumida.

A atribuição de licenças adivinha-se agora mais clara, transparente e previsível, o que sempre facilitará a constituição de projectos de negócio aos operadores que pretendam enveredar por esta actividade.

A pessoa colectiva a constituir deve, obviamente, ter por objecto social a organização, comercialização e exploração de jogos e apostas.

As licenças serão válidas por períodos de 3 anos e deverão ser requeridas pelo preenchimento modelo próprio, a aprovar e acompanhado de todos os documentos relevantes e do pagamento de uma taxa para a análise e apreciação do pedido.

Uma vez apreciado, o pedido não pode ser recusado sem ser concedido ao requerente o exercício do seu direito de audição prévia. Na prática, o requerente e a entidade reguladora através de um exercício de auto e de hétero-avaliação, chegarão em conjunto, de forma clara e transparente para todos os intervenientes, à tomada de decisão final.

Na verdade, para que a decisão de emissão de licença seja favorável, é suficiente ter-se por provado o preenchimento dos requisitos previstos nos artigos 11.º e seguintes da proposta de RJO, nomeadamente:

  1. Ter a situação contributiva e fiscal regularizada;
  2. Possuir idoneidade, capacidade técnica e capacidade económico-financeira;
  3. Prestar as cauções e o pagamento das taxas previstas nos artigos 15.º e 86.º, designadamente:
    1. Uma caução no valor de € 500.000,00 para garantir o cumprimento de obrigações legais;
    2. Uma caução no valor de € 100.000,00, para garantir o pagamento do imposto especial de jogo online (IEJO), de montante equivalente aos valores prováveis do IEJO durante o período de dois meses;
    3. Uma taxa periódica a regulamentar por portaria;
  4. Apresentar um projecto de sítio na Internet que contenha os seguintes elementos:
    1. A memória descritiva do suporte do sistema técnico de jogo;
    2. A indicação do local onde vai ficar alojada a infra-estrutura de entrada e registo;
    3. As categorias, os tipos de jogos e as apostas online a disponibilizar;
    4. Meios de auto-exclusão do jogador e de inibição de registo dos jogadores excluídos durante o período de inibição;
    5. Meios que permitam assegurar a efectivação de proibições de jogar impostas pela entidade reguladora;
    6. Limites de aposta absolutos e meios que permitam ao jogador impor os seus limites nas apostas efectuadas e nos montantes depositados na respectiva conta de jogador;
    7. A temporização do jogo ou da aposta, nos casos em que seja aplicável;
    8. Os meios de pagamento e o modo de distribuição dos prémios;
    9. O modo como se efectua o registo de todas as transacções que envolvam, nomeadamente, depósitos, transferências de verbas e pagamentos;
    10. Controlos de segurança da informação que garantam a segurança do sítio na Internet e dos seus dados.

O próprio conceito de idoneidade, utilizado pelo legislador para efeitos do presente diploma, é concretizado, limitando sobremaneira a subjectividade que, de outra forma, estaria associada à atribuição das licenças.

Assim, não serão consideradas idóneos:

  1. Entidades ou administradores que tenham sido declarados insolventes;
  2. Entidades ou administradores que tenham sido proibidos do exercício do comércio;
  3. Entidades ou administradores que, por três vezes ou mais, tenham sido condenados, por decisão definitiva, pela prática dolosa de contra-ordenações muito graves, salvo se decorridos dois anos do cumprimento integral das obrigações decorrentes da aplicação da última sanção;
  4. 4. Entidades ou administradores que, a título individual ou na qualidade de representante legal, tenham sido condenados por decisão transitada em julgado por promoção, organização ou exploração ilícita de jogos, salvo se decorridos mais de cinco anos desde a decisão;
  5. Entidades ou representantes legais que, por decisão transitada em julgado há cinco anos ou menos, hajam sido condenados por um dos seguintes crimes:
    1. Burla, burla informática e nas comunicações ou burla relativa a trabalho ou emprego;
    2. Insolvência dolosa, insolvência negligente, favorecimento de credores ou perturbação de arrematações;
    3. Falsificação ou contrafacção de documento, quando praticado no âmbito da actividade de exploração de jogos e apostas;
    4. Desobediência, quando praticado no âmbito da actividade de exploração de jogos e aposta;
    5. Exploração ilícita e fraude de jogos e apostas de base territorial e de jogos e apostas online e ainda os crimes previstos no Decreto-Lei n.º 422/89, de 2 de Dezembro;
    6. Corrupção;
    7. Fraude na obtenção de subsídio ou subvenção, desvio de subvenção, subsídio ou crédito bonificado, fraude na obtenção de crédito e ofensa à reputação económica;
    8. Contrafacção ou imitação e uso ilegal de marca, quando praticado no âmbito da actividade de exploração de jogos e apostas;
    9. Branqueamento de capitais.

Para a apreciação da idoneidade, a entidade reguladora deverá ainda verificar a capacidade dos órgãos de administração e direcção da entidade candidata para assegurar uma gestão sã e prudente, nomeadamente, através do modo como as pessoas que venham a ocupar os referidos cargos gerem habitualmente os seus negócios ou exercem a sua profissão.

É também importante para o legislador ver assegurada a capacidade económica dos intervenientes neste mercado, pelo que, para além de disponibilizar um capital social não inferior a € 250 000,00, as entidades licenciadas devem demonstrar a sua autonomia financeira, através de um rácio do capital próprio sobre o total do activo líquido, superior ao fixado anualmente pela entidade reguladora.

Uma vez atribuídas, as licenças de exploração são pessoais e intransmissíveis e serão revogadas se a entidade licenciada passar por situações de cisão, fusão ou mesmo de alienação de 10 % ou mais do seu capital social.

III Conclusão

Em suma, a actual moldura legal que o legislador pretende aprovar aponta a direcção correta, se comparada com regime jurídico actualmente existente. Mas a caminhada que se inicia parece realizar-se a passo de tartaruga pois que o regime continua rígido e, sobretudo, aquém das expectativas.

Efectivamente, era esperado um modelo mais dinâmico, que, por um lado, permitisse o crescimento de um mercado regulado e da sua competitividade e, por outro, o combate eficaz dos mercados paralelos e o aumento exponencial da receita fiscal.

São por isso difíceis de compreender o prazo a que as requisições de licenças estão sujeitas e a proibição da transmissão destas, mesmo a agentes que cumpram todos os requisitos supra explanados.

(1) Recorde-se que o orçamento de estado para 2014 foi rectificado e a previsão de receitas provenientes com o imposto a arrecadar com o jogo online foi retirada. Uma breve análise de diversas notícias então publicadas, permite especular a existência de uma ligação entre a vontade do executivo em adiar a promulgação do novo pacote legislativo, que agora se anuncia, e os interesses dos atuais agentes económicos que exploram o jogo e que muito poderiam perder com uma liberalização.

Simples cliques conseguem movimentar milhares de euros. Assim é o mundo das apostas online. Autênticos casinos disponíveis 24 horas por dia, que permitem que os jogadores apostem a qualquer hora, em qualquer lugar, desde que tenham acesso à internet. No ano passado, 380 mil novos jogadores registaram-se em plataformas de apostas online em portugal e já há nove entidades autorizadas a exercer a atividade no país.

A par do jogo, vem o vício e esse não é um exclusivo do gaming online, como o comprova Joana (nome fictício), uma antiga apostadora, hoje com 60 anos, que aceitou partilhar o seu testemunho com o JPN.

O vício do jogo levou-a “anos a fio a um sítio [casino] onde não queria ir, mas onde ia e gastava rios de dinheiro”. O que começou por ser um passatempo, de uma ou duas horas, tornou-se a sua rotina. Contraiu dívidas de milhares de euros por causa do jogo, primeiro num casino físico, mais tarde em jogos de apostas online.

Em 2018, a Organização Mundial de Saúde reconheceu o vício do jogo online e videojogos como uma doença. Uma adição, como outras, mas com características particulares como explica ao JPN o psicólogo clínico e da saúde João Vedor.

O terapeuta lida com múltiplos casos de jovens que acabam por não lidar bem com o vício do jogo online e pedem ajuda especializada.

Ir ao casino sem sair de casa

O lugar mais importante do mundo. É assim que Joana se refere ao casino, “onde tudo é estudado ao milímetro: da música à colocação das máquinas”. Foi no casino que apostou na sorte e deu os primeiros passos no mundo do jogo.

Rapidamente, perdeu o controlo da situação e “entrou numa espiral muito estranha”, conta pelo telefone ao JPN a partir do Algarve. O horário flexível do emprego permitia-lhe “estar lá desde a hora de abertura [normalmente a meio da tarde] até à hora que entendesse.”

Mas o vício de Joana transportou-se de um espaço físico para as plataformas online, quando uma amiga lhe explicou como funcionava o jogo na internet. “Percebi que poderia ir ao casino sem sair de casa e se algum familiar me telefonasse, por exemplo, eu podia atender. Nunca mais houve aquele problema de não responder a chamadas, como acontecia no casino”, explica.

A facilidade com que adquiria créditos virtuais através um cartão VISA levou a que Joana contraísse diversos empréstimos e, consequentemente, dívidas de milhares às entidades bancárias. O descontrolo emocional era tal que a antiga apostadora confessa que chegou a pensar em cometer suicídio, porque não “entendia como gastava quantias tão grandes de dinheiro”.

A ansiedade em que vivia era notória e os familiares começaram a perceber a gravidade da situação. “Um dia um familiar confrontou-me e marcou-me uma consulta com um psicólogo.”

João Vedor explica alguns dos sinais que alertam para a existência de uma compulsão.

O plano proposto pelo terapeuta de Joana começou pela interdição. Joana pediu a autoexclusão (o jogador, a seu pedido, fica proibido de entrar e jogar no casino) e teve de entregar todos os cartões bancários e fechar as contas online. Foi o início de um longo processo de recuperação, que afastou o jogo da vida de Joana há mais de 10 anos.

O dinheiro virtual é uma das características do jogo online que faz com que seja fácil a um jogador perder a noção da realidade. “parece uma fantasia em si”, alerta João Vedor.

Quase 40% dos apostadores têm menos de 34 anos

Em 31 de dezembro de 2018, os jogadores com idades compreendidas entre os 25 e 44 anos representavam 62,1% do total de jogadores registados online, mantendo-se, face ao período homólogo, como predominante o grupo dos 25 aos 34 anos (38,8%). Na mesma data, os indivíduos entre os 18 e os 24 anos representavam um quarto do total de jogadores registados.

Daniel (nome fictício) enquadra-se no perfil. O jovem de 30 anos, residente no Porto, joga online há cerca de três anos. Todos os dias aposta valores na ordem dos 20 euros em diferentes desportos, sobretudo no futebol. O Placard online é a plataforma que mais utiliza.

O trabalho como empregado de café é partilhado com o hobbie das apostas. O entretenimento ao longo do dia e os possíveis ganhos são as grandes motivações deste apostador, que “quer perca, quer ganhe” vai continuar a apostar.

Já Afonso, que também pediu para não se identificar, costuma gastar, diariamente, 10 euros em apostas online. Entrou no gambling virtual através de um grupo de amigos, que o introduziu no mundo das apostas na internet.

O jovem de 27 anos, a viver no Grande Porto, explica que o facto de os jogadores procurarem as odd’s mais altas, leva muitos jogadores a apostarem em casas ilegais, que têm ofertas melhores do que as casas registadas legalmente em Portugal.

O psicólogo João Vedor relembra que os indivíduos com idade inferior a 21 anos têm maior propensão para comportamentos aditivos de risco. Segundo o clínico, só a partir dos 21 anos é que o córtex pré-frontal se encontrará completamente desenvolvido, o que leva a que muitas vezes os jovens assumam comportamentos de risco.

“A maioria aposta de forma ilegal”

E podem as apostas desportivas online ser mais do que um simples passatempo? Para Paulo Rebelo sim. O conceituado apostador profissional vive com os lucros que advêm do trading.

O gaiense iniciou-se no mundo das apostas antes de entrar para a Faculdade de Economia do Porto, em 1999, quando tinha 17 anos. Percebeu que tinha ganhos consistentes e dedicou-se de corpo e alma ao trading das apostas desportivas. Atualmente, faz parte de uma minoria que faz do jogo uma profissão.

Paulo Rebelo considera que a atual legislação portuguesa sobre as casas de apostas e a exploração do jogo online não é a mais adequada. Foi esse um dos motivos que levaram o apostador português a criar, juntamente com outros apostadores, a Associação de Apostadores Online.

A maioria dos apostadores em Portugal apostam de forma ilegal“, a principal razão deste desequilíbrio é a “taxação” que o Estado impôs à casa de apostas, considera Paulo Rebelo.

Já Afonso acredita que a legislação deveria ser mais apertada. “Conheço pessoas que começaram a jogar antes dos 18. É muito simples criar uma conta. Qualquer pessoa consegue fazer isso”, referiu na entrevista ao JPN.

Apesar do número de jogadores registados em plataformas de apostas online ter aumentado em 2018, Paulo Rebelo deixa o alerta sobre as perdas que a maioria dos jogadores enfrenta. “De longe, a grande maioria dos apostadores perde dinheiro“, observa, usando o futebol como analogia.

Quando alguns jogadores veem as dívidas a aumentar e se apercebem que as apostas se tornaram numa adição, podem optar pela autoexclusão, como Joana fez há muitos anos já. No final do ano passado, 25 mil jogadores pediram a autoexclusão das nove plataformas online de apostas permitidas em Portugal.

Além de poder pedir a autoexclusão dos sites licenciados pelo Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ), qualquer pessoa pode também pedir apoio psicológico através da Linha Vida (1414), um serviço anónimo e gratuito. Existem, ainda, grupos de interajuda distribuídos por vários pontos do país, onde quem quiser pode partilhar a sua experiência com o jogo.

O Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) tem uma rede de respostas para a área das “dependências sem substância”, onde se enquadra o jogo. Tal ajuda está disponível nos Centros de Resposta Integrados espalhados por todos os distritos. Estes centros também têm disponíveis consultas de prevenção, para evitar que a dependência se instale.



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